{"id":118738,"date":"2016-10-17T07:43:44","date_gmt":"2016-10-17T09:43:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=118738"},"modified":"2016-10-17T08:47:53","modified_gmt":"2016-10-17T10:47:53","slug":"calote-entrava-novas-concessoes-de-microcredito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/calote-entrava-novas-concessoes-de-microcredito\/","title":{"rendered":"Calote entrava novas concess\u00f5es de microcr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Hugo Passarelli e Nat\u00e1lia Cacioli<\/strong><\/h6>\n<p>De olho na retomada da economia, os bancos veem chance de amplia\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o de microcr\u00e9dito. No entanto, as altas taxas de inadimpl\u00eancia ainda fazem as institui\u00e7\u00f5es pensarem duas vezes antes de liberar dinheiro a pequenos empreendedores. Neste ano, o calote no microcr\u00e9dito atingiu o &#8220;pico&#8221; de 7,7%. Atualmente, a taxa est\u00e1 em 6,5%, mas, ainda assim, \u00e9 maior do que a do cr\u00e9dito para pessoa f\u00edsica, de 6,2%.<\/p>\n<p>Segundo o superintendente de microcr\u00e9dito do Santander, Jer\u00f4nimo Ramos, o setor de microcr\u00e9dito poderia quadruplicar de tamanho em cinco anos, atingindo R$ 20 bilh\u00f5es em concess\u00f5es. Ramos diz que o mercado potencial para o microcr\u00e9dito \u00e9 de 30 milh\u00f5es a 50 milh\u00f5es de empreendedores. A proje\u00e7\u00e3o considera a expans\u00e3o do limite de empr\u00e9stimo para R$ 50 mil, do faturamento anual m\u00e1ximo para at\u00e9 R$ 300 mil e uso de 3% do compuls\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros do executivo embutem mudan\u00e7as consider\u00e1veis nas regras atuais, que Ramos classifica de &#8220;amarras&#8221;. Atualmente, o Banco Central limita o microcr\u00e9dito a empreendedores com faturamento anual de at\u00e9 R$ 120 mil. O valor m\u00e1ximo por opera\u00e7\u00e3o \u00e9 de R$ 15 mil e o juro n\u00e3o pode passar de 4% ao m\u00eas. Hoje, o uso do compuls\u00f3rio \u00e9 limitado a 2%. Segundo o BC, o microcr\u00e9dito representa 1,3% do total do cr\u00e9dito pessoal no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O caminho para reduzir a inadimpl\u00eancia, segundo os bancos, \u00e9 investir na garantia chamada de &#8220;aval solid\u00e1rio&#8221;. Nessa modalidade, um grupo de microempreendedores \u00e9 fiador do outro.<\/p>\n<p>No Banco do Nordeste, pioneiro em microcr\u00e9dito, o sucesso dessa garantia ajuda a garantir uma inadimpl\u00eancia de 1,4%. &#8220;O l\u00edder do grupo solid\u00e1rio ganha um status na comunidade. Ele sabe da situa\u00e7\u00e3o financeira de todos e cobra o pagamento em dia&#8221;, diz Marcos Holanda, presidente do banco.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, segundo o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Entidades Operadoras de Microcr\u00e9dito e Microfinan\u00e7as (Abcred), Almir da Costa Pereira, o sistema cl\u00e1ssico do microcr\u00e9dito, que tamb\u00e9m inclui forte presen\u00e7a dos agentes financeiros, acaba n\u00e3o sendo seguido pelos bancos privados.<\/p>\n<p>Segundo Ramos, do Santander, montar grupos solid\u00e1rios em cidades como S\u00e3o Paulo \u00e9 dif\u00edcil &#8211; o que obriga os bancos a conceder empr\u00e9stimos individuais. Assim, a institui\u00e7\u00e3o fica exposta a um risco de inadimpl\u00eancia maior, justamente o que impede uma expans\u00e3o maior da modalidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de um empr\u00e9stimo, o microcr\u00e9dito desempenha um papel importante de educa\u00e7\u00e3o financeira do tomador. Na modalidade, o dinheiro s\u00f3 \u00e9 liberado mediante orienta\u00e7\u00e3o de um agente de cr\u00e9dito do banco, que vai visitar o local do neg\u00f3cio e avaliar quais s\u00e3o as principais necessidades de investimento, ajudando o empreendedor a aplicar os valores.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com o cabeleireiro paulistano Jos\u00e9 Pereira Pardinho Neto, de 36 anos, que precisava de dinheiro para reformar seu sal\u00e3o na zona sul de S\u00e3o Paulo. Ao procurar uma ag\u00eancia, o gerente indicou a linha de microcr\u00e9dito e uma agente visitou o local. &#8220;Eles pediram or\u00e7amentos para a reforma antes de liberar o financiamento&#8221;, conta. O banco liberou R$ 15 mil a uma taxa de juros de 2,5% ao m\u00eas. Com o dinheiro, Pardinho Neto tamb\u00e9m comprou equipamentos.<\/p>\n<p>Segundo Holanda, do Banco do Nordeste, para o microcr\u00e9dito n\u00e3o perder a identidade com o potencial crescimento do mercado, o agente de cr\u00e9dito \u00e9 essencial. O Banco do Nordeste iniciou em junho um projeto-piloto que aumenta o valor m\u00e1ximo liberado de R$ 6 mil para R$ 15 mil, mas focado apenas em clientes que j\u00e1 t\u00eam relacionamento com o banco. &#8220;A ideia \u00e9 que esse pequeno empres\u00e1rio tenha, al\u00e9m de capital de giro, dinheiro para investir e crescer&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A Caixa Econ\u00f4mica Federal tamb\u00e9m tem projetos na \u00e1rea. A institui\u00e7\u00e3o estuda oferecer microcr\u00e9dito para estimular o empreendedorismo na faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, ou seja, para fam\u00edlias que ganham at\u00e9 R$ 1,8 mil ao m\u00eas. Por ora, o projeto est\u00e1 em an\u00e1lise. Neste ano, o banco destinou R$ 300 milh\u00f5es para o microcr\u00e9dito, \u00e0 taxa m\u00e9dia de 2,95% ao m\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hugo Passarelli e Nat\u00e1lia Cacioli De olho na retomada da economia, os bancos veem chance de amplia\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o de microcr\u00e9dito. 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