{"id":122961,"date":"2016-12-04T12:37:20","date_gmt":"2016-12-04T14:37:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=122961"},"modified":"2016-12-05T02:11:27","modified_gmt":"2016-12-05T04:11:27","slug":"ferreira-gullar-flutua-no-ceu-bem-acima-do-chao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ferreira-gullar-flutua-no-ceu-bem-acima-do-chao\/","title":{"rendered":"Ferreira Gullar flutua no C\u00e9u, bem acima do ch\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O escritor, poeta e teatr\u00f3logo Ferreira Gullar morreu na manh\u00e3 deste domingo, 4, no Rio de Janeiro, aos 86 anos. Gullar estava internado no Hospital Copa D&#8217;Or, na Zona Sul do Rio com um quadro de insufici\u00eancia respirat\u00f3ria e pneumonia, apontada como a causa da morte. Ainda n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre o vel\u00f3rio<\/p>\n<p>Um dos mais importantes literatos da hist\u00f3ria da literatura brasileira, Ferreira Gullar passeou por v\u00e1rios campos da express\u00e3o po\u00e9tica, liter\u00e1ria e cr\u00edtica, quase sempre com um forte tom pol\u00edtico. Avesso a rotula\u00e7\u00f5es bin\u00e1rias, usualmente se colocava no sentido contr\u00e1rio ao do poder em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Seu primeiro livro, depois renegado pelo autor, foi Um Pouco Acima do Ch\u00e3o, em uma edi\u00e7\u00e3o de autor em 1949. Cinco anos depois, veio A Luta Corporal, este j\u00e1 com os primeiros esbo\u00e7os da poesia esteticamente ambiciosa em que ele trabalharia incansavelmente at\u00e9 Em Alguma Parte Alguma e Bananas Podres, dois de seus livros mais recentes.<\/p>\n<p>Ele estava com os irm\u00e3os Augusto e Haroldo de Campos na Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de Arte Concreta, em 1956, considerada o marco inicial do movimento concretista, express\u00e3o po\u00e9tica fundamental do s\u00e9culo 20. Por\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o foi breve: em fevereiro do ano seguinte, Gullar publicou um artigo no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil questionando as teses do movimento, e o rompimento viria em seguida.<\/p>\n<p>A disputa entre &#8220;concretos&#8221; e &#8220;neoconcretos&#8221; sempre ocupou um campo mais ou menos nebuloso entre a intelectualidade, mas os ecos, que influenciaram muitas das express\u00f5es art\u00edsticas nacionais desde os anos 1960, chegaram at\u00e9 2015, quando Augusto de Campos e Ferreira Gullar trocaram cartas agressivas pelo jornal Folha de S. Paulo.<\/p>\n<p>Em 1976, ele lan\u00e7ou seu trabalho mais c\u00e9lebre, o Poema Sujo &#8211; cem p\u00e1ginas de poesia na sua mais alta expressividade pol\u00edtica. S\u00edmbolo de resist\u00eancia \u00e0 ditadura, o poema chegou aos brasileiros primeiro por uma fita que pertencia a Vinicius de Moraes, trazida de Buenos Aires, onde Gullar estava exilado.<\/p>\n<p>Colecionador de pr\u00eamios, Gullar venceu o Machado de Assis da Biblioteca Nacional em 2005, e o Cam\u00f5es, o mais importante da l\u00edngua portuguesa no mundo, em 2010. Era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2014 &#8211; depois de anos dizendo que n\u00e3o aceitaria esta honraria.<\/p>\n<p>Ele nasceu em S\u00e3o Lu\u00eds (MA), em 10 de setembro de 1930, como Jos\u00e9 Ribamar Ferreira. Gullar deixa a esposa, dois filhos e oito netos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor, poeta e teatr\u00f3logo Ferreira Gullar morreu na manh\u00e3 deste domingo, 4, no Rio de Janeiro, aos 86 anos. 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