{"id":122673,"date":"2016-11-30T11:30:52","date_gmt":"2016-11-30T13:30:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=122673"},"modified":"2016-11-30T11:30:52","modified_gmt":"2016-11-30T13:30:52","slug":"um-documentario-sim-que-vale-pena-ser-visto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/um-documentario-sim-que-vale-pena-ser-visto\/","title":{"rendered":"Um document\u00e1rio, sim, que vale a pena ser visto"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Pedro Antunes<\/strong><\/h6>\n<p>Sete meses haviam se passado da maior trag\u00e9dia da vida de Nick Cave e a c\u00e2mera j\u00e1 estava diante do seu rosto de novo. O desconforto. A dor. O desamparo. Tudo ainda estava ali. O luto pela perda do filho Arthur, morto ao cair de um desfiladeiro em julho do ano passado, ainda era escancarado. E duro demais.<\/p>\n<p>Chamado pelo pr\u00f3prio artista, o diretor Andrew Dominik foi o respons\u00e1vel por segurar a c\u00e2mera (em muitas cenas, uma m\u00e1quina capaz de filmar em 3D e preto e branco) mesmo quando o respeito pela dor do amigo Cave lhe pedia para interromper o registro das imagens. Registrou, com depoimentos e imagens da banda no est\u00fadio, a grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum Skeleton Tree, o d\u00e9cimo sexto do Nick Cave and the Bad Seeds.<\/p>\n<p>Um disco do qual escorrem as l\u00e1grimas de um pai que perdeu o filho, tentando encontrar um pouco de luz entre tanta escurid\u00e3o. Disso, nasceu tamb\u00e9m One More Time With Feeling, o retrato das cinzas de um artista em meio ao processo criativo daquele que, provavelmente, \u00e9 mais visceral da sua vida.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio \u00e9 uma das atra\u00e7\u00f5es da Mostra Audiovisual da SIM, como \u00e9 conhecida a Semana Internacional da M\u00fasica de S\u00e3o Paulo, realizada entre os dias 7 e 11 de dezembro, em diferentes pontos espalhados pela cidade. One More Time With Feeling ser\u00e1 exibido nos dias 10 e 11, no Caixa Belas Artes. A Mostra ainda inclui os document\u00e1rios Oasis: Supersonic, aguardada hist\u00f3ria sobre a banda de britpop de Manchester, e Xingu Cariri Caruaru Carioca.<\/p>\n<p>Nick Cave n\u00e3o gostou de se assistir na tela em One More Time With Feeling, document\u00e1rio que registra as grava\u00e7\u00f5es de Skeleton Tree, o d\u00e9cimo sexto disco dele ao lado da banda Bad Seeds. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 com a pr\u00f3pria imagem ou com a exposi\u00e7\u00e3o de um artista em seu momento m\u00e1ximo de cria\u00e7\u00e3o mostradas no longa-metragem do diretor neozeland\u00eas Andrew Dominik. A experi\u00eancia nem sequer era uma novidade, j\u00e1 que o \u00f3timo 20,000 Days on Earth, de 2014, tamb\u00e9m propunha essa mesma viagem pelo universo art\u00edstico de Cave enquanto gravava o \u00e1lbum Push the Sky Away.<\/p>\n<p>No filme, que far\u00e1 seu debute em territ\u00f3rio brasileiro como parte da Mostra Audiovisual da Semana Internacional de M\u00fasica de S\u00e3o Paulo, mais conhecida como SIM, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o artista. \u00c9 um homem ali. Quebrado. Mais homem do que artista.<\/p>\n<p>&#8220;Ele n\u00e3o gostou muito da segunda metade do filme&#8221;, conta o diretor do document\u00e1rio. &#8220;\u00c9 quando ele come\u00e7a a falar (sobre as quest\u00f5es que envolviam o luto e a dor que sentia pela morte do filho, Arthur, aos 15 anos). Aquilo foi muito pesado para ele. E foi poss\u00edvel ver na rea\u00e7\u00e3o inicial dele, que n\u00e3o havia gostado. Em contrapartida, a mulher dele, Susie (Bick) gostou do que viu &#8221;<\/p>\n<p>Foi Andrew Dominik, cujo curr\u00edculo nas telonas inclui a dire\u00e7\u00e3o dos filmes O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e O Homem da M\u00e1fia, ambos com Brad Pitt, quem ligou para Cave. Um amigo cineasta gostaria de convidar o m\u00fasico para criar alguns temas para um filme que estava produzindo. Em dezembro do ano passado, Cave rebateu com a ideia de chamar o velho conhecido Dominik para acompanhar as grava\u00e7\u00f5es do novo disco em tr\u00eas meses, a partir de fevereiro.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Cave j\u00e1 havia criado pouco mais da metade das oito m\u00fasicas que comp\u00f5em o melanc\u00f3lico Skeleton Tree &#8211; can\u00e7\u00f5es como Jesus Alone e I Need You, principalmente, s\u00e3o completamente contraindicadas para aqueles que passam por rompimentos abruptos<\/p>\n<p>&#8220;A ideia era que o filme fosse um show de Nick e da banda, algo que fosse transmitido ao vivo, em diferentes cinemas do mudo todo&#8221;, explica Dominik. A ideia logo caiu por terra.<\/p>\n<p>Cave n\u00e3o queria ter essa press\u00e3o sobre seus ombros &#8211; ter um show transmitido ao vivo para todo o mundo, em potentes salas de cinema. E isso ainda n\u00e3o resolveria o outro problema. O m\u00fasico se preocupava com a promo\u00e7\u00e3o do disco que criava. Eram temas intrinsecamente ligados \u00e0 perda do filho e conversar sobre eles, mesmo tempos depois, seria penoso. O filme mostraria o processo. Tudo o que o p\u00fablico e a imprensa precisassem saber estaria ali.<\/p>\n<p>E est\u00e1. Provavelmente de uma forma jamais vista. \u00c9 poss\u00edvel sentir o que o diretor chama de &#8220;elefante no meio da sala que todos fingem n\u00e3o ver&#8221;. A morte do filho de Cave paira por todos momentos do document\u00e1rio. E, por vezes, \u00e9 imposs\u00edvel fingir que ela n\u00e3o existe. &#8220;Como amigo de Nick, n\u00e3o o colocaria em uma posi\u00e7\u00e3o na qual ele devesse falar sobre isso tudo&#8221;, conta Dominik. &#8220;Mas ele n\u00e3o me queria ali como um amigo, como algu\u00e9m pr\u00f3ximo. Ele queria que eu fosse diretor. E n\u00e3o tivesse medo de falar sobre isso.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Antunes Sete meses haviam se passado da maior trag\u00e9dia da vida de Nick Cave e a c\u00e2mera j\u00e1 estava diante do seu rosto de novo. O desconforto. A dor. O desamparo. Tudo ainda estava ali. 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