{"id":127744,"date":"2017-02-04T13:21:04","date_gmt":"2017-02-04T15:21:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=127744"},"modified":"2017-02-04T17:23:38","modified_gmt":"2017-02-04T19:23:38","slug":"extracao-de-petroleo-ameaca-futuro-dos-corais-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/extracao-de-petroleo-ameaca-futuro-dos-corais-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo amea\u00e7a futuro dos corais da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Camila Bohem<\/strong><\/p>\n<p>O processo de licenciamento ambiental para perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os de petr\u00f3leo na regi\u00e3o da foz do Rio Amazonas, pr\u00f3ximo de onde foi descoberto recentemente um recife de corais, esponjas e rodolitos de 9,5 mil km\u00b2 \u2013 uma \u00e1rea 20% maior que a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo \u2013, est\u00e1 em an\u00e1lise no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama). Segundo o ativista Thiago Almeida, da Campanha de Energia da Ong Greenpeace, a explora\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o gera o risco de derramamento de peter\u00f3leo.<\/p>\n<p>De acordo com Almeida, esses corais representam um novo bioma, que \u00e9 \u00fanico no mundo devido as caracter\u00edsticas em que se desenvolveu, em \u00e1gua turva e barrenta, o que normalmente torna pouco prov\u00e1vel a exist\u00eancia de um ecossistema como esse. Para o ativista, o bioma j\u00e1 nasceu amea\u00e7ado por causa da poss\u00edvel explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo nos arredores do recife.<\/p>\n<p>Conforme Thiago Almeida, apesar de os blocos de explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera das empresas Total, BP e Queiroz Galv\u00e3o n\u00e3o estarem exatamente em cima da \u00e1rea conhecida dos recifes,\u201ca amea\u00e7a \u00e9 justamente o que um poss\u00edvel vazamento poderia causar sobre os recifes, a costa e os mangues\u201d. O po\u00e7o de explora\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3ximo do novo bioma descoberto pertence a Total e est\u00e1 a uma dist\u00e2ncia de 8 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>\u201cSe o petr\u00f3leo [desse poss\u00edvel vazamento] chega at\u00e9 a costa do Amap\u00e1, temos l\u00e1 a maior \u00e1rea cont\u00ednua de mangues do mundo, que s\u00e3o important\u00edssimos estu\u00e1rios, ber\u00e7\u00e1rios, para a vida, e tamb\u00e9m t\u00eam papel importante na captura e sequestro de carbono, ajudando a combater o aquecimento global e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, acrescentou o ativista.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 sempre importante lembrarmos o vazamento da [plataforma] Deepwater Horizon e a extens\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o e do derramamento de petr\u00f3leo que atingiu a costa de diversos pa\u00edses\u201d, destacou Almeida, citando a explos\u00e3o da plataforma da empresa petrol\u00edfera British Petroleum, em 2010, no Golfo do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>No acidente, 11 pessoas morreram e cerca de 4,9 milh\u00f5es de barris de \u00f3leo vazaram para o mar. O petr\u00f3leo vazou durante 87 dias, se espalhou por mais de 1,5 mil km no litoral norte-americano, contaminou e matou milhares de animais, segundo o Greenpeace.<\/p>\n<p><strong>Processo de licenciamento<\/strong> &#8211; Em 2015, as empresas encaminharam os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e os Relat\u00f3rios de Impacto Ambiental (Rima) ao Ibama. Entre 2015 e 2016, o \u00f3rg\u00e3o devolveu pareceres t\u00e9cnicos solicitando mais dados e esclarecimento sobre alguns pontos dos documentos. At\u00e9 o momento nm\u00e3o houve retorno das empresas sobre as quest\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 por isso que o Greenpeace decidiu fazer campanha [Defenda os Corais da Amaz\u00f4nia] para defender esses corais, pedindo \u00e0s pessoas que digam a essas empresas para abandonarem quaisquer planos de explorar petr\u00f3leo na regi\u00e3o\u201d, disse Almeida.<\/p>\n<p>Ele ressaltou que, no caso de um vazamento chegar \u00e0 costa, diversas comunidades tradicionais tamb\u00e9m seriam afetadas, como pescadores, extrativistas, quilombolas e ind\u00edgenas, \u201cque dependem do meio ambiente, da sa\u00fade dos mares e da costa brasileira para sobreviver\u201d.