{"id":125077,"date":"2017-01-02T09:10:35","date_gmt":"2017-01-02T11:10:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=125077"},"modified":"2017-01-02T09:10:35","modified_gmt":"2017-01-02T11:10:35","slug":"brasileiros-invadem-paraguai-em-busca-de-custo-menor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiros-invadem-paraguai-em-busca-de-custo-menor\/","title":{"rendered":"Brasileiros invadem Paraguai em busca de custo menor"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Fernando Scheller<\/strong><\/h6>\n<p>Enquanto o desemprego no Brasil se aproxima de 12% em meio a dois anos seguidos de encolhimento da economia, h\u00e1 ind\u00fastrias brasileiras abrindo novas f\u00e1bricas e criando milhares de novos empregos diretos. Esses investimentos, no entanto, s\u00e3o realizados no Paraguai, pa\u00eds que quer aproveitar a proximidade com o Brasil para ser uma plataforma de produ\u00e7\u00e3o barata e livre de burocracia para o abastecimento do mercado de consumo brasileiro.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de atrair investimentos e empregos ao abrir m\u00e3o da cobran\u00e7a de impostos tem dado resultado. A lei da maquila, que garante o pagamento de apenas 1% de tributo \u00e0s companhias que abrirem f\u00e1bricas no Paraguai e exportarem 100% da produ\u00e7\u00e3o, existe desde 1997. Outras vantagens incluem gastos menores com m\u00e3o de obra e energia el\u00e9trica. O salto quantitativo desse programa, por\u00e9m, se deu nos \u00faltimos tr\u00eas anos &#8211; justamente quando a economia brasileira come\u00e7ou a andar para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Embora o total de empregos gerado pelas &#8220;maquiladoras&#8221; ainda seja pequeno em compara\u00e7\u00e3o ao tamanho da economia brasileira, o ritmo de migra\u00e7\u00e3o de investimentos do Brasil para o Paraguai est\u00e1 em acelera\u00e7\u00e3o. Das 124 ind\u00fastrias inclu\u00eddas no programa de maquilas, 78 abriram as portas desde 2014. Dos 11,3 mil empregos gerados pelo programa, 6,7 mil s\u00e3o fruto dos investimentos dos \u00faltimos tr\u00eas anos. E existem mais projetos de expans\u00e3o que devem gerar milhares de vagas em 2017.<\/p>\n<p><b>Interesse &#8211;\u00a0<\/b>O Foro Brasil-Paraguai, sediado em Assun\u00e7\u00e3o e dedicado exclusivamente a apresentar as oportunidades do pa\u00eds a brasileiros, recebe dezenas de consultas por semana. A entidade calcula que dois ter\u00e7os dos investimentos no Paraguai nos \u00faltimos anos sejam de empresas de capital brasileiro. Mas o Pa\u00eds tamb\u00e9m tem um forte peso no ter\u00e7o restante: as montadoras estrangeiras come\u00e7aram a produzir pe\u00e7as em solo paraguaio para abastecer as montadoras instaladas no Brasil.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o do Paraguai em uma &#8220;China da Am\u00e9rica do Sul&#8221; \u00e9 um projeto do presidente Horacio Cartes, no poder h\u00e1 tr\u00eas anos. A prioridade de Cartes &#8211; que tamb\u00e9m \u00e9 um dos empres\u00e1rios paraguaios mais ricos &#8211; \u00e9 gerar empregos para a m\u00e3o de obra paraguaia. Mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o de 6,8 milh\u00f5es de habitantes tem menos de 30 anos e boa parte ainda atua na informalidade.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia \u00e9 elogiada pelo setor produtivo. Cartes, por\u00e9m, enfrenta cr\u00edticas por ter abandonado programas sociais, em especial no interior. Durante a passagem da reportagem por Assun\u00e7\u00e3o houve um protesto contra o atual presidente &#8211; com direito a cartazes &#8220;Fora Cartes&#8221;. Uma recente pesquisa p\u00f5e o \u00edndice de popularidade do presidente em 23%, um dos mais baixos da Am\u00e9rica Latina. Al\u00e9m disso, o socialista Fernando Lugo, deposto em 2012, \u00e9 um nome que ganha for\u00e7a para as elei\u00e7\u00f5es de 2018.