{"id":128430,"date":"2017-02-11T08:58:44","date_gmt":"2017-02-11T10:58:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=128430"},"modified":"2017-02-11T08:59:37","modified_gmt":"2017-02-11T10:59:37","slug":"djavan-canta-sambas-e-conta-suas-historias-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/djavan-canta-sambas-e-conta-suas-historias-de-vida\/","title":{"rendered":"Djavan canta sambas e conta hist\u00f3rias de vida"},"content":{"rendered":"<p><strong>Julio Maria<\/strong><\/p>\n<p>O samba passa por Djavan banhando os p\u00e9s sem chegar aos joelhos. Sim, ele tem no g\u00eanero um aliado e sua identifica\u00e7\u00e3o primeira se deu, equivocadamente, como um leg\u00edtimo sambista. &#8220;Mas meu samba nunca foi puro, sempre misturei muito com jazz, bolero, outras coisas&#8221;, ele diz. As cerca de 140 rodas do Rio de Janeiro lhe estendem tapete vermelho, sambistas de toda estirpe regravam seu material e, basta lembrar, foram Flor de Lis, Fato Consumado e mais seis sambas que puxaram seu nome no palheiro dos anos 1970 por meio de seu primeiro disco.<\/p>\n<p>&#8220;Ah, aquele \u00e1lbum que lancei (A Voz, O Viol\u00e3o, A M\u00fasica de Djavan, de 1976) veio com oito sambas. Quando vi que o produtor Aloysio de Oliveira havia escolhido assim, fiquei horrorizado. Eu queria mostrar minha diversidade, e ele s\u00f3 me mostrou com sambas.&#8221;<\/p>\n<p>O samba e Djavan estar\u00e3o bem pr\u00f3ximos quando ele faz uma vers\u00e3o mais pop de sua turn\u00ea Vidas Pra Contar para se apresentar pela prov\u00e1vel \u00faltima vez com ela na capital paulista. O show ser\u00e1 incomum na carreira do alagoano. Quem o convida \u00e9 a escola de samba Vai-Vai, que comemora 87 anos de exist\u00eancia no Pavilh\u00e3o de Exposi\u00e7\u00f5es do Anhembi, na zona norte. Os port\u00f5es ser\u00e3o abertos \u00e0s 21h, mas, antes do cantor, se apresentam a bateria da Vai-Vai, Pegada de Macaco e o grupo Turma do Pagode.<\/p>\n<p>Djavan aproveita para refletir sobre o &#8220;seu tempo no samba&#8221;. Ele diz que jamais foi um frequentador de rodas na Lapa do Rio, cidade onde mora desde o in\u00edcio dos anos 70, apesar de saber que \u00e9 reverenciado pelos sambistas. N\u00e3o se considera, assim, um partideiro, mas um m\u00fasico de fortes liga\u00e7\u00f5es com a \u00c1frica. &#8220;Fui a Angola por volta de 1979, 1980, fazer parte de um projeto de inter-rela\u00e7\u00e3o cultural entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Engra\u00e7ado que percebi uma grande afinidade com o tempo dos angolanos, que tamb\u00e9m parece sempre algo improv\u00e1vel.&#8221; A descoberta do quanto o tempo africano dialogava com seu discurso musical o emocionou. &#8220;Quando senti essa identifica\u00e7\u00e3o, cheguei a chorar, pensando que nem tudo estava perdido para mim.&#8221; \u00c9 preciso contextualizar sua emo\u00e7\u00e3o. Mesmo lan\u00e7ando discos com sucessos em potencial a partir de 1976, Djavan sofreu para fazer-se entender. At\u00e9 m\u00fasicos de jazz norte-americanos acreditavam que ele estava errado em suas contagens.