{"id":128213,"date":"2017-02-09T00:02:33","date_gmt":"2017-02-09T02:02:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=128213"},"modified":"2017-02-09T08:46:13","modified_gmt":"2017-02-09T10:46:13","slug":"policia-civil-apoia-pm-e-crime-comanda-o-es","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/policia-civil-apoia-pm-e-crime-comanda-o-es\/","title":{"rendered":"Pol\u00edcia Civil ap\u00f3ia greve da PM e crime comanda o ES"},"content":{"rendered":"<div id=\"Corpo\">\n<h6 class=\"Assina\"><strong>Marcio Dolzan e Clarissa Thom\u00e9<\/strong><\/h6>\n<p>A crise da seguran\u00e7a p\u00fablica no Esp\u00edrito Santo, que j\u00e1 deixou pelos menos 95 mortos desde s\u00e1bado, 4, ganhou contornos mais dram\u00e1ticos. A Pol\u00edcia Civil paralisou nesta quarta-feira, 8, as atividades no Estado, suspendendo registros de ocorr\u00eancia e atendimento. A PM manteve o motim e a negocia\u00e7\u00e3o com o Estado, que fala em &#8220;sequestro da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, n\u00e3o avan\u00e7ou ontem.<\/p>\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os pelos civis foi decidida ap\u00f3s a morte do policial Marcelo Albuquerque, de 44 anos, que tentou impedir um assalto em Colatina, na Grande Vit\u00f3ria. Muito emocionada, a mulher do investigador, Patr\u00edcia Albuquerque, segurava o filho mais novo do casal, Kaio, de 8 meses, durante o sepultamento do marido. O mais velho, Kaique, de 8, era consolado por parentes. &#8220;Espero que a mensagem que fique \u00e9 que acabe logo tudo isso que est\u00e1 acontecendo. Hoje foi o meu marido, mas amanh\u00e3 poder\u00e1 ser o familiar de outra pessoa.&#8221;<\/p>\n<p>Pouco antes do an\u00fancio do fechamento de delegacias, o governador licenciado Paulo Hartung (sem partido) disse que n\u00e3o sucumbiria &#8220;\u00e0 chantagem corporativa&#8221;, referindo-se ao motim da Pol\u00edcia Militar, que chega ao sexto dia.<\/p>\n<p>Ele afirmou ainda que n\u00e3o pagar\u00e1 pelo &#8220;resgate&#8221;. &#8220;\u00c9 o mesmo que sequestrar o direito do cidad\u00e3o capixaba. N\u00e3o se pode pagar resgate nem pelo aspecto \u00e9tico nem por uma quest\u00e3o que \u00e9 fundamental na vida dos brasileiros, que \u00e9 a Lei de Responsabilidade Fiscal&#8221;, afirmou o governador, afastado para tratar de tumor na bexiga. Segundo ele, atender \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o dos policiais custaria R$ 500 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Sem dar nomes, Hartung atribuiu a paralisa\u00e7\u00e3o, com base em bloqueios de familiares nas frentes dos quart\u00e9is, a um &#8220;movimento pol\u00edtico&#8221; para desestruturar a administra\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 desumano, inadmiss\u00edvel, que outros interesses pol\u00edticos estejam acima da vida&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><b>Refor\u00e7o &#8211;\u00a0<\/b>Os Minist\u00e9rios da Defesa e da Justi\u00e7a autorizaram a ida de mais 550 militares e 100 agentes da For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a para o Estado. A ajuda federal, solicitada para o refor\u00e7o do policiamento, chega agora a 1.850 homens.<\/p>\n<p>Nesta quarta, \u00f4nibus n\u00e3o circularam e as escolas permaneceram fechadas. Moradores enfrentaram filas de at\u00e9 tr\u00eas horas nos supermercados. Muitas redes limitaram o acesso para evitar saques. Em Cariacica, na Grande Vit\u00f3ria, comerciantes da Avenida Expedito Garcia, conhecido como shopping aberto do Estado, fizeram manifesta\u00e7\u00e3o contra a paralisa\u00e7\u00e3o da PM. &#8220;Queremos trabalhar&#8221;, gritavam.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o sitiadas em casa. Nas regi\u00f5es perif\u00e9ricas, a viol\u00eancia est\u00e1 mais presente. Em alguns bairros existe conflito entre fac\u00e7\u00f5es e h\u00e1 um ajuste de contas nas periferias, com justiceiros atuando&#8221;, afirmou o vereador de Cariacica Celso Andreom (PT). Ele contou que pediu uma pizza e depois ligou para o restaurante, a fim de reclamar da demora. &#8220;Explicaram que o entregador foi assaltado. Levaram a moto, as pizzas e o dinheiro que ele carregava.