{"id":119513,"date":"2016-10-23T13:00:48","date_gmt":"2016-10-23T15:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=119513"},"modified":"2016-10-23T18:19:16","modified_gmt":"2016-10-23T20:19:16","slug":"marido-bate-preso-e-solto-e-depois-mata-a-esposa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/marido-bate-preso-e-solto-e-depois-mata-a-esposa\/","title":{"rendered":"Marido bate. Preso, \u00e9 solto. E depois mata a esposa"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Alexandre Hisayasu e Felipe Resk<\/strong><\/h6>\n<p>Uma vela de sete dias ainda queimava ao lado do corpo de Mariana Marcondes, de 44 anos, quando ela foi encontrada por familiares no apartamento onde morava, no Bel\u00e9m, zona leste de S\u00e3o Paulo. Segundo a pol\u00edcia, ap\u00f3s uma discuss\u00e3o, a mulher foi morta pelo ex-marido, o consultor financeiro Chateaubriand Bandeira Diniz Filho, de 51 anos, em 17 de setembro. Vizinhos disseram que ouviram gritos da v\u00edtima e de um dos filhos pedindo que o pai parasse. Ap\u00f3s o crime, ele arrumou as malas junto com as duas crian\u00e7as, um menino e uma menina, e foi para o Rio, onde deixou os filhos na casa da av\u00f3.<\/p>\n<p>O homem voltou para S\u00e3o Paulo dois dias depois e teve a pris\u00e3o tempor\u00e1ria decretada pelo juiz Roberto Zanichelli Cintra, do 1.\u00ba Tribunal do J\u00fari. O mesmo magistrado, por\u00e9m, mandou soltar Diniz, no dia 4 deste m\u00eas, ap\u00f3s se convencer de que ele n\u00e3o\u00a0oferecia mais risco ao andamento do processo e que tamb\u00e9m havia confessado o crime. O promotor Felipe Zilberman recorreu da decis\u00e3o, ofereceu den\u00fancia e pediu a pris\u00e3o preventiva do acusado. A ju\u00edza Marcela Raia de Sant&#8217;Anna deferiu o pedido, e Diniz foi preso novamente na ter\u00e7a-feira, no Rio.<\/p>\n<p>Levantamento do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE) aponta que, antes de denunciar um crime de viol\u00eancia dom\u00e9stica, a mulher j\u00e1 sofre agress\u00f5es, em m\u00e9dia, h\u00e1 mais de nove anos. Ela chega at\u00e9 as autoridades abalada e sem confiar em ningu\u00e9m. \u00c9 preciso um trabalho psicol\u00f3gico intenso para que comece a dar detalhes que possam instruir uma investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos em que a Justi\u00e7a nega prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher mesmo quando ela pede socorro. A consequ\u00eancia \u00e9 que os agressores voltam a atacar, uma a\u00e7\u00e3o que n\u00e3o raro termina na morte de suas v\u00edtimas. Foram encontrados\u00a0tr\u00eas casos desse tipo nos f\u00f3runs da capital paulista.<\/p>\n<p>Para o irm\u00e3o de Mariana, Maur\u00edcio Marcondes, de 48 anos, a morte dela poderia ter sido evitada. Em dezembro de 2015, Diniz foi condenado a dois anos de reclus\u00e3o por agress\u00e3o e c\u00e1rcere privado contra a mulher. Um ano antes, ela pedira medidas protetivas \u00e0 Justi\u00e7a, por meio do Minist\u00e9rio P\u00fablico, para ficar longe do ent\u00e3o companheiro. O juiz Luis Fernando Decoussau Machado negou a medida, que foi mantida no Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Em seu despacho, o juiz afirmou que n\u00e3o havia provas ou testemunhas que comprovassem as acusa\u00e7\u00f5es de agress\u00e3o. Na ocasi\u00e3o, Mariana disse que recebeu pux\u00f5es de cabelo, empurr\u00f5es, levou socos no rosto e nas costas. &#8220;N\u00f3s todos estamos muito tristes, porque a Justi\u00e7a n\u00e3o fez nada. \u00c9 s\u00f3 mais um caso para as estat\u00edsticas criminais&#8221;, disse o irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1.\u00ba de fevereiro de 2015, a passadeira Perla Ramirez, de 40 anos, parou uma viatura da Pol\u00edcia Militar e pediu socorro. Ela afirmou que havia acabado de ser agredida e amea\u00e7ada de morte pelo ex-companheiro. Os PMs foram at\u00e9 a casa deles, no Bom Retiro, regi\u00e3o central. L\u00e1, encontraram um simulacro de uma arma, que era usado por Gustavo Ramon Mendez Albizo, de 31 anos. Ele foi preso em flagrante com base na Lei Maria da Penha.<\/p>\n<p>Dois dias depois, o mesmo juiz Decoussau, que atua na Vara de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e decidiu tamb\u00e9m no caso de Mariana Marcondes, soltou Albizo e aplicou medidas protetivas para que ele mantivesse dist\u00e2ncia da v\u00edtima e n\u00e3o a procurasse no trabalho. Albizo matou Perla no dia 21 do mesmo m\u00eas. Ele foi condenado a 15 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 a enfermeira Fernanda Sante Limeira, de 35 anos, teve dois pedidos de medidas protetivas negados pela Justi\u00e7a antes de ser morta pelo ex-marido, Ismael dos Santos Praxedes, de 38, na porta da Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) onde trabalhava, na Rep\u00fablica, regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, em julho. Ela se queixava de agress\u00f5es e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Segundo as investiga\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia, Fernanda e Praxedes disputavam a guarda da filha, e o ex-companheiro n\u00e3o aceitava a separa\u00e7\u00e3o. Depois que as agress\u00f5es come\u00e7aram, ela buscou ajuda na Justi\u00e7a e pediu medidas protetivas.<\/p>\n<p>No \u00faltimo indeferimento, 52 dias antes de Fernanda ser morta, a ju\u00edza Camila de Jesus Mello Gon\u00e7alves disse que &#8220;os elementos s\u00e3o fr\u00e1geis, haja vista a viol\u00eancia que se vislumbra na intensa disputa pela filha, desde a separa\u00e7\u00e3o, a qual n\u00e3o se confunde com viol\u00eancia baseada no g\u00eanero&#8221;. Para Dalva Limeira, tia de Fernanda, &#8220;a Justi\u00e7a sempre foi omissa com ela. H\u00e1 um calhama\u00e7o de boletins de ocorr\u00eancia e ningu\u00e9m fez nada&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Hisayasu e Felipe Resk Uma vela de sete dias ainda queimava ao lado do corpo de Mariana Marcondes, de 44 anos, quando ela foi encontrada por familiares no apartamento onde morava, no Bel\u00e9m, zona leste de S\u00e3o Paulo. 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