{"id":12763,"date":"2014-06-08T23:19:23","date_gmt":"2014-06-09T02:19:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=12763"},"modified":"2014-06-09T00:12:00","modified_gmt":"2014-06-09T03:12:00","slug":"brasil-pais-do-bumbum-bonito-e-mulheres-temem-assedio-durante-a-copa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-pais-do-bumbum-bonito-e-mulheres-temem-assedio-durante-a-copa\/","title":{"rendered":"Brasil, pa\u00eds do bumbum bonito&#8230; e mulheres temem ass\u00e9dio na Copa"},"content":{"rendered":"<p>Pa\u00eds tropical, praias maravilhosas, festas, futebol e mulheres lindas com sexualidade \u00e0 flor da pele. E o melhor: tudo incluso no pacote. Uma situa\u00e7\u00e3o constrangedora, revela reportagem do Terra. O texto, assinado por Tha\u00eds Sabino, \u00e9 transcrito a seguir<\/p>\n<p>O trabalho de divulga\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo \u2013 como a camiseta da Adidas com desenho sexualmente apelativo e a not\u00edcia publicada pela revista Fabulous, do The Sun, que estampou um bumbum vestido com biqu\u00edni da bandeira do Brasil \u2013 deixam claro para a advogada e pesquisadora dos direitos femininos, Daniella Alencar, que \u201cjuntamente com a viagem e hospedagem, vende-se tamb\u00e9m o corpo das mulheres brasileiras aos estrangeiros\u201d.<\/p>\n<p>O conhecido como \u201cpa\u00eds das bundas\u201d tem seus estere\u00f3tipos fortalecidos e transmite a imagem de brasileiras hipersexualizadas, liberais e dispon\u00edveis para o sexo, argumentou a ativista Joana Emmerick, do Instituto Pol\u00edticas Alternativas para o Cone Sul. Diante desse cen\u00e1rio, o ass\u00e9dio \u00e0s mulheres \u00e9 s\u00f3 uma consequ\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"text\">Em eventos como a Copa do Mundo e Carnaval, segundo a advogada e ativista feminista Magn\u00f3lia Said, tamb\u00e9m membro da Articula\u00e7\u00e3o Nacional dos Comit\u00eas Populares da Copa (ANCOP), estrangeiros v\u00eam ao Brasil com o desejo de usufruir o \u201cpa\u00eds do futebol, o samba e o sexo exacerbado e livre, informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 vendidas pelas ag\u00eancias de turismo e m\u00eddia\u201d. \u201cO estrangeiro acha que pode tudo, tanto assediar a mulher que est\u00e1 na rua, como a que est\u00e1 prestando algum trabalho no hotel ou restaurante, pois comprou o servi\u00e7o completo\u201d, acrescentou Magn\u00f3lia.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text\">O governo brasileiro espera receber cerca de 840 mil turistas de outros pa\u00edses durante a Copa, j\u00e1 o registrado pela Embratur no m\u00eas do Carnaval de 2012 foi de 569.706. Na avalia\u00e7\u00e3o de Magn\u00f3lia, enquanto nas festas de Carnaval existe um clima de \u201cliberaliza\u00e7\u00e3o, na Copa o estrangeiro vem com o mesmo apetite, seja correspondido ou n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text\">Daniella chamou a aten\u00e7\u00e3o para o ponto de que em um evento de futebol o p\u00fablico-alvo principal \u00e9 formado por homens, o que contribui para ass\u00e9dios em grande n\u00famero. Passear pelos corpos das brasileiras \u00e9 s\u00f3 mais um \u201cponto tur\u00edstico\u201d da viagem, usado como slogan tur\u00edstico, afirmou a soci\u00f3loga e coordenadora da ANCOP, Rosilene Wansetto. Segundo ela, \u201c\u00e9 sabido dos que vem para jogos compraram pacote no qual inclui encontro com mulheres e adolescentes\u201d. A explora\u00e7\u00e3o da imagem da brasileira traz a roupagem de Pa\u00eds da subvers\u00e3o, na opini\u00e3o da soci\u00f3loga. Em uma cultura predominantemente machista e patriarcal, ela lembrou que n\u00e3o s\u00f3 os ass\u00e9dios por parte dos estrangeiros aumentam, como tamb\u00e9m dos brasileiros.<\/p>\n<p class=\"text\">Uma pesquisa divulgada no final de 2013 pelo site Olga mostrou que apenas 2% das brasileiras nunca sofreram ass\u00e9dio nas ruas. O estudo foi feito com 7.762 volunt\u00e1rias, a maioria (40%) com idades entre 20 e 24 anos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text\">&#8220;Os brasileiros s\u00e3o os primeiros exploradores das mulheres no Brasil&#8221;, disse Danielle. \u201cOs turistas estrangeiros talvez nem cometam ass\u00e9dio \u00e0s mulheres em seus pa\u00edses de origem, por acharem que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o dispon\u00edveis como as brasileiras\u201d, afirmou a coordenadora de projetos da CAMTRA e membro do F\u00f3rum Estadual de Combate \u00e0 Viol\u00eancia Contra as Mulheres, Iara Amora. Danielle acrescentou que essa distor\u00e7\u00e3o ainda dificulta na distin\u00e7\u00e3o entre profissionais do sexo e de outros setores.