{"id":124069,"date":"2016-12-18T06:19:13","date_gmt":"2016-12-18T08:19:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=124069"},"modified":"2016-12-18T06:19:13","modified_gmt":"2016-12-18T08:19:13","slug":"nelida-pinon-e-basta-lida-palavra-da-propria-nelida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nelida-pinon-e-basta-lida-palavra-da-propria-nelida\/","title":{"rendered":"N\u00e9lida Pi\u00f1on \u00e9 basta lida. Palavra da pr\u00f3pria N\u00e9lida"},"content":{"rendered":"<p><strong>Amilton Pinheiro<\/strong><\/p>\n<p>A entrevista por telefone com a escritora N\u00e9lida Pi\u00f1on estava marcada para as 10h. E no hor\u00e1rio combinado, a reportagem ligou para sua casa. Ela atendeu e foi logo elogiando a pontualidade. &#8220;Eu sou escandalosamente pontual&#8221;, falou do outro lado da linha e, antes de cair na gargalhada, alertou: &#8220;Eu sou de falar demais, prepare-se&#8221;.<\/p>\n<p>E, de fato, foi uma conversa bastante generosa no tempo gasto, quase duas horas e principalmente na diversidade dos assuntos abordados. Ela n\u00e3o declinou em responder a nenhuma pergunta, inclusive sobre um assunto delicado, o fato de ser uma escritora pouco lida. &#8220;Essa observa\u00e7\u00e3o \u00e9 injusta, desculpe a franqueza. Se voc\u00ea me fala isso \u00e9 como estivesse me rubricando de forma negativa. Acho que n\u00e3o deve ser falada, porque n\u00e3o corresponde \u00e0 verdade&#8221;, contesta ela de forma veemente.<\/p>\n<p>N\u00e9lida est\u00e1 lan\u00e7ando Filhos da Am\u00e9rica (editora Record), livro com 28 ensaios, dois deles dedicados ao escritor que ela nunca deixou de ler e de escrever a respeito; Machado de Assis. &#8220;Ele \u00e9 uma raridade, porque \u00e9 o primeiro escritor das Am\u00e9ricas, dos filhos da Am\u00e9rica, a abordar o urbano. E o que \u00e9 o urbano para ele? \u00c9 uma met\u00e1fora do Brasil, como ele entendia o Pa\u00eds, e que estava concentrado na cidade do Rio&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A estreia de N\u00e9lida nas letras foi em 1961, com o romance Guia-Mapa de Gabriel Arcanjo, como ela mesma frisou na entrevista, n\u00e3o foi um come\u00e7o cl\u00e1ssico para quem se inicia no of\u00edcio. &#8220;Eu aprendi, tenho aprendido, a cruzar v\u00e1rios g\u00eaneros. Sou uma escritora que n\u00e3o come\u00e7ou com um livro de contos, como \u00e9 usual, mas com um caudaloso romance, Guia-Mapa de Gabriel Arcanjo.&#8221;<\/p>\n<p>Esse cruzamento de g\u00eaneros \u00e9 uma marca nos seus livros, mesmo os de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o como \u00e9 o caso do mais recente, Filhos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Num dos ensaios dedicados ao Bruxo do Cosme Velho: A P\u00f3lis de Machado de Assis, apesar dos elementos ensa\u00edsticos, toda a narrativa \u00e9 constru\u00edda de forma quase ficcional, como se a inven\u00e7\u00e3o conduzisse os fatos reais narrados. &#8220;Eu tamb\u00e9m acho que minha n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o \u00e9 envolvida de inven\u00e7\u00e3o, melhor dizendo, acho que tudo \u00e9 inven\u00e7\u00e3o. Nesse ensaio tenho que imaginar como Machado inventou a cidade, como ele olhava para a cidade do Rio&#8221;, explica.<\/p>\n<p>N\u00e9lida Pi\u00f1on, que foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, acha que as mulheres de hoje, que falam sobre empoderamento feminino, esquecem de citar as conquistas coletivas. &#8220;N\u00e3o se pode esquecer delas, j\u00e1 que ajudaram a sedimentar esse tal empoderamento, sobre o qual n\u00e3o me atrevo a falar porque n\u00e3o domino.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amilton Pinheiro A entrevista por telefone com a escritora N\u00e9lida Pi\u00f1on estava marcada para as 10h. E no hor\u00e1rio combinado, a reportagem ligou para sua casa. 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