{"id":122298,"date":"2016-11-26T08:18:23","date_gmt":"2016-11-26T10:18:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=122298"},"modified":"2016-11-26T08:18:23","modified_gmt":"2016-11-26T10:18:23","slug":"assedio-sexual-atinge-87-das-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/assedio-sexual-atinge-87-das-brasileiras\/","title":{"rendered":"Ass\u00e9dio sexual atinge 87% das brasileiras"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fl\u00e1via Villela<\/strong><\/p>\n<p>O ass\u00e9dio \u00e9 uma realidade para 87% das mulheres brasileiras que vivem em \u00e1reas urbanas, 16% relataram ter sido assediadas antes dos 10 anos e 55%, com 18 anos ou menos. As informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o em pesquisa da organiza\u00e7\u00e3o internacional de combate \u00e0 pobreza ActionAid no Dia Internacional pelo Fim da Viol\u00eancia Contra as Mulheres.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das brasileiras, foram ouvidas tailandesas, indianas e brit\u00e2nicas. O Brasil \u00e9 o que apresenta a maior incid\u00eancia de ass\u00e9dio entre as mulheres e tamb\u00e9m entre aquelas que sofreram ass\u00e9dio antes dos 10 anos. Foram considerados ass\u00e9dio atos indesejados, amea\u00e7adores e agressivos contra as mulheres, podendo configurar abuso verbal, f\u00edsico, sexual ou emocional.<\/p>\n<p>Para a produtora Erika Freddo, 38 anos, o fato de n\u00e3o ter sofrido ass\u00e9dio antes dos dez anos \u00e9 uma raridade. \u201c Acho que fui muito protegida quando crian\u00e7a, mas v\u00e1rias amigas j\u00e1 contaram ter sofrido quando crian\u00e7as ass\u00e9dio de amigo da fam\u00edlia, padrasto, mas, depois de adulta, o ass\u00e9dio tornou-se quase cotidiano. Hoje mesmo um cara olhou nas minhas partes \u00edntimas quando eu estava indo para a gin\u00e1stica. E a\u00ed voc\u00ea se sente culpada por estar com roupa justa\u201d, disse.<\/p>\n<p>Erika ficou traumatizada com um dos primeiros ass\u00e9dios, na adolesc\u00eancia, quando caminhava na rua sem suti\u00e3. \u201cHoje s\u00f3 uso suti\u00e3 com bojo para n\u00e3o marcar o bico do peito\u201d. M\u00e3e de uma adolescente de 15 anos, ela lamenta testemunhar o ass\u00e9dio da pr\u00f3pria filha. \u201cInfelizmente, quando ela veste um short muito curso, pe\u00e7o para tirar, n\u00e3o por ela ou porque est\u00e1 feio, mas porque sei que ela ser\u00e1 assediada e inclusive fazem isso quando ela est\u00e1 comigo. Me sinto muito mal\u201d.<\/p>\n<p>Para a assessora do Programa de Direito das Mulheres da ActionAid no Brasil, J\u00e9ssica Barbosa, \u00e9 preocupante o alto \u00edndice de ass\u00e9dios a crian\u00e7as no pa\u00eds, que revela uma propens\u00e3o da sociedade brasileira \u00e0 sexualiza\u00e7\u00e3o infantil. \u201cO patriarcado atua nesse processo de naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher e a\u00ed n\u00e3o estamos falando de homens loucos, de uma exce\u00e7\u00e3o, mas sim, do primo, do tio, do vizinho, de homens que foram ensinados a sexualizar essas crian\u00e7as desde muito cedo. Inclusive os dados mostram que a maioria dos estupradores s\u00e3o conhecidos das v\u00edtimas\u201d.<\/p>\n<p>A maioria (55%) das entrevistas disse ter sido assediada nas ruas e 23%, no ambiente de trabalho. Os assovios (65%) foram as principais formas de ass\u00e9dio relatadas pelas entrevistadas, mas coment\u00e1rios de cunho sexual ocorreram com mais da metade das mulheres (52%), seguidos de insultos (38%), persegui\u00e7\u00e3o na rua (29%), exibi\u00e7\u00f5es por parte de homens (29%) e ser tocada (20%).<\/p>\n<p>Ainda segundo o estudo, 86% das brasileiras entrevistadas afirmaram tomar alguma provid\u00eancia para se proteger das abordagens indevidas. Dentre as medidas, est\u00e3o: fazer um caminho diferente do usual (55%), evitar parques ou \u00e1reas mal iluminadas (52%), ligar ou enviar mensagem para algu\u00e9m confirmando estar bem (48%), solicitar a companhia de outra pessoa (44%), evitar transporte p\u00fablico (17%) e desistir de ir a um evento social (18%).<\/p>\n<p>A representante da ActionAid disse que melhorar a seguran\u00e7a dos espa\u00e7os p\u00fablicos, com mais ilumina\u00e7\u00e3o, policiamento, melhores meios de transporte, diminui a vulnerabilidade das mulheres nas rua. \u201cPrecisamos garantir o acesso da mulher \u00e0 cidade e desnaturalizar a viol\u00eancia. Estamos falando de mulheres que deixam de usufruir da cidade, de servi\u00e7os p\u00fablicos, que deixam de viver todas as suas liberdades e potencialidades pelo medo do ass\u00e9dio e da viol\u00eancia\u201d, disse J\u00e9ssica.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita online no per\u00edodo entre 1\u00ba e 14 de novembro e ouviu 2.236 mulheres: 1.038 na Gr\u00e3-Bretanha, 502 no Brasil, 496 na Tail\u00e2ndia e 200 na \u00cdndia. Os n\u00fameros foram ponderados e s\u00e3o representativos de todas as mulheres maiores de idade na Gr\u00e3-Bretanha, todas as mulheres online na Tail\u00e2ndia e toda a popula\u00e7\u00e3o urbana feminina de Brasil e \u00cdndia.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fl\u00e1via Villela O ass\u00e9dio \u00e9 uma realidade para 87% das mulheres brasileiras que vivem em \u00e1reas urbanas, 16% relataram ter sido assediadas antes dos 10 anos e 55%, com 18 anos ou menos. 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