{"id":117988,"date":"2016-10-09T10:48:18","date_gmt":"2016-10-09T13:48:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=117988"},"modified":"2016-10-09T10:48:48","modified_gmt":"2016-10-09T13:48:48","slug":"vies-politico-mostra-outro-lado-bom-do-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vies-politico-mostra-outro-lado-bom-do-cinema\/","title":{"rendered":"Vi\u00e9s pol\u00edtico apresenta outro lado bom do cinema"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz Carlos Merten, Luiz Zanin Oricchio e Ubiratan Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Seu filme preferido \u00e9&#8230; &#8220;Rocco e Seus Irm\u00e3os&#8221;, de Luchino Visconti. &#8220;Tanto que a Mostra trouxe o filme de volta, no CineSesc&#8221;, explica Renata de Almeida. Mas ela tamb\u00e9m gosta de Federico Fellini, Amarcord. &#8220;Amo os italianos.&#8221; E, no escrit\u00f3rio da Mostra, Renata aponta o cartaz deste ano, sobre uma ilustra\u00e7\u00e3o de Marco Bellocchio.<\/p>\n<p>\u00c9 a 40.\u00aa Mostra Internacional de Cinema em S\u00e3o Paulo, a 27.\u00aa de Renata, que come\u00e7ou a trabalhar com Leon Cakoff na 13.\u00aa Mostra. H\u00e1 27 anos. Casaram-se, tiveram dois filhos, ela esteve sempre a seu lado. A fiel escudeira. Leon morreu, em 2011, \u00e0s v\u00e9speras da 35.\u00aa Mostra. Renata seguiu em frente. Sozinha? N\u00e3o. Muita gente trabalha com ela, mas, no limite, as decis\u00f5es s\u00e3o suas.<\/p>\n<p>Renata recebe a reportagem na sede do evento para falar da mostra deste ano. Ser\u00e3o 300 filmes, 42 espa\u00e7os de exibi\u00e7\u00e3o &#8211; incluindo 13 CEUs. Foi um ano duro, dif\u00edcil. Os fi\u00e9is patrocinadores n\u00e3o desertaram, mas alguns deram seu aporte muito em cima da hora. A Mostra come\u00e7a dia 20 &#8211; pouco mais de duas semanas. A pol\u00edtica tem dado o tom da vida brasileira. A Mostra vai refletir isso. Cartaz e vinheta de Bellocchio, o mais pol\u00edtico autor italiano de sua gera\u00e7\u00e3o. Retrospectiva de Andrzej Wajda.<\/p>\n<p>O recorte pol\u00edtico vai ser forte, com foco na Pol\u00f4nia. Renata realiza um sonho &#8211; traz, restaurada, a integralidade do &#8220;Dec\u00e1logo&#8221;, de Krzysztof Kieslowski. &#8220;Foi o filme que marcou a 13.\u00aa Mostra, na minha estreia.&#8221; Renata solta o verbo. Com a palavra, a Sra. Mostra.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 que voc\u00ea admite que o ano foi dif\u00edcil, vamos l\u00e1: qual foi a Mostra mais dif\u00edcil de todas?<\/strong><\/p>\n<p>A Mostra n\u00e3o \u00e9 uma bolha. Reflete o que se passa no Brasil, no mundo. Do ponto de vista financeiro, perdemos uma ou outra parceria. A maioria ficou, alguns diminu\u00edram o aporte. Isso pesa \u00c9 duro pensar e realizar um evento desse porte sem saber exatamente o que a gente vai ter, o que vai poder bancar, tendo de ajustar custos. No passado, um patrocinador me deixou com uma d\u00edvida de R$ 600 mil, que a Mostra teve de pagar. A 35.\u00aa foi dura. Leon vinha doente, morreu a poucos dias da abertura. Eu sentia uma cobran\u00e7a, mesmo velada. &#8220;Ela vai dar conta?&#8221; Confesso que estava meio anestesiada. Levei no susto. E houve a 14.\u00aa, em 1990, ano do Plano Collor. As pessoas estavam revoltadas com o confisco de seu dinheiro. Tudo era mais dif\u00edcil ainda. E, de alguma forma, as pessoas transferiram sua revolta, seu \u00f3dio, para a Mostra. E eu estava chegando. A crise me pegou logo de sa\u00edda. Tenho pr\u00e1tica, n\u00e3o me assusto.<\/p>\n<p><strong>E este ano?<\/strong><\/p>\n<p>Vai ser uma bela Mostra. O recorte pol\u00edtico \u00e9 muito forte, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 como reflexo do Brasil. Se voc\u00ea tem um cartaz de Bellocchio e homenageia Wajda com uma retrospectiva&#8230; A express\u00e3o desses caras \u00e9 pol\u00edtica. Bellocchio, convidado a fazer um cartaz, poderia ter enviado um desenho leve. Mas ele fez um desenho envolvendo religiosos, a quest\u00e3o da f\u00e9, e punhos erguidos, a revolta dos que protestam. Tem at\u00e9 um Papa e, na sele\u00e7\u00e3o italiana, est\u00e1 a s\u00e9rie que Paolo Sorrentino fez para a TV dos EUA, The Young Pope, O Jovem Papa. Tudo se junta, n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 que ponto a sele\u00e7\u00e3o da Mostra expressa o seu gosto pessoal?