<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul tem em Djavan um primeiro nome identific\u00e1vel quando seu povo ouve falar de Brasil. Ele mesmo n\u00e3o sabe o motivo, j\u00e1 que, at\u00e9 hoje, nunca pisou em Johannesburgo ou Cidade do Cabo. &#8220;A internet leva toda a informa\u00e7\u00e3o hoje. Deve ser por isso que me conhecem assim por l\u00e1.&#8221; Ele se esquece de que gravou, em 1986, sua vers\u00f5es para o Hino da \u00c1frica do Sul e o Hino da Juventude Sul-Africana, no \u00e1lbum Meu Lado.<\/p>\n<p>Para o show o m\u00fasico promete uma vers\u00e3o &#8220;mais \u00e1gil&#8221; do repert\u00f3rio que vem mostrando de Vidas Pra Contar. Deve reduzir o n\u00famero de m\u00fasicas do disco novo e apostar em mais cl\u00e1ssicos. Sua banda, ele diz, segue no formato de estrada, com m\u00fasicos como Marcelo Mariano no baixo, Carlos Bala na bateria, Paulo Calasans no teclado, Jo\u00e3o Castilho na guitarra e Walmir Gil, Jess\u00e9 Sadoc e Marcelo Martins nos sopros.<\/p>\n<p>O repert\u00f3rio que deve ter altera\u00e7\u00e3o era mantido com m\u00fasicas como Se n\u00e3o vira jazz, Eu te devoro, Me leve, Linha do Equador, A\u00e7a\u00ed, A rota do indiv\u00edduo (Ferrugem), P\u00e9tala, Oceano, Flor de Lis, Fato Consumado, Lil\u00e1s e Sina.<\/p>\n<p>H\u00e1 algo de generoso na atitude de Djavan em querer o p\u00fablico junto com ele. &#8220;Eu observo o tempo todo para saber o que est\u00e1 acontecendo na plateia. Se n\u00e3o est\u00e1 agradando, mudo o repert\u00f3rio na hora.&#8221; Palco, ele diz, \u00e9 lugar de comunica\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que pregam m\u00fasicos que preferem experi\u00eancias mais desafiadoras e de conex\u00f5es nem sempre garantidas.<\/p>\n<p>O que diz vai contra a ideia de ser o alagoano um ser herm\u00e9tico, de linguagem po\u00e9tica e harm\u00f4nica das mais dif\u00edceis. Confrontado com a famosa frase na m\u00fasica A\u00e7a\u00ed (&#8220;a\u00e7a\u00ed, guardi\u00e3, zum de besouro um \u00edm\u00e3&#8230;&#8221;) ele rebate com o sentido que s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 visto por quem n\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es do contexto que \u00e9 cantado. &#8220;A\u00e7a\u00ed, todos que vivem em Estados do Norte sabem, \u00e9 a subsist\u00eancia de um povo&#8221;, disse ao Estado em entrevista de 2013. Sendo assim, o fruto \u00e9 o guardi\u00e3o daquela regi\u00e3o. Outro trecho estudado de seu repert\u00f3rio \u00e9 o que ele diz: &#8220;O lobo correndo em c\u00edrculo \/ pra alimentar a matilha&#8221;, de Faltando Um Peda\u00e7o. Djavan justifica o uso de matilha, e n\u00e3o alcateia, por motivos fon\u00e9ticos. \u00c9 quando, para ele, entra a liberdade da poesia.<\/p>\n<p>DJAVAN<br \/>\nPavilh\u00e3o de Exposi\u00e7\u00f5es do Anhembi.<br \/>\nAvenida Olavo Fontoura, 1.209, tel. 3266-2581.<br \/>\nR$ 70 \/ R$ 120<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Maria O samba passa por Djavan banhando os p\u00e9s sem chegar aos joelhos. Sim, ele tem no g\u00eanero um aliado e sua identifica\u00e7\u00e3o primeira se deu, equivocadamente, como um leg\u00edtimo sambista. &#8220;Mas meu samba nunca foi puro, sempre misturei muito com jazz, bolero, outras coisas&#8221;, ele diz. 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