<\/p>\n<p>Em 24 de janeiro, uma embarca\u00e7\u00e3o do Greenpeace saiu do Porto de Santana, no Amap\u00e1, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 foz do Rio Amazonas, onde est\u00e1 o recife, integrando a campanha Defenda os Corais da Amaz\u00f4nia. A bordo, est\u00e3o os pesquisadores que anunciaram a descoberta do recife, em abril do ano passado, e ativistas da ong.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 30, foram divulgadas as primeiras imagens do recife de corais da Amaz\u00f4nia feitas com o aux\u00edlio de um submarino. O grupo permanecer\u00e1 embarcado e fazendo registros na regi\u00e3o at\u00e9 o pr\u00f3ximo dia 10.<\/p>\n<p><strong>Empresas &#8211;\u00a0<\/strong>Em an\u00fancio no site da Total em 4 de janeiro, a empresa informou que prev\u00ea a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os ainda em 2017, que deve seguir at\u00e9 2020, e que aguarda a emiss\u00e3o da licen\u00e7a ambiental pelo Ibama. A empresa j\u00e1 recebeu, pelo Porto de Bel\u00e9m (PA), os primeiros equipamentos para a atividade.<\/p>\n<p>\u201cOs po\u00e7os ser\u00e3o perfurados em \u00e1guas ultraprofundas, a mais de 1,9 mil metros de profundidade e a uma dist\u00e2ncia entre 120 e 188 km da costa do munic\u00edpio do Oiapoque, no estado do Amap\u00e1. O objetivo da atividade \u00e9 identificar e avaliar a exist\u00eancia de reservas de petr\u00f3leo e\/ou g\u00e1s na \u00e1rea dos blocos. A partir da avalia\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os, outras atividades poder\u00e3o ocorrer futuramente na \u00e1rea, sujeitas tamb\u00e9m a a\u00e7\u00f5es de licenciamento ambiental junto ao Ibama\u201d, afirmou a Total.<\/p>\n<p>Em nota, a Total disse que a empresa conduziu caracteriza\u00e7\u00e3o ambiental e que os resultados dos estudos mostraram que n\u00e3o h\u00e1 ecossistemas recifais dentro da \u00e1rea dos blocos operados por ela. \u201cAs atividades de perfura\u00e7\u00e3o somente ser\u00e3o iniciadas ap\u00f3s a Total receber a licen\u00e7a ambiental do Ibama, ainda em an\u00e1lise por este \u00f3rg\u00e3o\u201d, acrescentou a nota.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por meio de nota, a BP disse que pesquisa realizada pela empresa n\u00e3o detectou nenhum sinal dos recifes na \u00e1rea de seu bloco de explora\u00e7\u00e3o. Segundo a empresa, \u201cem todas suas opera\u00e7\u00f5es de perfura\u00e7\u00e3o o principal foco da BP \u00e9 com a preven\u00e7\u00e3o de vazamentos de petr\u00f3leo, aplicando as melhores pr\u00e1ticas da ind\u00fastria na seguran\u00e7a, no desenho dos po\u00e7os, na perfura\u00e7\u00e3o e na prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente\u201d.<\/p>\n<p>O cumprimento das opera\u00e7\u00f5es do programa de sua explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo t\u00eam prazo estabelecido pelo contrato de concess\u00e3o at\u00e9 agosto de 2018.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o da Queiroz Galv\u00e3o informou que, para atender ao processo de licenciamento ambiental requerido pelo Ibama, a empresa realizou pesquisa que n\u00e3o apontou a presen\u00e7a de recifes na \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o. De acordo com a empresa, a eventual perfura\u00e7\u00e3o na \u00e1rea dever\u00e1 ocorrer em 2019 e 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camila Bohem O processo de licenciamento ambiental para perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os de petr\u00f3leo na regi\u00e3o da foz do Rio Amazonas, pr\u00f3ximo de onde foi descoberto recentemente um recife de corais, esponjas e rodolitos de 9,5 mil km\u00b2 \u2013 uma \u00e1rea 20% maior que a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo \u2013, est\u00e1 em an\u00e1lise no Instituto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":127745,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-127744","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=127744"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127744\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":127746,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127744\/revisions\/127746"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/127745"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=127744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=127744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=127744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}