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text\">Os ass\u00e9dios previstos j\u00e1 acontecem no dia-a-dia da mulher, como cantadas, arrochadas e convites para rela\u00e7\u00f5es sexuais, exemplificou Rosilene. Claro\u00a0que os registros de casos mais graves com viol\u00eancia f\u00edsica tamb\u00e9m devem aumentar. O policiamento refor\u00e7ado n\u00e3o necessariamente implicar\u00e1 em mais seguran\u00e7a para as mulheres, na opini\u00e3o de Joana. At\u00e9 pelo motivo que \u201cse uma v\u00edtima faz den\u00fancia contra um turista por ass\u00e9dio, certamente a tend\u00eancia \u00e9 que o delegado encontre um motivo para culpar a mulher\u201d, argumentou Magn\u00f3lia. Se nas ruas e meios de transporte os desrespeitos fazem parte da realidade, em espa\u00e7os tidos como \u201cmasculinos\u201d, a presen\u00e7a da mulher deve ser ainda mais questionada e lembrada que o local \u00e9 para homens. \u201cUma mulher que ousa estar em um est\u00e1dio, \u00e9 como se pedisse para ser assediada\u201d, acrescentou Joana.<\/p>\n<p class=\"text\">A \u00faltima Copa do Mundo, h\u00e1 quatro anos, tamb\u00e9m gerou preocupa\u00e7\u00e3o sobre os impactos sociais com a chegada de estrangeiros e constru\u00e7\u00e3o de grandes obras no pa\u00eds. O aumento da prostitui\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fico de pessoas estavam no topo da lista de efeitos negativos e este \u00faltimo registrou n\u00famero de 110 mil casos durante o megaevento, segundo Daniella. As organiza\u00e7\u00f5es ativistas brasileiras acompanharam relatos de pesquisadoras e militantes da \u00c1frica do Sul para organizarem campanhas de preven\u00e7\u00e3o da viola\u00e7\u00e3o de direitos no Brasil. Das informa\u00e7\u00f5es recolhidas, Magn\u00f3lia afirmou que os megaempreendimentos \u201caumentaram a viol\u00eancia contra a mulher, prostitui\u00e7\u00e3o e o consumo de drogas\u201d.<\/p>\n<p class=\"text\">\u201cEm depoimento, Nomasonto Eglat (ativista e membro do servi\u00e7o ecum\u00eanico para a transforma\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica da \u00c1frica do Sul)\u00a0afirmou que \u2018o povo achava que ia lucrar, mas na verdade houve uma faxina social. Os moradores de rua, as mulheres\u00a0e os camel\u00f4s foram os que mais sofreram, o que era para ser uma festa popular virou um mecanismo de tornar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres\u2019\u201d, relatou Rosilene. As taxas de mulheres que j\u00e1 sofreram viol\u00eancia sexual na \u00c1frica do Sul chegam a 17,4% e com a Copa, segundo institui\u00e7\u00f5es, os n\u00fameros aumentaram. No entanto, Michelle Bellion, da Sexual Assault Clinic, chamou a aten\u00e7\u00e3o para o ass\u00e9dio entre crian\u00e7as e adolescentes, \u201cde meninos de 12 anos ou mais abusando de menores, com entre 3 e 9 anos\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text\">\u201cA Copa aconteceu no per\u00edodo de f\u00e9rias escolares, mas ao contr\u00e1rio das tr\u00eas semanas de pausa usuais, o governo decidiu acrescentar uma semana a mais e as crian\u00e7as pequenas foram deixadas em casa com um irm\u00e3o mais velho ou primo. Em pesquisas, descobrimos que crian\u00e7as mais velhas, ap\u00f3s terem acesso \u00e0 pornografia via celulares e internet, estavam testando as novas \u2018habilidades sexuais\u2019 em menores vulner\u00e1veis\u201d, relatou. Segundo a ativista, a pol\u00edcia sul-africana, grupos de defesa dos direitos humanos e a pr\u00f3pria m\u00eddia j\u00e1 haviam previsto o aumento do ass\u00e9dio sexual, prostitui\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de pessoas com o megaevento, mas \u201cesqueceram-se das crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text\">A ativista sul-africana do SithabileChild &amp; Youth Care Center, Thabisile Msezane, relatou que pouco antes dos jogos mundiais de 2010, jovens come\u00e7aram a ser levadas ao pa\u00eds, vindas de outras na\u00e7\u00f5es africanas, como Mo\u00e7ambique, Congo, Ruanda e Angola. Adultos de v\u00e1rias regi\u00f5es do continente tamb\u00e9m viajaram \u00e0 \u00c1frica do Sul com o intuito de \u201cganhar dinheiro\u201d com os turistas. Muitas profissionais do sexo, segundo Thabisile, trabalharam durante a Copa e, elas, mesmo que sofressem viol\u00eancia, raramente as relatavam. Outro problema registrado no pa\u00eds, segundo a ativista, foi a venda de crian\u00e7as provenientes de fam\u00edlias muito pobres ao mercado de explora\u00e7\u00e3o sexual, at\u00e9 para atender a nova demanda do mercado na \u00c1frica do Sul. \u201cA incid\u00eancia sobre a intera\u00e7\u00e3o das sul-africanas com os estrangeiros n\u00e3o foi amplamente divulgada\u201d, concluiu.<\/p>\n<p class=\"text\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00eds tropical, praias maravilhosas, festas, futebol e mulheres lindas com sexualidade \u00e0 flor da pele. E o melhor: tudo incluso no pacote. Uma situa\u00e7\u00e3o constrangedora, revela reportagem do Terra. 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