{"id":124080,"date":"2016-12-18T09:08:51","date_gmt":"2016-12-18T11:08:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=124080"},"modified":"2016-12-18T09:10:52","modified_gmt":"2016-12-18T11:10:52","slug":"crise-tira-1-trilhao-da-economia-e-aprofunda-recessao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/crise-tira-1-trilhao-da-economia-e-aprofunda-recessao\/","title":{"rendered":"Crise tira 1 trilh\u00e3o da economia e aprofunda recess\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alexa Salom\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 12 meses, cerca de R$ 1 trilh\u00e3o deixou de circular na economia brasileira. Essa montanha de dinheiro equivale aos cr\u00e9ditos banc\u00e1rios que foram sendo pagos pelos devedores e n\u00e3o retornaram ao mercado na forma de novos empr\u00e9stimos, bem como \u00e0 expans\u00e3o natural do mercado, que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>Isso significa uma queda de 25% em rela\u00e7\u00e3o ao que deveria estar circulando se a economia estivesse operando em n\u00edveis &#8220;normais&#8221;. O volume de cr\u00e9dito banc\u00e1rio que gira na economia hoje \u00e9 equivalente ao dispon\u00edvel em 2012. Para os especialistas, isso mostra que o Brasil vive uma &#8220;crise de cr\u00e9dito&#8221; e n\u00e3o sair\u00e1 da recess\u00e3o se esse n\u00f3 n\u00e3o for desatado.<\/p>\n<p>O levantamento foi feito pela gestora de recursos Rio Bravo Investimentos, com base nas varia\u00e7\u00f5es do estoque de cr\u00e9dito monitorado e divulgado pelo Banco Central. O curioso \u00e9 saber o que motivou o levantamento. O economista da Rio Bravo, Evandro Buccini, ficou incomodado porque os indicadores de confian\u00e7a na economia permaneciam otimistas, mas os \u00edndices sobre a situa\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o melhoravam. E pior: a recess\u00e3o se aprofundava. &#8220;Fomos checar as componentes do nosso modelo, que tra\u00e7a cen\u00e1rios, e nos deparamos com essa queda no cr\u00e9dito. Est\u00e1 explicado: sem cr\u00e9dito, sem dinheiro, a economia n\u00e3o vai mesmo reagir&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo Buccini, a partir desse dado, fica mais claro que, apesar de Uni\u00e3o, Estados e munic\u00edpios estarem com s\u00e9rios problemas nas contas p\u00fablicas, que precisam ser sanados, o fiscal n\u00e3o \u00e9 cerne da recess\u00e3o. O que vem corroendo a economia \u00e9 o que a literatura econ\u00f4mica chama de &#8220;credit crunch&#8221;, crise de cr\u00e9dito. No caso do Brasil, originada e realimentada pela explos\u00e3o das d\u00edvidas.<\/p>\n<p>A economista Zeina Latif, da XP investimentos, h\u00e1 meses alertava para essa quest\u00e3o e lembra que o enrosco tem duas pontas. De um lado est\u00e3o devedores enforcados. Cerca de 22% do or\u00e7amento familiar est\u00e1 comprometido com o pagamento de juros de d\u00edvidas e praticamente metade das empresas tem gera\u00e7\u00e3o de caixa inferior \u00e0s suas despesas financeiras. Ou seja: os tomadores de cr\u00e9dito precisam digerir altas concentra\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas. De outro lado est\u00e3o os bancos, que j\u00e1 renegociaram d\u00e9bitos, ainda temem o calote e n\u00e3o querem &#8211; nem podem &#8211; correr o risco de emprestar mais em meio a uma recess\u00e3o sem prazo para terminar. Trata-se exatamente do que parece ser: um c\u00edrculo vicioso, que s\u00f3 vai se encerrar com o pagamento das d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Quando Zeina falou na primeira reuni\u00e3o do Conselh\u00e3o, em Bras\u00edlia, que a &#8220;lua de mel&#8221; com o mercado estava em risco, e o governo precisava ser mais \u00e1gil para reanimar a economia, tratava, em parte, dessa quest\u00e3o. &#8220;Apesar de o fiscal exigir aten\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m temos uma crise de cr\u00e9dito que pode at\u00e9 evoluir para risco de insolv\u00eancia (termo financeiro que significa risco de os devedores darem calote)&#8221;, diz ela. O minipacote anunciado na semana passada, se for efetivado, pode dar al\u00edvio, mas est\u00e1 longe de resolver o problema, diz Zeina.<\/p>\n<p><strong>Tempo<\/strong> &#8211; Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington, dedicou um recente artigo no Estado sobre o tema e refor\u00e7a: &#8220;O diagn\u00f3stico sobre as causas da recess\u00e3o estava errado: o Brasil sofre com uma crise de cr\u00e9dito. Todos est\u00e3o muito endividados: fam\u00edlias, empresas, munic\u00edpios, Estados e, inclusive, a Uni\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Ela lembra que o tempo de digest\u00e3o de altas concentra\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas pode ser longo e penoso. O que acelera o al\u00edvio \u00e9 uma eventual interven\u00e7\u00e3o dos governos. Guardando-se as devidas propor\u00e7\u00f5es, Monica lembra que os Estados Unidos viveram um &#8220;credit crunch&#8221; com o estouro da bolha imobili\u00e1ria, em 2008. A diferen\u00e7a \u00e9 que l\u00e1 os bancos foram arrastados, o que n\u00e3o ocorreu aqui, pelo menos at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Para sair dela, o governo americano gastou US$ 850 bilh\u00f5es para socorrer bancos e empresas, mais US$ 4 trilh\u00f5es com o &#8220;quantitative easing&#8221;, programa de aquisi\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos soberanos lastreados em hipotecas, e derrubou o juro a 0,25% &#8211; at\u00e9 a semana passada. A economia americana agora entra nos eixos &#8211; oito anos e US$ 5 trilh\u00f5es depois. &#8220;Sem chance de o Brasil, neste momento, fazer algo minimamente parecido&#8221;, diz M\u00f4nica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexa Salom\u00e3o Nos \u00faltimos 12 meses, cerca de R$ 1 trilh\u00e3o deixou de circular na economia brasileira. Essa montanha de dinheiro equivale aos cr\u00e9ditos banc\u00e1rios que foram sendo pagos pelos devedores e n\u00e3o retornaram ao mercado na forma de novos empr\u00e9stimos, bem como \u00e0 expans\u00e3o natural do mercado, que n\u00e3o ocorreu. Isso significa uma queda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124081,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-124080","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124080"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124080\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":124084,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124080\/revisions\/124084"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}