<\/p>\n<p>O discurso do governo paraguaio \u00e9 que o programa de maquilas visa a construir uma parceria com o Brasil. &#8220;A ideia \u00e9 que n\u00f3s venhamos a substituir os produtos que as empresas brasileiras hoje trazem da China&#8221;, diz o ministro da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio do pa\u00eds, Gustavo Leite. Por\u00e9m, segundo o vice-presidente do Foro Brasil-Paraguai, Junio Dantas, \u00e9 imposs\u00edvel saber se o investimento no Paraguai substituir\u00e1 empregos no Brasil ou na China. &#8220;\u00c9 uma decis\u00e3o do empres\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p><b>Acelera\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>Entre as empresas que est\u00e3o usando o Paraguai para substituir importa\u00e7\u00f5es chinesas est\u00e1 a Riachuelo. Foi a rede brasileira que viabilizou a Texcin, ind\u00fastria montada pelo paraguaio Andr\u00e9s Gwynn. Hoje, a f\u00e1brica emprega 400 pessoas e produz 300 mil pe\u00e7as ao m\u00eas. Mas o contrato de dez anos com a Riachuelo prev\u00ea que, dentro de um ano e meio, a produ\u00e7\u00e3o seja elevada a 1 milh\u00e3o de unidades. Com isso, os funcion\u00e1rios chegar\u00e3o a 1,5 mil.<\/p>\n<p>Gwynn conta que teve a ideia de atrair a Riachuelo ao Paraguai ao ver a foto do presidente da empresa, Fl\u00e1vio Rocha, em uma banca de revista no Aeroporto de Guarulhos. O empres\u00e1rio ligou para a secret\u00e1ria de Rocha e, ap\u00f3s alguns dias de insist\u00eancia, conseguiu uma reuni\u00e3o de cinco minutos para apresentar as vantagens do Paraguai. &#8220;Acabamos conversando o dia todo&#8221;, lembra Gwynn.<\/p>\n<p>Ind\u00fastrias que enfrentam forte concorr\u00eancia de produtos baratos vindos da \u00c1sia &#8211; como materiais pl\u00e1sticos, brinquedos e confec\u00e7\u00f5es &#8211; est\u00e3o entre as mais propensas a aproveitar as vantagens da lei das maquilas. Uma das pioneiras do movimento foi a X-Plast, que fechou a unidade no interior de S\u00e3o Paulo e se instalou h\u00e1 tr\u00eas anos em Ciudad del Este, a 4 km da fronteira com Foz do Igua\u00e7u. Procurada, a empresa n\u00e3o respondeu aos pedidos de entrevista.<\/p>\n<p>As marcas brasileiras Bracol e Fujiwara, de sapatos para trabalhadores industriais, decidiram aproveitar as vantagens de custo do Paraguai em 2014. Elas s\u00e3o s\u00f3cias de Andr\u00e9s Gwynn na Marseg. A empresa chegou a ter 1,5 mil empregados. Com a crise no Brasil, que afetou em cheio a ind\u00fastria, cortando mais de 30 mil empregos apenas em montadoras, a Marseg reduziu os funcion\u00e1rios para 800.<\/p>\n<p>As companhias internacionais de autope\u00e7as tamb\u00e9m est\u00e3o migrando para o Paraguai. O s\u00f3cio da Riachuelo no pa\u00eds, que tamb\u00e9m atua como cicerone para empres\u00e1rios estrangeiros, j\u00e1 ajudou a trazer seis fornecedoras de montadoras para o Paraguai. Entre essas companhias est\u00e1 a alem\u00e3 Leoni, que produz chicotes el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>O gerente da unidade da Leoni no Paraguai \u00e9 o brasileiro F\u00e1bio Lopes da Silva. Ele conta que a maior parte da produ\u00e7\u00e3o vai para montadoras instaladas no Brasil, onde a empresa mant\u00e9m uma planta em Itu (SP), com 500 funcion\u00e1rios. Embora n\u00e3o haja planos para desativar a f\u00e1brica no Brasil, Silva diz que, com o tempo, a planta paraguaia se tornar\u00e1 mais importante. &#8220;Hoje, empregamos aqui 300 pessoas, mas o projeto \u00e9 ampliar para mil colaboradores &#8220;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Scheller Enquanto o desemprego no Brasil se aproxima de 12% em meio a dois anos seguidos de encolhimento da economia, h\u00e1 ind\u00fastrias brasileiras abrindo novas f\u00e1bricas e criando milhares de novos empregos diretos. 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