{"id":118346,"date":"2016-10-13T08:42:58","date_gmt":"2016-10-13T11:42:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=118346"},"modified":"2016-10-13T08:42:58","modified_gmt":"2016-10-13T11:42:58","slug":"renato-desarmou-armadilhas-menos-a-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/renato-desarmou-armadilhas-menos-a-da-saude\/","title":{"rendered":"Renato desarmou armadilhas, menos a da sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Paulo Ricardo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9ramos uma turma animada, na ECA-USP, onde eu fazia jornalismo. Antenada. A nova m\u00fasica flu\u00eda. Danceterias, festivais, fanzines, fitas cassete, shows, shows, muitos shows!<\/p>\n<p>Milh\u00f5es de bandas, alinhadas com o que estava acontecendo na Inglaterra, criavam uma cena abrangente, instigante, que prometia a qualquer momento explodir o mainstream. Uma festa para o rock brasileiro, esse per\u00edodo de 1982, 1983, 1984!<\/p>\n<p>Numa dessas manh\u00e3s, minha amiga Patricia Andrade, estudante de r\u00e1dio e TV (foi dela a sugest\u00e3o do nome RPM), me disse: \u201cVamos ao Centro Cultural Vergueiro no domingo? Vai ter uma banda de Bras\u00edlia que tem umas letras legais, tem uma que diz \u2018uma menina me falou\u2019. E a\u00ed ele responde. Tipo um di\u00e1logo, sabe? Bem interessante!\u201d<\/p>\n<p>Fomos conferir. Algumas dezenas de gatos e gatas pingadas enfrentavam a garoa para conferir aquele trio que, realmente, tinha letras muito boas. Patricia era exigente.<\/p>\n<p>Fui apresentado a eles e logo engatei um papo com o baterista Marcelo Bonf\u00e1, que disse ter ouvido a demo da nossa banda e que havia sentido uma influ\u00eancia de Comsat Angels [banda p\u00f3s-punk inglesa de 1978]. Confirmei a influ\u00eancia (era mentira).<\/p>\n<p>J\u00e1 havia conhecido Dado Villa-Lobos com Fernanda, sua mulher e editora do fanzine \u201cSpalt\u201d, no Napalm [casa de shows em Santa Cec\u00edlia, centro de S\u00e3o Paulo].<\/p>\n<p>Mas o Renato intimidava. Anti-her\u00f3i de barba espessa, \u00f3culos de grau, com uma intensidade quase carrancuda e ironia fina, baixista e vocalista como eu. Ele estava \u00e0 vontade, num dia bom, o show tinha sido \u00f3timo e o papo correu solto. Ele conhecia meu passado de jornalista para a editora Som Tr\u00eas. Foi amizade instant\u00e2nea.<\/p>\n<p>As letras do Renato se destacavam pelo lado coloquial, pela sensibilidade de tratar de temas complexos e profundos com uma simplicidade e um frescor que, logo de cara, desarmava a armadilha da pretens\u00e3o e criava uma empatia imediata com o ouvinte.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, ele era o punk, o inconformista, o cara que n\u00e3o ligava para imagem e n\u00e3o gostava de videoclipes, mas que, segundo ele, queria que sua banda fosse uma mistura de Bob Dylan e Duran Duran.<\/p>\n<p>Havia uma certa preocupa\u00e7\u00e3o entre os mais chegados sobre como o p\u00fablico reagiria quando ele sa\u00edsse do arm\u00e1rio. Quando ele o fez, influenciado por Cazuza, isso s\u00f3 o engrandeceu.<\/p>\n<p>Em 1986, t\u00ednhamos acabado de tocar no Gigantinho, em Porto Alegre, e fomos v\u00ea-los numa danceteria. Subimos ao palco e, juntos, RPM e Legi\u00e3o, fizemos \u201cSer\u00e1\u201d e \u201cR\u00e1dio Pirata\u201d. Inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Numa noite de 1987, eu, Renato e Cazuza nos encontramos numa boate em Ipanema chamada Bar\u00e3o com Joana. Ficamos uns vinte minutos pulando abra\u00e7ados, uivando em nome da amizade e do sucesso do rock brasileiro.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1996, Renato cantou comigo \u201cA Cruz e a Espada\u201d no meu CD \u201cRock Popular Brasileiro\u201d. Meses depois, foi vencido pela Aids. Foi como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Ricardo \u00c9ramos uma turma animada, na ECA-USP, onde eu fazia jornalismo. Antenada. A nova m\u00fasica flu\u00eda. Danceterias, festivais, fanzines, fitas cassete, shows, shows, muitos shows! Milh\u00f5es de bandas, alinhadas com o que estava acontecendo na Inglaterra, criavam uma cena abrangente, instigante, que prometia a qualquer momento explodir o mainstream. 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