{"id":125557,"date":"2017-01-09T17:56:23","date_gmt":"2017-01-09T19:56:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=125557"},"modified":"2017-01-10T00:13:46","modified_gmt":"2017-01-10T02:13:46","slug":"maquiagem-fecha-porta-de-psiquiatra-para-depressivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/maquiagem-fecha-porta-de-psiquiatra-para-depressivos\/","title":{"rendered":"Maquiagem fecha porta de psiquiatra a depressivos"},"content":{"rendered":"<div id=\"Corpo\">\n<h6 class=\"Assina\"><strong>Andr\u00e9 C\u00e1ceres<\/strong><\/h6>\n<p>Quem v\u00ea o sorriso estampado no rosto da maquiadora Marcella Baldoni, de 35 anos, n\u00e3o imagina o que ela enfrentou para conquistar a qualidade de vida que tem atualmente. Formada em Marketing, ela trabalhar em um banco com apenas 18 anos e, desde ent\u00e3o, teve de se acostumar a uma rotina de trabalho exaustiva.<\/p>\n<p>&#8220;Era muita cobran\u00e7a. Eu trabalhava em uma \u00e1rea comercial em que as metas eram muito altas. Era estressante porque todo m\u00eas tinha que bater meta, sen\u00e3o eu podia ser punida&#8221;, recorda a paulistana, que atuou nesse banco por cinco anos, tempo em que teve de lidar com a press\u00e3o da vida corporativa.<\/p>\n<p>Marcella passou a sofrer de depress\u00e3o e se viu afastada da empresa durante seis meses. Ao final desse per\u00edodo, decidiu deixar o emprego. No entanto, come\u00e7ou a trabalhar em um setor n\u00e3o menos estressante: o varejo. Tornou-se compradora de duas das maiores redes da \u00e1rea no Brasil nos anos subsequentes. &#8220;Eu sofria muita press\u00e3o. Era complicado n\u00e3o ter ansiedade, tudo prejudicava&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>Marcella sabia que seu problema poderia tornar-se recorrente caso ela continuasse na rotina \u00e0 qual estava submetida. &#8220;Quem passa por um processo de depress\u00e3o \u00e9 suscet\u00edvel a manifestar outro ao longo da vida, e a\u00ed voc\u00ea tem sempre que ficar em alerta&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;A depress\u00e3o muitas vezes \u00e9 pontual, devido a uma situa\u00e7\u00e3o externa. Se acabar essa situa\u00e7\u00e3o, acaba a depress\u00e3o. Tamb\u00e9m tem um car\u00e1ter gen\u00e9tico, de hist\u00f3rico familiar. Esse \u00e9 o meu caso&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Quando ela tinha 27 anos, Marcella apresentou s\u00edndrome do p\u00e2nico enquanto estava no tr\u00e2nsito e acabou se afastando do trabalho novamente. &#8220;Chegou um momento que eu n\u00e3o conseguia subir de posi\u00e7\u00e3o porque as empresas n\u00e3o sentiam essa total confian\u00e7a&#8221;, lamentou.<\/p>\n<p>Esse foi o ponto de inflex\u00e3o, em que a paulistana teve de demonstrar coragem para mudar completamente de vida. &#8220;Minha rotina me matava, aquilo me debilitava muito&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Ela teve de colocar a carreira e a sa\u00fade na balan\u00e7a. &#8220;Mesmo gostando de trabalhar com varejo, fiz faculdade, gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s, tudo voltado para isso, as circunst\u00e2ncias da minha vida chegaram a um ponto em que eu n\u00e3o conseguia mais. Tive que optar: ou a estabilidade de sa\u00fade, ou eu tinha que trabalhar muito. Cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que estava trabalhando para comprar rem\u00e9dio, pagar terapeuta&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sair do \u00faltimo emprego, em mar\u00e7o de 2014, Marcella ficou t\u00e3o surpresa quanto as pessoas ao seu redor quando se viu trabalhando como maquiadora. &#8220;H\u00e1 cinco anos eu nem me maquiava, mas comecei a pesquisar o mercado e vi que a \u00e1rea da beleza era uma que crescia&#8221;, explicou a paulistana que concluiu o curso para exercer a nova profiss\u00e3o em quatro meses.<\/p>\n<p>Marcella priorizou a qualidade de vida em detrimento de uma carreira s\u00f3lida, e admite que no come\u00e7o teve de conter gastos e adequar seu padr\u00e3o de consumo \u00e0 nova realidade. &#8220;Em vez de sair, voc\u00ea n\u00e3o vai comer fora, n\u00e3o vai comprar roupa. Em vez de comprar uma coisa, voc\u00ea compra outra mais barata. O primeiro ano foi mais dif\u00edcil&#8221;, revelou.<\/p>\n<p>Enquanto apertava o or\u00e7amento, a maquiadora trabalhava para aumentar a carteira de clientes e conseguiu investir para estar em uma feira de noivas. &#8220;Deu supercerto&#8221;, comemora. &#8220;Hoje tem uma equipe de cinco pessoas comigo. Meu foco \u00e9 noivas, vou at\u00e9 a noiva, fa\u00e7o cabelo, maquiagem&#8221;, disse Marcella, que hoje trabalha menos e ganha mais do que antes.<\/p>\n<p>A maquiadora criou um grupo no Facebook chamado Banco de Maquiadores Profissionais, que aglomera 4 mil maquiadores formados e capacitados. Ela diariamente fomenta o grupo com informa\u00e7\u00f5es e atividades, e se orgulha de atuar como uma lideran\u00e7a na \u00e1rea. &#8220;Eu me cobro muito, sou uma pessoa que quer o melhor resultado&#8221;.<\/p>\n<p>Antes de se descobrir maquiadora, ela chegou a passar por cinco psiquiatras em dez anos. &#8220;Tentei de todas as formas encontrar alternativas que me fizessem manter est\u00e1vel para continuar trabalhando. Terapias mil, tratamentos espirituais, solu\u00e7\u00f5es diversas. Tentei de tudo, porque no fundo n\u00e3o aceitava que era algo biol\u00f3gico meu. Eu achava que algu\u00e9m n\u00e3o estava conseguindo diagnosticar direito&#8221;, contou Marcella. &#8220;Um dos fatores primordiais que me fez mudar \u00e9 entender a ess\u00eancia da minha vida&#8221;, finalizou.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 C\u00e1ceres Quem v\u00ea o sorriso estampado no rosto da maquiadora Marcella Baldoni, de 35 anos, n\u00e3o imagina o que ela enfrentou para conquistar a qualidade de vida que tem atualmente. 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