{"id":126080,"date":"2017-01-16T06:15:45","date_gmt":"2017-01-16T08:15:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=126080"},"modified":"2017-01-16T06:15:45","modified_gmt":"2017-01-16T08:15:45","slug":"axe-para-quem-nao-e-baiano-ufa-ate-que-enfim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/axe-para-quem-nao-e-baiano-ufa-ate-que-enfim\/","title":{"rendered":"Ax\u00e9 para quem n\u00e3o \u00e9 baiano. Ufa! At\u00e9 que enfim&#8230;"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Julio Maria<\/strong><\/h6>\n<p>Se a pedra inaugural for o estrondo do \u00e1lbum O Canto da Cidade, de Daniela Mercury, s\u00e3o 27 anos subindo ladeira. Se for a m\u00fasica Fricote, de Luiz Caldas, 32. A ax\u00e9 music, t\u00edtulo pejorativo colocado na embalagem do conjunto de ritmos e dan\u00e7as baianos formatados no in\u00edcio dos anos 1990 para se tornar uma das maiores pot\u00eancias industriais do Pa\u00eds, reinou o quanto pode. Saiu dos terreiros, abasteceu-se dos blocos, conquistou as r\u00e1dios, entrou nas TVs, fabricou her\u00f3is e multiplicou-se em uma cultura de retroalimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao lado do sertanejo rom\u00e2ntico e do pagode dos anos 1990, estabeleceu a frente cultural mais avassaladora nos meios de comunica\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. E ent\u00e3o, a for\u00e7a da grana que o ergueu a partir das grava\u00e7\u00f5es de Luiz Caldas e Daniela tamb\u00e9m destruiu sua supremacia. Ambi\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios, m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o de carreiras e a falta de investimento fizeram o ax\u00e9 perder espa\u00e7o para o sertanejo na pr\u00f3pria Bahia, um mercado at\u00e9 ent\u00e3o blindado contra invas\u00f5es b\u00e1rbaras. A ax\u00e9 n\u00e3o \u00e9 mais a mesma.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o sobre sua perda de protagonismo marca o desfecho do document\u00e1rio Ax\u00e9 &#8211; Canto do Povo de Um Lugar, do diretor Chico Kert\u00e9sz. &#8220;O problema \u00e9 que o fogo estava muito alto. Algu\u00e9m foi l\u00e1 e o abaixou&#8221;, diz no filme o m\u00fasico Letieres Leite.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o nos realimentamos, n\u00e3o criamos espa\u00e7o para o novo, n\u00e3o nos preocupamos com o outro&#8221;, diz ao Estado o diretor Kert\u00e9sz. Ele cita o circuito da m\u00fasica sertaneja ao falar sobre a estrat\u00e9gia que faltou aos baianos. Das 25 m\u00fasicas mais tocadas nas r\u00e1dios do Brasil em 2016, 22 s\u00e3o de artistas sertanejos. Apenas Anitta, Justin Bieber e Wesley Safad\u00e3o conseguiram perfurar as paredes do agroneg\u00f3cio musical, uma supremacia regada por quantias impens\u00e1veis de dinheiro em forma de &#8220;verba de marketing&#8221; &#8211; o que responde tamb\u00e9m por &#8220;jab\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Kert\u00e9sz d\u00e1 o que pode ser uma boa not\u00edcia aos saudosos axezeiros e um pesadelo aos que decretaram a ax\u00e9 uma das inimigas da diversidade cultural. &#8220;Agora, n\u00e3o tem mais para onde cair.&#8221; Ele cita o bom momento do grupo Baiana System e o aparecimento do baiano MC Beijinho como exemplos de renova\u00e7\u00e3o. &#8220;Os sertanejos tiveram mais compet\u00eancia do que n\u00f3s para vender uma nova m\u00fasica. Agora, \u00e9 hora de subir.