{"id":124563,"date":"2016-12-25T10:25:49","date_gmt":"2016-12-25T12:25:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=124563"},"modified":"2016-12-25T10:25:49","modified_gmt":"2016-12-25T12:25:49","slug":"2016-o-ano-do-bem-e-do-mal-esta-mesmo-acabando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/2016-o-ano-do-bem-e-do-mal-esta-mesmo-acabando\/","title":{"rendered":"2016, o ano do bem e do mal, est\u00e1 mesmo acabando?"},"content":{"rendered":"<p>Estamos no ano que n\u00e3o acaba nunca.&#8221; A frase do economista Jos\u00e9 Roberto Mendon\u00e7a de Barros, resume o sentimento do brasileiro. O ano de 2016 concentrou tantos eventos mirabolantes &#8211; para o bem e para o mal &#8211; que exauriu a capacidade de assimila\u00e7\u00e3o at\u00e9 dos pensadores mais afiados.<\/p>\n<p>Na largada, prometia ser o ano da virada, mas termina na maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria. Foi o ano de salto nos pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judiciais entre empresas e de acelerado empobrecimento das fam\u00edlia. As vendas despencaram. Tivemos o pior Dia das Crian\u00e7as em tr\u00eas anos, a pior P\u00e1scoa em 10, o pior Dia das M\u00e3es em 13. O n\u00famero de desempregados \u00e9 in\u00e9dito: 18 milh\u00f5es, somando esperan\u00e7osos de encontrar uma vaga e desalentados que desistiram dela.<\/p>\n<p>Na esfera pol\u00edtica, foi o ano do segundo impeachment desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o. Como quem deve trocar pneu furado com o carro andando, a nova equipe econ\u00f4mica tenta, no meio da crise, deter o d\u00e9ficit nas contas da Uni\u00e3o, estancar o avan\u00e7o da calamidade financeira nos Estados e a explos\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m uma fase de estonteantes den\u00fancias. Na franja mais prom\u00edscua entre p\u00fablico e privado, a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato encerrou o seu terceiro ano com 120 condena\u00e7\u00f5es. Em breve se torna p\u00fablica e oficial a &#8220;dela\u00e7\u00e3o do fim do mundo&#8221;, que levou o grupo Odebrecht a assumir a maior multa da hist\u00f3ria por pagamento de propinas. J\u00e1 se sabe que suas 77 dela\u00e7\u00f5es mancham o governo e o Congresso &#8211; os mesmos entes que devem levar adiante o duro ajuste fiscal e reformas pol\u00eamicas.<\/p>\n<p><b>Convic\u00e7\u00f5es &#8211;\u00a0<\/b>Desse ano que &#8220;n\u00e3o tem fim&#8221;, Mendon\u00e7a de Barros extraiu duas convic\u00e7\u00f5es: &#8220;H\u00e1 uma gigantesca rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de ganhar e exercer o poder. E a crise econ\u00f4mica se mostra mais dura do que se imaginava&#8221;. O desafio \u00e9 equilibrar as demandas, sem que uma n\u00e3o esfacele a outra. Talvez uma alternativa esteja na vis\u00e3o de Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central: &#8220;A responsabilidade fiscal \u00e9 a primeira provid\u00eancia para o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em seu diagn\u00f3stico, o cientista pol\u00edtico americano Albert Fishlow argumenta que essas tarefas s\u00e3o desafiadoras, porque implicam em reformas econ\u00f4micas &#8211; como a da Previd\u00eancia &#8211; e pol\u00edticas &#8211; como a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de partidos -, sem a penaliza\u00e7\u00e3o dos mais pobres: &#8220;As necessidades s\u00e3o extraordinariamente numerosas, enquanto as maneiras de supri-las s\u00e3o escassas&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Junte-se \u00e0 equa\u00e7\u00e3o o fato de o Pa\u00eds ser uma democracia, aberta ao debate, e que as medidas n\u00e3o s\u00e3o unanimidades. A proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o que limita as despesa, a PEC do Teto dos Gastos, j\u00e1 vale em 2017, mas atrai diverg\u00eancias. &#8220;Mesmo que ocorram reformas amplas nos gastos obrigat\u00f3rios, o limite proposto gerar\u00e1 uma queda real do gasto social per capita. Em um Pa\u00eds com a demanda crescente por servi\u00e7os p\u00fablicos, \u00e9 um retrocesso&#8221;, diz o ex-ministro Nelson Barbosa. A reforma da Previd\u00eancia, vital para o teto e ainda em tramita\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais controversa . &#8220;O governo argumenta que se n\u00e3o aprovada, vai estourar a Previd\u00eancia. N\u00e3o apresenta, no entanto, os dados, premissas e mem\u00f3ria de c\u00e1lculo que deveriam embasar essa amea\u00e7a&#8221;, diz o economista Amir Khair.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda o ambiente externo intrincado, principalmente a partir da elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump \u00e0 presid\u00eancia dos EUA. &#8220;Trump muda tudo. A \u00fanica quest\u00e3o \u00e9 em que dire\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Barry Eichengreen, professor da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley. Juntando os cen\u00e1rios interno e externo, M\u00e1rio Mesquita, economista-chefe do Ita\u00fa, refor\u00e7a que h\u00e1 muito trabalho pela frente: &#8220;Terminamos 2016 com perspectivas melhores, gra\u00e7as a nova equipe econ\u00f4mica, mas longe do que desejamos e do que o Pa\u00eds merece &#8220;As distor\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas s\u00e3o imensas e demandam tempo para serem resolvidas, como explica Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central.<\/p>\n<p>&#8220;O retorno dos super\u00e1vits prim\u00e1rios somente ocorrer\u00e1 com a eleva\u00e7\u00e3o das receitas vindas da retomada do crescimento, mas isto n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil&#8221;, diz ele. Pior. O cen\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o incerto que ainda pode faltar &#8220;margem ao governo para impedir a continuidade da recess\u00e3o&#8221;, diz a economista Monica de Bolle.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos no ano que n\u00e3o acaba nunca.&#8221; A frase do economista Jos\u00e9 Roberto Mendon\u00e7a de Barros, resume o sentimento do brasileiro. O ano de 2016 concentrou tantos eventos mirabolantes &#8211; para o bem e para o mal &#8211; que exauriu a capacidade de assimila\u00e7\u00e3o at\u00e9 dos pensadores mais afiados. Na largada, prometia ser o ano [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124564,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-124563","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124563"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124563\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":124565,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124563\/revisions\/124565"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}