{"id":117958,"date":"2016-10-08T18:27:00","date_gmt":"2016-10-08T21:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=117958"},"modified":"2016-10-09T06:36:00","modified_gmt":"2016-10-09T09:36:00","slug":"nova-expedicao-busca-cidade-de-ouro-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nova-expedicao-busca-cidade-de-ouro-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Expedi\u00e7\u00e3o busca cidade de ouro na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nair Assad<\/strong><\/p>\n<p>A busca continua. Afinal, onde est\u00e1 localizada geograficamente &#8211; se \u00e9 que existe &#8211; a cidade perdida de Paititi, mais conhecida por El Dorado. Segundo algumas lenda locais, Paititi seria um Estado inca e teria como capital Manoa &#8211; tamb\u00e9m conhecida como &#8220;a cidade dos telhados resplandecentes, ou seja, cobertos de ouro.<\/p>\n<p>Mito ou verdade, os conquistadores ouviram dos \u00edndios que Paititi seria um reino encantado, perdido em meio \u00e0s selvas, habitado por uma estranha ra\u00e7a de seres, adoradores do Sol, cujo nome seria Ewaipanomas. Esse povo n\u00e3o tinha pesco\u00e7o e os rostos ficavam situados \u00e0 altura dos seus peitos.<\/p>\n<p>Os seus templos e imponentes pal\u00e1cios seriam ornados do mais puro ouro. O chefe supremo dessa civiliza\u00e7\u00e3o seria um homem conhecido como &#8220;Pr\u00edncipe Dourado&#8221;, ou &#8220;Eldorado&#8221;, dotado de apar\u00eancia resplandecente, cujas vestes e at\u00e9 mesmo o pr\u00f3prio corpo seriam recobertos de ouro, ornados ainda pelas mais belas e valiosas j\u00f3ias.<\/p>\n<p>E como h\u00e1 entre n\u00f3s, pobres mortais, expedicion\u00e1rios que buscam o que seria imortal, o certo \u00e9 que um americano, um franc\u00eas, um peruano e um brasileiro voltaram \u00e0 Amaz\u00f4nia peruana procurando ru\u00ednas desconhecidas.<\/p>\n<p>Mas ningu\u00e9m garante que Paititi esteja em terras peruanas. Mesmo porque, h\u00e1 muito mais \u00e1rea da Amaz\u00f4nia no Brasil e na Bol\u00edvia, do que no pa\u00eds onde viveram os incas.<\/p>\n<p>Parece o in\u00edcio de uma piada de sal\u00e3o, mas \u00e9 a premissa da aventura de uma equipe de exploradores que ocorreu em julho deste ano para encontrar pistas que levassem \u00e0 descoberta da civiliza\u00e7\u00e3o inca jamais encontrada.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o desse grupo multinacional, revela agora uma reportagem da BBC Brasil, circulou por uma regi\u00e3o a 150 quil\u00f4metros a Noroeste de Cusco, contou com 20 pessoas e durou 13 dias. Foi liderada por Javier Pazo e Benancio Paravecino, ambos da Paykikin Exploraciones Peru, uma associa\u00e7\u00e3o franco-peruana.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-117961\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.2.jpg\" alt=\"pai-2\" width=\"940\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.2.jpg 940w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.2-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.2-768x430.jpg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.2-696x389.jpg 696w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.2-751x420.jpg 751w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/p>\n<p><strong>Uma porta<\/strong> &#8211; &#8220;J\u00e1 temos v\u00e1rios pontos que mostram ind\u00edcios e sinais de uma rota para Paititi. Mas o avan\u00e7o \u00e9 pouco a pouco&#8221;, disse Pazo.<\/p>\n<p>Por cerca de meio mil\u00eanio, centenas de pessoas procuraram sem sucesso a mesma coisa que o grupo agora busca. Os exploradores reconhecem a dificuldade e comentam sobre o assunto sem citar localiza\u00e7\u00f5es exatas. Falam apenas em pistas e suspeitas de rotas que podem levar \u00e0 cidade perdida.