&#8221;<\/p>\n<p>Por medo da viol\u00eancia, moradores t\u00eam se organizado para fazer a seguran\u00e7a por conta pr\u00f3pria de condom\u00ednios em que vivem. No bairro Colina de Laranjeiras, em Serra, na Grande Vit\u00f3ria, duas tentativas de invas\u00e3o fizeram com que um grupo de 30 pessoas, com aux\u00edlio de PMs que vivem ali, se organizasse para fazer vig\u00edlia durante as madrugadas. At\u00e9 mesmo barricadas s\u00e3o montadas todas as noites em uma rua do entorno.<\/p>\n<p>Desde domingo, homens armados atiraram em um transformador e deixaram a regi\u00e3o sem luz e PMs que vivem no local dispersaram a tiros criminosos que tentavam invadir o condom\u00ednio a tiros. &#8220;A gente tem mais de 40 PMs morando aqui&#8221;, afirma Valdison J\u00fanior, de 31 anos, um dos s\u00edndicos.<\/p>\n<p>A vigil\u00e2ncia come\u00e7a \u00e0s 19 horas e vai at\u00e9 as 6 horas. Anteriormente, eles usavam um lat\u00e3o e peda\u00e7os de madeira para montar uma barricada em uma rua ao lado. &#8220;A gente n\u00e3o fecha a rua. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que os ve\u00edculos diminuam a velocidade quando passam por l\u00e1. Isso dificulta uma fuga&#8221;, explica J\u00fanior.<\/p>\n<p>A cada movimenta\u00e7\u00e3o suspeita, o grupo se comunica com o aux\u00edlio de celulares. At\u00e9 mesmo moradores n\u00e3o envolvidos diretamente com a vigil\u00e2ncia ajudam sempre que observam uma movimenta\u00e7\u00e3o suspeita das janelas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do trabalho volunt\u00e1rio, os moradores do condom\u00ednio pagam R$ 1 mil por dia para quatro seguran\u00e7as profissionais. O pagamento \u00e9 feito com uma vaquinha criada pelos moradores. Suellen Cruz, de 29 anos, \u00e9 mineira e diz que s\u00f3 n\u00e3o deixou o Esp\u00edrito Santo porque \u00e9 s\u00edndica de um dos condom\u00ednios que desde s\u00e1bado realiza a vig\u00edlia. &#8220;Tenho de cuidar de outras fam\u00edlias, mas, se eu n\u00e3o fosse s\u00edndica j\u00e1 tinha ido embora.&#8221;<\/p>\n<p>O condom\u00ednio da advogada Paula Ara\u00fajo Silva, de 43 anos, na Praia do Canto, em Vit\u00f3ria, tamb\u00e9m contratou seguran\u00e7a particular armada. Pelas redes sociais, os vizinhos acionam uns aos outros quando falta rem\u00e9dio ou se precisam de algum item para complementar a despensa.<\/p>\n<p>Tudo para evitar a entrada de entregadores e pessoas estranhas no pr\u00e9dio. Tamb\u00e9m combinaram de manter as luzes de todas as varandas acesas. &#8220;Estamos vivendo como se estiv\u00e9ssemos em pris\u00e3o domiciliar.&#8221;<\/p>\n<p>Eles se cotizaram para pagar R$ 1 mil por 12 horas de seguran\u00e7a privada. Ontem, Paula e os vizinhos fizeram almo\u00e7o coletivo: assaram um carneiro que ela tinha congelado em casa.<\/p>\n<p><b>IML &#8211;\u00a0<\/b>Policiais civis paralisaram as atividades nas delegacias at\u00e9 a meia-noite desta quarta-feira, 8. O servi\u00e7o no Departamento M\u00e9dico Legal, lotado de corpos desde o in\u00edcio do motim, foi mantido. Hoje, delegacias locais permanecer\u00e3o fechadas. Somente as Delegacias Regionais funcionar\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma trag\u00e9dia anunciada e o governador n\u00e3o dialoga&#8221;, afirmou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), Jorge Em\u00edlio Leal.<\/p>\n<p>De acordo com Leal, houve press\u00e3o do governo para que as planilhas sobre mortes violentas deixassem de ser atualizadas. &#8220;O \u00faltimo n\u00famero que n\u00f3s temos \u00e9 de 95 homic\u00eddios, mas n\u00e3o houve atualiza\u00e7\u00e3o desde a manh\u00e3. Isso n\u00e3o significa que as mortes tenham sido interrompidas, pelo contr\u00e1rio: a gente j\u00e1 sabe que pelo menos um PM foi baleado e parece que morreu.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcio Dolzan e Clarissa Thom\u00e9 A crise da seguran\u00e7a p\u00fablica no Esp\u00edrito Santo, que j\u00e1 deixou pelos menos 95 mortos desde s\u00e1bado, 4, ganhou contornos mais dram\u00e1ticos. A Pol\u00edcia Civil paralisou nesta quarta-feira, 8, as atividades no Estado, suspendendo registros de ocorr\u00eancia e atendimento. 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