{"id":118441,"date":"2016-10-14T06:23:34","date_gmt":"2016-10-14T09:23:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=118441"},"modified":"2016-10-14T08:28:31","modified_gmt":"2016-10-14T11:28:31","slug":"the-42nd-st-band-a-vida-do-artista-quando-jovem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/the-42nd-st-band-a-vida-do-artista-quando-jovem\/","title":{"rendered":"The 42nd St. Band, a vida do artista quando jovem"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nair Assad, Edi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Trinta e cinco reais (pre\u00e7o m\u00e9dio), selo da Companhia das Letras, 226 p\u00e1ginas. A avalia\u00e7\u00e3, de quem leu, \u00e9 de &#8216;muito bom&#8217; para &#8216;\u00f3timo&#8217;. Mas \u00e9, no fundo, a hist\u00f3ria da do maior roqueiro brasileiro, quando jovem. Ou, como dizem por a\u00ed, um caderno de aprendizado para os f\u00e3s do rock.<\/p>\n<p>\u201cThe 42nd St. Band\u201d \u00e9 essencialmente uma prova da imagina\u00e7\u00e3o poderosa de Renato Russo. A biografia de uma banda de rock fict\u00edcia, escrita quando ele tinha por volta dos 15 anos, atesta que Renato j\u00e1 carregava conhecimento enciclop\u00e9dico do rock, familiaridade precoce com o jornalismo musical e nenhum freio em suas ambi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 a hist\u00f3ria da banda da rua 42, na qual seu alter ego \u00e9 o baixista Eric Russell (Russo\/Russell, simples assim). No texto, passam pelo grupo dois dos maiores guitarristas do rock ingl\u00eas em todos os tempos, Jeff Beck e Mick Taylor, este integrante dos Rolling Stones entre 1969 e 1974. Personagens imagin\u00e1rios interagem com lendas da m\u00fasica com uma intimidade que o del\u00edrio adolescente n\u00e3o questiona.<\/p>\n<p>Renato era um garoto bil\u00edngue. As anota\u00e7\u00f5es que serviram de base para o livro s\u00e3o em ingl\u00eas. Reflexo de seus h\u00e1bitos de leitura. A americana \u201cRolling Stone\u201d, que tinha uma aura de b\u00edblia musical nos anos 1970, era revista de cabeceira declarada do brasileiro. N\u00e3o por acaso, seu livro \u201creproduz\u201d entrevistas dos integrantes da 42nd St. Band \u00e0 revista.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do grupo \u00e9 uma colcha de retalhos que contempla v\u00e1rios clich\u00eas das biografias de roqueiros. Amigos de adolesc\u00eancia tocam na garagem, partem para os shows, o sucesso vem acompanhado de brigas e crises, os discos ganham elogios ou pedradas da cr\u00edtica, a vida na estrada \u00e9 divertida mas cansa, sexo e drogas formam mesmo a famosa tr\u00edade com o rock and roll, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Na capa da edi\u00e7\u00e3o h\u00e1 um subt\u00edtulo impresso em letras pequenas: \u201cRomance de uma banda imagin\u00e1ria\u201d. H\u00e1 exagero. Porque definitivamente o livro n\u00e3o \u00e9 um romance. Est\u00e1 mais para um caderno de f\u00e3 no qual ele cola tudo o que sai sobre seus artistas preferidos em jornais e revistas.<\/p>\n<p>Assim, o que se l\u00ea \u00e9 um mostru\u00e1rio de formatos habituais na imprensa musical, com reportagens narrativas, cr\u00edticas de discos e shows, entrevistas de perguntas e respostas alternadas (pingue-pongue, no jarg\u00e3o jornal\u00edstico), di\u00e1rios de turn\u00eas, rela\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas nos repert\u00f3rios das apresenta\u00e7\u00f5es, diagramas com as v\u00e1rias forma\u00e7\u00f5es diferentes do grupo, discografia em listas.<\/p>\n<p>O material que foi transformado no livro estava disperso em anota\u00e7\u00f5es de Renato. O organizador do volume, Tarso de Melo, tenta imprimir um eixo central para conduzir esses textos, mas n\u00e3o escapa de cair em muitas repeti\u00e7\u00f5es. Se Renato Russo tivesse a ideia de publicar tudo isso, teria talvez editado com mais autoridade para cortar redund\u00e2ncias e consertar informa\u00e7\u00f5es conflitantes que aparecem aqui ou ali.<\/p>\n<p>Do jeito que est\u00e1, \u00e9 preciso ser muito f\u00e3 de Renato para atravessar as 226 p\u00e1ginas numa leitura cont\u00ednua. Quando surge pela terceira vez entre os cap\u00edtulos o terceiro resumo da carreira da banda, a vontade \u00e9 largar o livro e ir escutar algum disco da Legi\u00e3o.<\/p>\n<p>A natureza fragmentada do texto pode acabar mais adequada a uma aprecia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fragmentada. \u201cThe 42nd St. Band\u201d pode ser aberto em qualquer p\u00e1gina e, com sorte, cair em seus trechos mais interessantes. Como a letra de \u201cBlow Job Blues\u201d (\u201cBlues do Boquete\u201d), brincadeira clara com a can\u00e7\u00e3o pornogr\u00e1fica dos Stones nunca inclu\u00edda me \u00e1lbum da banda, \u201cCocksucker Blues\u201d.<\/p>\n<p>Falar que \u00e9 obrigat\u00f3rio para os f\u00e3s de Legi\u00e3o \u00e9 totalmente desnecess\u00e1rio. Quem se interessa por rock tamb\u00e9m vai querer ler. \u00c9, literalmente, o retrato do artista quando jovem.<\/p>\n<p><strong>THE 42nd ST. BAND<\/strong><br \/>\nAUTOR Renato Russo<br \/>\nTRADUTOR Guilherme Contijo Flores<br \/>\nEDITORA Companhia das Letras<br \/>\nQUANTO R$ 34,90 (226 p\u00e1gs.)<br \/>\nAVALIA\u00c7\u00c3O muito bom<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair Assad, Edi\u00e7\u00e3o Trinta e cinco reais (pre\u00e7o m\u00e9dio), selo da Companhia das Letras, 226 p\u00e1ginas. A avalia\u00e7\u00e3, de quem leu, \u00e9 de &#8216;muito bom&#8217; para &#8216;\u00f3timo&#8217;. Mas \u00e9, no fundo, a hist\u00f3ria da do maior roqueiro brasileiro, quando jovem. Ou, como dizem por a\u00ed, um caderno de aprendizado para os f\u00e3s do rock. \u201cThe [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":118442,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[73],"tags":[],"class_list":["post-118441","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-renato-russo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118441"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118441\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":118491,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118441\/revisions\/118491"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/118442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}