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os s\u00e3o dif\u00edceis pois trata-se de uma regi\u00e3o de selva intocada e necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o do governo do Peru para ter acesso ao local &#8211; dentro do parque de Megantoni.<\/p>\n<p>Ainda hoje h\u00e1 regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia que s\u00e3o desconhecidas, onde pouco valem imagens por sat\u00e9lites ou sobrevoos de helic\u00f3ptero. E mesmo nos locais conhecidos as evid\u00eancias f\u00edsicas do passado podem estar soterradas por s\u00e9culos de cobertura vegetal.<\/p>\n<p>Outro integrante da equipe era Gregory Deyermenjian, um psic\u00f3logo americano que participou da expedi\u00e7\u00e3o como parceiro. Deyermenjian \u00e9 um dos exploradores mais experientes do mundo e vem estudando e visitando a regi\u00e3o desde os anos 80.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre quando vou partir para uma nova investiga\u00e7\u00e3o me dizem &#8216;espero que voc\u00ea encontre dessa vez&#8217;. Mas o que estou fazendo \u00e9 investigar as \u00e1reas associados com a lenda de Paititi&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o grupo est\u00e1 seguindo o chamado &#8220;Caminho de Pedra&#8221;, uma rota de fuga que levaria a um ref\u00fagio quase inacess\u00edvel usado pelos incas para se protegerem do jugo dos colonizadores espanh\u00f3is. Investigam sobretudo aonde a rota e as estradas vicinais podem levar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-117960\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.3.jpg\" alt=\"pai-3\" width=\"940\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.3.jpg 940w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.3-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.3-768x430.jpg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.3-696x389.jpg 696w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.3-751x420.jpg 751w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 uma estrada pavimentada, mas marcas com pedras que, embora n\u00e3o cont\u00ednuas, indicam uma rota. O que eu sei \u00e9 que na \u00e1rea da cordilheira de Pantiacolla h\u00e1 muitas regi\u00f5es n\u00e3o documentadas e est\u00e1 associada na cabe\u00e7a dos nativos com a lenda de Paititi&#8221;, disse o veterano.<\/p>\n<p>Depois de tantos anos de pesquisa, o explorador acredita na possibilidade de descobrir um grande s\u00edtio arqueol\u00f3gico \u00e9 muito pequena \u2014 mas existe. &#8220;Se encontrar Paititi fosse o objetivo principal de algu\u00e9m, ent\u00e3o essa pessoa estaria sempre frustrada&#8221;.<\/p>\n<p>Contudo, as informa\u00e7\u00f5es de localiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o vagas, tanto nos documentos hist\u00f3ricos quantoa nos relatos da tradi\u00e7\u00e3o oral das popula\u00e7\u00f5es nativas. Existem interpreta\u00e7\u00f5es distintas da origem da palavra e mesmo da regi\u00e3o onde pode estar Paititi.<\/p>\n<p>O arque\u00f3logo finland\u00eas Martti Parssinen, professor do Instituto Ibero-Americano da Universidade de Helsinque, acredita que Paititi era originalmente um rio e uma prov\u00edncia de alguma maneira relacionada a lagos inundados &#8211; da\u00ed dificuldade em encontr\u00e1-la.<\/p>\n<p>&#8220;Boa parte das evid\u00eancias hist\u00f3ricas apontam que a cidade estava situada em algum lugar ao norte de Mojos e a sudeste de Rurrenabaque&#8221;, disse Parssinen, referindo-se a duas regi\u00f5es na amaz\u00f4nia boliviana. Outras hip\u00f3teses falam em Paraguai e at\u00e9 na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos desafios burocr\u00e1ticos e te\u00f3ricos, existem os desafios humanos. Se h\u00e1 algo de rom\u00e2ntico na aventura de ca\u00e7ar ind\u00edcios incas no meio da amaz\u00f4nia, existem o realismo da jornada estafante e do limite do pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>S\u00e3o regi\u00f5es distantes de zonas urbanas e de dif\u00edcil acesso. O fot\u00f3grafo ga\u00facho Danilo Christidis, tamb\u00e9m membro da Paykikin, acompanhou a jornada para document\u00e1-la.