{"id":122729,"date":"2016-12-01T07:43:35","date_gmt":"2016-12-01T09:43:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=122729"},"modified":"2016-12-01T07:43:35","modified_gmt":"2016-12-01T09:43:35","slug":"revisitando-o-blues-que-uniu-mick-jagger-e-keith-richards","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/revisitando-o-blues-que-uniu-mick-jagger-e-keith-richards\/","title":{"rendered":"Revisitando o blues que uniu Mick Jagger e Keith Richards"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Pedro Antunes<\/strong><\/h6>\n<p>Com uma guitarra nas costas, o garoto de 17 anos viu, naquela esta\u00e7\u00e3o de trem de Dartford, cidade no extremo leste da Grande Londres, outro rapaz com dois discos debaixo do bra\u00e7o. Keith Richards ficou encantado com os \u00e1lbuns que Mick Jagger, aos 18, levava consigo.<\/p>\n<p>Rockin&#8217; at the Hops, de Chuck Berry, havia sido lan\u00e7ado em 1960, um ano antes daquele encontro. O outro era uma colet\u00e2nea de Muddy Waters, o pai do Chicago Blues, subg\u00eanero nascido do Delta Blues com a adi\u00e7\u00e3o da eletricidade das guitarras e baixos, piano e at\u00e9 instrumentos de sopro.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 novidade. Assim nasceu uma das maiores parcerias da hist\u00f3ria da m\u00fasica e uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Tudo pelo blues daquele sul de Chicago impresso naqueles dois discos. Cinquenta e cinco anos ap\u00f3s aquele encontro, depois de tantas pedras rolarem pela hist\u00f3ria daqueles dois, a voz de Jagger e a guitarra de Richards se encontram no mais puro blues.<\/p>\n<p>Nasceu, de forma despretensiosa, Blue &amp; Lonesome, o novo disco dos Rolling Stones, o primeiro em 11 anos, desde A Bigger Bang. O \u00e1lbum chega ao mundo todo nesta sexta-feira, 2. A ideia era criar um \u00e1lbum com m\u00fasicas in\u00e9ditas, tal qual o antecessor, respons\u00e1vel por trazer a banda em turn\u00ea para aquele que foi o maior show da carreira deles, na praia de Copacabana, para 2 milh\u00f5es de pessoas. A grandiosidade das can\u00e7\u00f5es para multid\u00f5es se apequenou. No lugar das novas can\u00e7\u00f5es, as velharias empoeiradas. Ao enfrentarem o monstro que \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o, optaram por relaxar com um ou outro blues que formam a pedra fundamental da identidade sonora dos Stones.<\/p>\n<p>A primeira testada foi Blue and Lonesome, de Memphis Slim e popularizada por Little Walter, sugerida por Richards. Aos poucos, as articula\u00e7\u00f5es das m\u00e3os do guitarrista j\u00e1 gastas pelos anos voltavam a desenhar pelo bra\u00e7o do instrumento que o acompanha h\u00e1 quase seis d\u00e9cadas. &#8220;Vamos fazer agora um Howlin\u2019 Wolf?&#8221;, sugeriu Richards, na sequ\u00eancia. A experi\u00eancia de tocar um blues para soltar cabe\u00e7a e corpo para as novas composi\u00e7\u00f5es foi mais do que um escape.<\/p>\n<p>Em Blue &amp; Lonesome, Jagger e Richards prestam uma devida e bonita homenagem por inteiro para o g\u00eanero que os uniu. Em meio a tanto acaso, tantos trens e plataformas pelas quais eles poderiam passar, se trombaram naquela manh\u00e3 de outubro de 1961 para mudar o rumo da hist\u00f3ria. E se o blues n\u00e3o estivesse ali, na guitarra de um e nos discos do outro, a hist\u00f3ria seria outra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Antunes Com uma guitarra nas costas, o garoto de 17 anos viu, naquela esta\u00e7\u00e3o de trem de Dartford, cidade no extremo leste da Grande Londres, outro rapaz com dois discos debaixo do bra\u00e7o. Keith Richards ficou encantado com os \u00e1lbuns que Mick Jagger, aos 18, levava consigo. 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