{"id":128850,"date":"2017-02-15T08:33:01","date_gmt":"2017-02-15T10:33:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=128850"},"modified":"2017-02-15T08:33:01","modified_gmt":"2017-02-15T10:33:01","slug":"marchas-de-momo-continuam-tema-de-grande-polemica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/marchas-de-momo-continuam-tema-de-grande-polemica\/","title":{"rendered":"Marchas de Momo continuam tema de grande pol\u00eamica"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Julio Maria<\/strong><\/h6>\n<p>As not\u00edcias come\u00e7aram a pular das p\u00e1ginas dos jornais aos poucos, anunciando que estes eram outros carnavais. Alguns blocos no Rio e outros em S\u00e3o Paulo estavam dispostos a n\u00e3o colocar mais m\u00fasicas consideradas incorretas nos repert\u00f3rios. O Cord\u00e3o do Boitat\u00e1, no Rio, decidiu refor\u00e7ar os cuidados diante de sua proibi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o tocar O Teu Cabelo N\u00e3o Nega, de Lamartine Babo. Os versos \u2018mas como a cor n\u00e3o pega, mulata \/ mulata eu quero o teu amor\u2019 seriam os vil\u00f5es de um mundo que n\u00e3o condizia com a realidade.<\/p>\n<p>Antes mesmo de os blocos requentarem a discuss\u00e3o, algumas das 140 rodas de samba do Rio j\u00e1 haviam subido a guarda para can\u00e7\u00f5es consideradas socialmente inadequadas. Ai que Saudades da Am\u00e9lia, que Mario Lago e Ataulfo Alves fizeram em 1942, j\u00e1 est\u00e1 na lista das inexecut\u00e1veis. Surgidos anos depois dos versos sobre a mulher que n\u00e3o tinha a menor vaidade, os olhos verdes da mulata que aparece em Tropic\u00e1lia, de Caetano Veloso, tamb\u00e9m chegaram a ser hostilizados. Ao jornal &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221;, Caetano diz: &#8220;Sou mulato e adoro a palavra mulato: \u00e9 como o pa\u00eds \u00e9 chamado em Aquarela do Brasil, que \u00e9 nosso hino n\u00e3o oficial. Sempre detestei A Cabeleira do Zez\u00e9 por causa do refr\u00e3o &#8220;corta o cabelo dele&#8221;, que \u00e9 repetido como incita\u00e7\u00e3o a um quase linchamento. Mas n\u00e3o tenho vontade de proibir nada.&#8221;<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, alguns blocos se posicionaram a favor do cuidado com o que iriam tocar para n\u00e3o refor\u00e7arem preconceitos. O saxofonista Thiago Fran\u00e7a, do Espetacular Bloco da Charanga do Fran\u00e7a, que sai em Santa Cecilia, explica sua posi\u00e7\u00e3o: &#8220;H\u00e1 um equ\u00edvoco constante em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 tradicional ou cl\u00e1ssico. Tradi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se inventa. O papel do artista \u00e9 sempre criar, sempre retratar seu tempo. Criar coisas novas n\u00e3o tem a ver com negar o passado, aniquilar a tradi\u00e7\u00e3o, acabar com uma cultura, pelo contr\u00e1rio: tem a ver com mant\u00ea-la atual, interessante, dialogar com o espa\u00e7o\/\u00e9poca.&#8221;<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Roberto Kelly tem cerca de 100 marchas carnavalescas, todas longe de padr\u00f5es institu\u00eddos d\u00e9cadas depois de suas composi\u00e7\u00f5es: Cabeleira do Zez\u00e9, Menino Gay, Maria Sapat\u00e3o e Mulata Bossa Nova s\u00e3o algumas. &#8220;Nunca vi um patrulhamento t\u00e3o grande, nem no tempo da ditadura. Carnaval \u00e9 brincadeira, meu querido. A gente goza do careca, do barrigudo, n\u00e3o podemos levar as coisas ao p\u00e9 da letra.&#8221;<\/p>\n<p>Tom Z\u00e9 se assusta quando ouve que sambistas est\u00e3o deixando de tocar Am\u00e9lia. &#8220;Puxa vida, mas ela era uma mulher t\u00e3o dedicada&#8230; Carnaval \u00e9 a \u00e9poca de fazer tudo ao contr\u00e1rio, mas agora querem concertar o mundo.