&#8221; O funk de Beijinho, embalado por tambores do Olodum, j\u00e1 foi cantado por Caetano Veloso em um v\u00eddeo caseiro &#8211; uma atitude bem menos ing\u00eanua do que faz pensar o chinelo de dedos que o compositor usa enquanto canta Me Libera Nega. Caetano avaliza seus conterr\u00e2neos como nenhum outro artista, e sabe a for\u00e7a que uma grava\u00e7\u00e3o sua possui.<\/p>\n<p>&#8220;Isso (essa crise) n\u00e3o acontece porque a m\u00fasica baiana sempre acolheu o Brasil. E temos grupos como Harmonia do Samba, Psirico, coisas maravilhosas. O ax\u00e9 tem uma hist\u00f3ria de gl\u00f3ria.&#8221; Beijinho interrompe a pergunta do rep\u00f3rter quando ouve a palavra crise. &#8220;Pra come\u00e7o de conversa da nossa entrevista, o samba de roda baiano est\u00e1 ressurgindo com Beijinho. Vou lan\u00e7ar em breve um disco e voc\u00ea vai ver.&#8221;<\/p>\n<p>O compositor M\u00e1rcio Mello, autor de m\u00fasicas como Nobre Vagabundo, gravada por Daniela Mercury, v\u00ea o in\u00edcio da curva descendente iniciar antes mesmo da consolida\u00e7\u00e3o sertaneja. &#8220;A Bahia se deixou de lado e os artistas passaram a investir mais na dan\u00e7a. Com o tempo, a m\u00fasica virou dan\u00e7a. Temos que voltar a fazer m\u00fasica.&#8221; O enfraquecimento da cena \u00e9 sintoma de algo ainda pior, na opini\u00e3o de Roque Fernando, produtor cultural que vive no bairro do Curuzu. Para ele, a viol\u00eancia esvaziou as tradi\u00e7\u00f5es de terreiro baianas, como a do Il\u00ea Aiy\u00ea, e tem provocado uma desconex\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cultural com as ruas. &#8220;A fonte est\u00e1 secando. N\u00e3o temos mais os movimentos que t\u00ednhamos na periferia. Por uma quest\u00e3o cultural, n\u00e3o era para termos o sertanejo fazendo sucesso por aqui.&#8221;<\/p>\n<p>O prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalh\u00e3es Neto (DEM), n\u00e3o acredita na necessidade de uma pol\u00edtica cultural para a preserva\u00e7\u00e3o do g\u00eanero que mais divisas levou para o territ\u00f3rio baiano. &#8220;Essa crise que voc\u00ea diz tem de ser relativizada. Veja que o pr\u00f3prio sertanejo vem \u00e0 Bahia beber nas nossas fontes.<\/p>\n<p>O impacto econ\u00f4mico \u00e9 ainda muito importante.&#8221; Ele est\u00e1 certo, mas o caminho contr\u00e1rio tamb\u00e9m existe. A ax\u00e9, como ritmo, n\u00e3o existe. O que se ouve na base de grupos como Harmonia do Samba e \u00c9 o Tchan \u00e9 o mais genu\u00edno samba de roda do Rec\u00f4ncavo Baiano. &#8220;\u00c9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o no que eles est\u00e3o fazendo&#8221;, disse Paulinho da Viola nos anos 1990. Carlinhos Brown cria divis\u00f5es r\u00edtmicas para os tambores e Luiz Caldas se apodera dos toques do ijex\u00e1 e do afox\u00e9 em seus hits.<\/p>\n<p>Esse desprendimento est\u00e9tico permite aos m\u00fasicos uma liberdade que n\u00e3o existe em qualquer cena. Assim como os sertanejos bebem em seus hits, os baianos se fartam de tudo o que pode virar sucesso.<\/p>\n<p>Daniela Mercury diz assim: &#8220;Parece que tudo aquilo que cantamos nos anos 90 n\u00e3o tem import\u00e2ncia nos dias de hoje&#8221;. Luiz Caldas, o her\u00f3i da hist\u00f3ria, v\u00ea uma sa\u00edda digna. &#8220;N\u00e3o deixamos de cantar a Bahia, mas essa gera\u00e7\u00e3o que surgiu precisa de algu\u00e9m que a conduza. N\u00e3o podemos pensar comercialmente o tempo todo. \u00c9 plantar, regar e esperar a hora de colher.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Maria Se a pedra inaugural for o estrondo do \u00e1lbum O Canto da Cidade, de Daniela Mercury, s\u00e3o 27 anos subindo ladeira. Se for a m\u00fasica Fricote, de Luiz Caldas, 32. 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