<\/p>\n<p>Foi sua segunda expedi\u00e7\u00e3o. Na primeira, em 2011, contraiu tifo e perdeu 15kg.<\/p>\n<p>Dessa vez, tudo transcorreu bem, mas n\u00e3o sem dificuldades. Christidis conta que caminhavam de quatro a sete horas por dia em meio \u00e0 mata \u00famida e fechada.<\/p>\n<p>A marcha come\u00e7ava ao nascer do dia e acabava, por seguran\u00e7a, antes da chegada da noite, numa jornada que partiu dos 1,2 mil metros de altitude e chegou ao topo de uma cordilheira, a quase 4 mil metros.<\/p>\n<p>&#8220;Tem um determinado momento que n\u00e3o \u00e9 o teu corpo que te carrega. A pessoa j\u00e1 est\u00e1 t\u00e3o esgotada, que \u00e9 a tua cabe\u00e7a que te leva. \u00c9 como um mantra&#8221;, disse o fot\u00f3grafo.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio terreno muda com a altitude: a floresta vai ficando mais fria e \u00famida. &#8220;Teve um dia que acampamos em um lugar que parecia que est\u00e1vamos no meio da \u00e1gua. O ch\u00e3o parecia uma esponja.&#8221;<\/p>\n<p>Outro objetivo era mandar um drone para passar do ponto mais distante do Caminho de Pedra j\u00e1 alcan\u00e7ado a p\u00e9 e faz\u00ea-lo sobrevoar o vale do Rio T\u00edmpia, para colher pistas de qual rota seguir numa pr\u00f3xima expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-117959\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.1.jpg\" alt=\"pai-1\" width=\"940\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.1.jpg 940w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.1-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.1-768x430.jpg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.1-696x389.jpg 696w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pai.1-751x420.jpg 751w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/p>\n<p><strong>O lago<\/strong> &#8211; O drone foi capaz de voar 40 quil\u00f4metros e chegar a um lago quadrado ainda desconhecido, mas por um problema os registros fotogr\u00e1ficos ainda n\u00e3o puderam ser extra\u00eddos da m\u00e1quina.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pelo equipamento foi engenheiro e fundador da Paykikin, Nicolas Chapon, um franc\u00eas de 32 anos que se apaixonou pela selva peruana aos 10 anos depois de assistir o filme Aguirre, a C\u00f3lera dos Deuses .<\/p>\n<p>Para Chapon, a descoberta mais importante foi um desvio perpendicular ao Caminho de Pedra. A altera\u00e7\u00e3o \u00e9 sinalizada por uma pequena casa na qual os incas que passavam pela regi\u00e3o podiam descansar antes de seguir viagem.<\/p>\n<p>As pr\u00f3ximas expedi\u00e7\u00f5es devem seguir a nova dire\u00e7\u00e3o. &#8220;Nosso objetivo \u00e9 encontrar Paititi, mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso se perguntar o que \u00e9 Paititi. Talvez seja um s\u00f3 lugar, talvez sejam muitos locais pequenos. N\u00e3o sabemos. Estamos buscando cientificamente&#8221;, disse Chapon.<\/p>\n<p>J\u00e1 Pazo, o l\u00edder peruano, disse sua motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de orgulho: &#8220;Quero encontrar o que foi feito pelos meus antepassados para que o mundo veja a grandeza do nosso passado arqueol\u00f3gico&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair Assad A busca continua. Afinal, onde est\u00e1 localizada geograficamente &#8211; se \u00e9 que existe &#8211; a cidade perdida de Paititi, mais conhecida por El Dorado. 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