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, nos \u00faltimos anos, com o desenvolvimento das ferramentas da internet, houve uma mudan\u00e7a muito grande de perfil. Quando a Mostra come\u00e7ou, quando eu comecei na Mostra, n\u00e3o havia internet, n\u00e3o havia link. A gente tinha de viajar, ir aos festivais, correr mundo atr\u00e1s dos filmes. Foi uma fase muito bacana de descobertas, de fazer amigos. Este ano, tivemos 1.400 inscri\u00e7\u00f5es pela rede, fora os filmes convidados. Ningu\u00e9m consegue ver tanta coisa. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso delegar. T\u00eam coisas que vejo e j\u00e1 foram avaliadas. Existem filmes incontorn\u00e1veis. N\u00e3o tenho de gostar. Eles t\u00eam de estar na Mostra. Mas tudo passa por mim, pelo meu gosto. Amei um filme da Isl\u00e2ndia, Heartstone. Uma hist\u00f3ria de amizade, de inicia\u00e7\u00e3o. Um garoto gay, e o amigo dele, que n\u00e3o \u00e9 gay. Achei o filme maravilhoso. Pelo tema, pela realiza\u00e7\u00e3o, tinha de estar na Mostra. E est\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Muitos amigos da Mostra foram-se neste ano. Manoel de Oliveira foi no ano passado, mas Hector Babenco, Abbas Kiarostami&#8230; A Mostra vai lembr\u00e1-los?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos ter um filme de Jo\u00e3o Botelho sobre o Oliveira (O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu), e a segunda metade \u00e9 um filme mudo, no estilo do Oliveira, muito bonito. Vamos ter o document\u00e1rio 76 Minutos e 15 Segundos com Kiarostami, de Seifollah Samadia, assistente do Abbas, que o filmou durante muito tempo. Quando Abbas morreu, fez um filme. Contatado, o filho do Abbas fez a ponte para que a gente tivesse esse filme, e tamb\u00e9m o \u00faltimo curta que o Abbas fez, Me Leve Pra Casa. Babenco ganhou a primeira Mostra com L\u00facio Fl\u00e1vio, Passageiro da Agonia. Vamos apresentar o filme. N\u00e3o \u00e9 uma c\u00f3pia restaurada, n\u00e3o \u00e9 muito boa, mas \u00e9 importante esse registro, n\u00e3o s\u00f3 pela \u00e9poca, mas por hoje<\/p>\n<p><strong>E as homenagens?<\/strong><\/p>\n<p>A Mostra criou o Pr\u00eamio Humanidade, mas n\u00e3o se pode dar um pr\u00eamio desses a Quentin Tarantino (risos). Sobra pouca gente com esse perfil humanista. Um Patricio Guzman, um (Andrzej) Wajda. O Pr\u00eamio Humanidade pode estar se acabando, ent\u00e3o institu\u00edmos o Pr\u00eamio Leon Cakoff, para durar para sempre, enquanto houver Mostra. Este ano, vamos ter o ator Ant\u00f4nio Pitanga, o Bellocchio e o William Friedkin, uma sugest\u00e3o do (produtor) Rodrigo Teixeira. Um dia, ele ligou lembrando que s\u00e3o os 45 anos de Opera\u00e7\u00e3o Fran\u00e7a, vencedor do Oscar de 1971, e dizendo que o Friedkin poderia vir. N\u00e3o dava para resistir. Bellocchio vem e ministra uma masterclass, assim como Friedkin.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 que a 40.\u00aa Mostra vai ter esse perfil bem pol\u00edtico, qual ser\u00e1 o espa\u00e7o para reflex\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A Mostra lutou contra a ditadura, a censura. Essa janela que a gente abre para o entendimento da diversidade do mundo est\u00e1 sempre embasada no desejo de que o p\u00fablico da Mostra reflita, que se abra para o outro. Bellocchio vai falar dos filmes dele, que s\u00e3o muito pol\u00edticos. E eu quis fazer uma mesa sobre Birth of a Nation, que provocou muita pol\u00eamica em Sundance, no come\u00e7o do ano, por seu tema da inclus\u00e3o do negro na sociedade norte-americana. \u00c9 importante trazer essa discuss\u00e3o para o Brasil. Temos muitas mulheres produtoras, nem tantas diretoras, mas o g\u00eanero est\u00e1 bem representado no cinema brasileiro. A homenagem ao Pitanga levanta a quest\u00e3o do negro. Pode-se contar uma hist\u00f3ria do negro, e do cinema brasileiro, s\u00f3 a partir dele. Mas, e os cineastas? Temos o Jefferson De e algum outro, mas ainda falta representatividade. O Jefferson vai estar com a gente, no j\u00fari. Vamos incrementar esse debate. Vai ser importante, nesse ano em que temos at\u00e9 uma Miss Brasil negra, e ela, por sinal, \u00e9 bel\u00edssima.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Carlos Merten, Luiz Zanin Oricchio e Ubiratan Brasil Seu filme preferido \u00e9&#8230; &#8220;Rocco e Seus Irm\u00e3os&#8221;, de Luchino Visconti. &#8220;Tanto que a Mostra trouxe o filme de volta, no CineSesc&#8221;, explica Renata de Almeida. 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