{"id":121425,"date":"2016-11-15T08:47:09","date_gmt":"2016-11-15T10:47:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=121425"},"modified":"2016-11-15T08:47:09","modified_gmt":"2016-11-15T10:47:09","slug":"roque-santeiro-volta-cena-em-uma-versao-musical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/roque-santeiro-volta-cena-em-uma-versao-musical\/","title":{"rendered":"Roque Santeiro volta \u00e0 cena em uma vers\u00e3o musical"},"content":{"rendered":"<p class=\"Assina\">A trajet\u00f3ria do falso her\u00f3i de guerra come\u00e7ou no palco, em 1965, passou por duas telenovelas &#8211; uma proibida pela censura, em 1975, e outra de enorme sucesso, dez anos depois &#8211; e agora volta \u00e0 cena, em uma vers\u00e3o musical. Roque Santeiro, um dos mais conhecidos t\u00edtulos criados por Dias Gomes (1922-1999), estreia no Teatro Faap no dia 27 de janeiro de 2017, seguindo um roteiro que o pr\u00f3prio autor deixou escrito como um musical. &#8220;Dias criou can\u00e7\u00f5es bel\u00edssimas, mas deixou algumas lacunas que foram compensadas com can\u00e7\u00f5es criadas especialmente por Zeca Baleiro&#8221;, conta a diretora D\u00e9bora Dubois. &#8220;E h\u00e1 tamb\u00e9m composi\u00e7\u00f5es com o toque dos dois, o que chamamos de &#8216;mesa branca&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Roque Santeiro tem uma trajet\u00f3ria t\u00e3o acidentada como bem-sucedida. Surgiu como uma pe\u00e7a de teatro, O Ber\u00e7o do Her\u00f3i, que estrearia em 1965 se n\u00e3o fosse proibida pela censura do governo militar, incomodado com a cr\u00edtica explicitamente humanista \u00e0 forma como se constroem mitos heroicos baseados em fatos reais &#8211; o texto trata da idolatria que uma pequena cidade dedica ao cabo Jorge, aclamado por ter morrido com bravura na 2 \u00aa Guerra quando, na verdade, ele fugiu do front depois de atacado por uma crise nervosa.<\/p>\n<p>Dez anos depois, em 1975, j\u00e1 consagrado como autor de telenovelas, Dias Gomes disfar\u00e7adamente adaptou a pr\u00f3pria pe\u00e7a e a transformou em Roque Santeiro, cujo primeiro cap\u00edtulo nem sequer foi exibido: naquele 27 de agosto, a Globo recebeu of\u00edcio do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), censurando a novela &#8211; o governo descobriu que a pe\u00e7a era a origem do folhetim 36 cap\u00edtulos j\u00e1 tinham sido gravados com Lima Duarte no papel de Sinhozinho Malta, amante de Porcina (Betty Faria), vi\u00fava do milagreiro Roque (Francisco Cuoco), que volta \u00e0 cidade de Asa Branca 17 anos depois de ser canonizado como um her\u00f3i morto.<\/p>\n<p>Finalmente, em 1985, j\u00e1 na fase de abertura pol\u00edtica, a novela foi exibida, agora com Regina Duarte como Porcina e Jos\u00e9 Wilker no papel de Roque Santeiro. Um sucesso retumbante, cravando em m\u00e9dia 75% da audi\u00eancia da TV. E, terminado esse trabalho, Dias Gomes deixou, segundo o produtor Edinho Rodrigues, uma vers\u00e3o em musical nunca encenada. &#8220;Buscamos deixar a pe\u00e7a mais fluente para os dias atuais, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil&#8221;, atesta D\u00e9bora Dubois. &#8220;O texto do Dias \u00e9 muito fluente e s\u00f3 conseguimos contar cerca de dez frases at\u00e9 o momento.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Na verdade, o Dias era prof\u00e9tico e sua escrita, muito atual&#8221;, observa Zeca Baleiro, \u00e0 vontade em trabalhar com adapta\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 uma volta \u00e0s origens, pois fazia isso no in\u00edcio da minha carreira&#8221;, conta ele que, ao lado de D\u00e9bora, j\u00e1 realizara A Paix\u00e3o Segundo Nelson, musical que trazia textos de Nelson Rodrigues. Para criar melodia e letra de Roque Santeiro &#8211; O Musical, Baleiro primeiro observou com aten\u00e7\u00e3o a m\u00e9trica e as met\u00e1foras elaboradas por Dias Gomes. &#8220;Como abra\u00e7ava a ideologia comunista, ele buscou inspira\u00e7\u00e3o no teatro pol\u00edtico de Bertolt Brecht e Kurt Weil, o que resultou num tom de marcha&#8221;, conta o compositor, que diversificou a sonoridade ao trazer toques de bai\u00e3o, tango e bolero ao musical. O resultado, acompanhado pelo Estado em um ensaio, revela uma grande unicidade, com can\u00e7\u00f5es que tanto projetam a prosa engajada de Dias Gomes (&#8220;o capital \u00e9 uma religi\u00e3o&#8221;, diz uma das letras) como aquelas que trazem o mel\u00f3dico tom cr\u00edtico de Baleiro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das novas can\u00e7\u00f5es, o espet\u00e1culo traz o personagem do professor Astromar, que \u00e9 apenas citado no original, mas ganhou vida na montagem atual. O elenco, ali\u00e1s, enfrenta o desafio de acrescentar toques originais a pap\u00e9is ainda vivos na mem\u00f3ria do espectador. &#8220;Fa\u00e7o uma homenagem a Lima Duarte&#8221;, conta Jarbas Homem de Mello, na pele de Sinhozinho Malta. &#8220;Ele criou um tipo muito forte e, por isso, n\u00e3o posso deixar de, ao menos uma vez, sacudir o rel\u00f3gio e as pulseiras como Lima fazia.&#8221; O famoso bord\u00e3o &#8220;t\u00f4 certo ou t\u00f4 errado?&#8221; continua, pois figura no texto original.<\/p>\n<p>Pelo mesmo caminho trilha L\u00edvia Camargo no papel de Porcina. &#8220;Tamb\u00e9m n\u00e3o posso ignorar detalhes criados pela Regina, mas o que fa\u00e7o \u00e9 deixar meu toque pessoal prevalecer&#8221;, argumenta ela que, assim como Jarbas, j\u00e1 revela um perfeito entendimento de seu personagem. O elenco ainda \u00e9 formado por grandes nomes do teatro musical como Fl\u00e1vio Tolezani (Roque), Mel Lisboa (Mocinha), Dagoberto Feliz (prefeito Florindo) e, em atua\u00e7\u00f5es que prometem ser marcantes, Luciana Carnelli (Matilde) e N\u00e1bia Vilela (Pombinha).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trajet\u00f3ria do falso her\u00f3i de guerra come\u00e7ou no palco, em 1965, passou por duas telenovelas &#8211; uma proibida pela censura, em 1975, e outra de enorme sucesso, dez anos depois &#8211; e agora volta \u00e0 cena, em uma vers\u00e3o musical. 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