{"id":125057,"date":"2017-01-02T06:25:34","date_gmt":"2017-01-02T08:25:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=125057"},"modified":"2017-01-02T06:25:34","modified_gmt":"2017-01-02T08:25:34","slug":"poemas-de-herberto-chegam-pela-tinta-da-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/poemas-de-herberto-chegam-pela-tinta-da-china\/","title":{"rendered":"Poemas de Herberto chegam pela Tinta-da-China"},"content":{"rendered":"<p><strong>Guilherme Sobota<\/strong><\/p>\n<p>Dono de uma l\u00edrica derivada do surrealismo e considerado um dos poetas mais importantes do s\u00e9culo 20 em Portugal, Herberto Helder (1930-2015) ganhou recentemente uma edi\u00e7\u00e3o brasileira de seus Poemas Completos, a \u201c\u00faltima e mais completa\u201d antologia organizada pelo autor, em 2014, pela Tinta-da-China.<\/p>\n<p>Com sua voz poderosa, colorida por imagens quase m\u00e1gicas sobre o corpo, o amor e a morte, Helder \u2013 um escritor recluso, que n\u00e3o compartilhava sua vida pessoal com os leitores e recusou pr\u00eamios importantes \u2013 gozou de reconhecimento cr\u00edtico em Portugal desde A Colher na Boca, de 1961, e nos \u00faltimos 50 anos consolidou, com alguns intervalos, uma extensa obra po\u00e9tica que lhe colou o ep\u00edteto de \u201cpoeta portugu\u00eas mais importante desde Fernando Pessoa\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, a repercuss\u00e3o da obra po\u00e9tica de Helder \u00e9 um pouco mais t\u00edmida, mas ele \u00e9 lido e amplamente admirado por escritores e acad\u00eamicos pelo menos desde a \u00e9poca de 1980.<\/p>\n<p>\u201cA po\u00e9tica de Herberto remonta a uma liberdade surrealista na constru\u00e7\u00e3o das imagens e a uma vis\u00e3o crente no poder m\u00e1gico das palavras \u2013 linhagem essa que \u00e9 um tanto rara nas p\u00e1ginas da poesia brasileira\u201d, diz o professor do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, Fernando Paix\u00e3o.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre o real imediato, um amor muito puro pelas coisas do universo e a considera\u00e7\u00e3o carnal do corpo humano constitui, para o ensa\u00edsta e poeta Luis Maffei, professor da Universidade Federal Fluminense, um \u201cbrilho excessivo\u201d que talvez n\u00e3o facilite a divulga\u00e7\u00e3o da sua poesia por aqui.<\/p>\n<p>\u201cEste brilho n\u00e3o deixa de se abrir a uma rela\u00e7\u00e3o radical com a morte \u2013 por vezes fascinada, por vezes, desesperada, mas sempre explosiva, como um encontro estelar. Este r\u00e9quiem gozoso que se faz numa esp\u00e9cie de poema \u00fanico n\u00e3o \u00e9 comum por aqui, ainda que alguns poetas brasileiros possam ter afinidades com obsess\u00f5es herbertianas \u2013 penso em Murilo Mendes e Hilda Hist, por exemplo, pela celebra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o raro in extremis, do corpo\u201d, explica Maffei \u2013 sua tese de doutorado, modificada e com elementos novos, sair\u00e1 em maio de 2017 pela Azougue, intitulada Do Mundo de Herberto Helder.<\/p>\n<p>Na poesia contempor\u00e2nea brasileira, essa influ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vis\u00edvel, na opini\u00e3o da professora de literatura portuguesa da Universidade Federal do Par\u00e1 e especialista na obra de Herberto Helder, Izabela Leal.<\/p>\n<p>\u201cO que podemos associar \u00e0 sua escrita \u00e9 a ideia de uma po\u00e9tica corporal, resultante de um processo que \u00e9 muito mais org\u00e2nico do que intelectual. A po\u00e9tica herbertiana soube dar a essa concep\u00e7\u00e3o um tom muito pr\u00f3prio, uma delicada mistura, no fundo nada delicada (risos), entre erotismo, viol\u00eancia e celebra\u00e7\u00e3o do ato criador, e \u00e9 esse tom que vejo presente em muitos poetas mais novos.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos Poemas Completos, o bra\u00e7o brasileiro da editora Tinta-da-China publicou em 2016 por aqui Os Passos em Volta, livro em prosa, coisa rara na produ\u00e7\u00e3o de Herberto Helder. Entre edi\u00e7\u00f5es antigas de seus livros no Pa\u00eds, pode-se citar Ou o Poema Cont\u00ednuo, publicado em 2006 pela editora Girafa, a antologia o Corpo o Luxo a Obra, pela Iluminuras, e uma edi\u00e7\u00e3o anterior de Os Passos em Volta pela Azougue, todas esgotadas nas livrarias e raridades nos sebos.<\/p>\n<p>Nascido na Ilha da Madeira em 1930, Herberto Helder publicou seus primeiros poemas em revistas locais no in\u00edcio dos anos 1950, e durante suas peregrina\u00e7\u00f5es pela Europa foi metal\u00fargico, funcion\u00e1rio de cervejaria, assistente de cozinha, bibliotec\u00e1rio, radialista, jornalista. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas de vida, se estabeleceu em Cascais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um poeta intensamente moderno e experimental, com voz e imagina\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias, mas que nos coloca em contato com temas arcaicos e essenciais: o amor, a natureza, o corpo, a m\u00e3e\u201d, diz Fernando Paix\u00e3o. \u201cO mundo arcaico, bem sabemos, est\u00e1 na raiz de nossas emo\u00e7\u00f5es e pensamentos. Continuamos sendo movidos por mitos (da web, em nossa era) e palavras. Quer algo mais moderno que isso?\u201d<\/p>\n<p>POEMAS COMPLETOS<br \/>\nAutor: Herberto Helder<br \/>\nEditora: Tinta da China (736 p., R$ 99)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme Sobota Dono de uma l\u00edrica derivada do surrealismo e considerado um dos poetas mais importantes do s\u00e9culo 20 em Portugal, Herberto Helder (1930-2015) ganhou recentemente uma edi\u00e7\u00e3o brasileira de seus Poemas Completos, a \u201c\u00faltima e mais completa\u201d antologia organizada pelo autor, em 2014, pela Tinta-da-China. 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