&#8221; Sua mira \u00e9 outra. Tom acaba de fazer uma marcha sobre a opera\u00e7\u00e3o Lava Jato: &#8220;Homologo, logo, homologo \/ mas querem transformar a Lava Jato em Lava R\u00e1pido \/ homologo, logo, homologo \/ e o pa\u00eds nesse teatro \/ pisa num rabo de gato&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e3o querendo mostrar servi\u00e7o no lugar errado&#8221;, diz Djavan. Para ele, a discuss\u00e3o do refor\u00e7o de estere\u00f3tipos precisa passar, antes, pela educa\u00e7\u00e3o. &#8220;O racismo est\u00e1 ligado \u00e0 falta de forma\u00e7\u00e3o, desde sempre.&#8221;<\/p>\n<p>Para Ney Matogrosso, h\u00e1 patrulhamento. Ele lembra que Maria Sapat\u00e3o, por exemplo, n\u00e3o est\u00e1 falando mal da mulher quando diz que &#8220;o sapat\u00e3o est\u00e1 na moda, o mundo aplaudiu \/ \u00c9 um barato, \u00e9 um sucesso \/ dentro e fora do Brasil&#8221;. &#8220;Est\u00e3o gastando energia com coisas desnecess\u00e1rias&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O pesquisador T\u00e1rik de Souza tamb\u00e9m fala: &#8220;Ningu\u00e9m pode ser obrigado a cantar o que n\u00e3o quer. Mas a volta da censura, mesmo que por raz\u00f5es consideradas nobres, \u00e9 algo assustador. O carnaval tem sempre um sentido an\u00e1rquico e caricatural. J\u00e1 pensou se forem revisar tamb\u00e9m as chanchadas da Atl\u00e2ntida, vetar os personagens malvados e politicamente incorretos dos folhetins de TV? Vamos acabar num quartel ou num col\u00e9gio de freiras carmelitas?&#8221; Seu colega de profiss\u00e3o, Ruy Castro, se atenta ao termo &#8220;mulata&#8221;: &#8220;Das dezenas de marchas que falam da mulata, muitas foram compostas por Assis Valente, Wilson Baptista, Haroldo Lobo, a dupla Z\u00e9 e Zilda, Haroldo Barbosa, Monsueto Menezes etc. etc., e lan\u00e7adas por cantores como Orlando Silva, Silvio Caldas, Aracy de Almeida, Carmen Costa, Ciro Monteiro, Moreira da Silva, Jorge Veiga, Angela Maria etc. etc.. Todos mulatos. E n\u00e3o viam nenhum problema nisso.&#8221;<\/p>\n<p>M\u00daSICAS E EXPRESS\u00d5ES NO ALVO<\/p>\n<p><b>Maria Sapat\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A m\u00fasica de Jo\u00e3o Roberto Kelly, feita com a colabora\u00e7\u00e3o de<\/p>\n<p>Chacrinha, foi a mais executada no carnaval de 1981. A express\u00e3o pegou imediatamente.<\/p>\n<p><b>Cabeleira do Zez\u00e9<\/b><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Roberto Kelly e Roberto Faissal compuseram outro hit para todos os carnavais. Sua letra \u00e9 acusada de refor\u00e7ar preconceitos contra gays, sobretudo na parte do &#8220;ser\u00e1 que ele \u00e9, bicha!&#8221;.<\/p>\n<p><b>O Teu Cabelo N\u00e3o Nega<\/b><\/p>\n<p>Lamartine Babo fez uma das mais imortais marchinhas em 1932 com versos como &#8220;o teu cabelo n\u00e3o nega, mulata \/ porque \u00e9s mulata na cor \/ Mas como a cor n\u00e3o pega, mulata \/ mulata, eu quero o teu amor&#8221;.<\/p>\n<p><b>A Pipa do Vov\u00f4<\/b><\/p>\n<p>A marcha de Manoel Ferreira e Ruth Amaral ficou famosa na voz de Silvio Santos em 1987. H\u00e1 int\u00e9rpretes que julgam a letra preconceituosa contra os idosos.<\/p>\n<p><b>Mulata Bossa Nova<\/b><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Roberto Kelly, de novo, faz outra m\u00fasica acusada de racista anos depois. \u00c0 \u00e9poca, n\u00e3o houve nenhuma resist\u00eancia. O problema seria o uso da palavra mulata.<\/p>\n<p><b>Ai, Que Saudades da Am\u00e9lia<\/b><\/p>\n<p>A m\u00fasica de Mario Lago e Ataulfo Alves, de 1942, proibida em algumas rodas de samba do Rio de Janeiro, refor\u00e7aria aimagem do machista e da mulher ultra submissa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Maria As not\u00edcias come\u00e7aram a pular das p\u00e1ginas dos jornais aos poucos, anunciando que estes eram outros carnavais. Alguns blocos no Rio e outros em S\u00e3o Paulo estavam dispostos a n\u00e3o colocar mais m\u00fasicas consideradas incorretas nos repert\u00f3rios. 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