{"id":129090,"date":"2017-02-17T16:10:28","date_gmt":"2017-02-17T18:10:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=129090"},"modified":"2017-02-17T20:05:36","modified_gmt":"2017-02-17T22:05:36","slug":"supremo-lanca-bombardeio-contra-o-foro-privilegiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/supremo-lanca-bombardeio-contra-o-foro-privilegiado\/","title":{"rendered":"Supremo lan\u00e7a bombardeio contra o foro privilegiado"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Breno Pires e Rafael Moraes Moura<\/strong><\/h6>\n<p>O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira, 17, ter uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre o foro privilegiado e disse que a Corte deve debater o alcance da prerrogativa, conforme proposto pelo ministro Lu\u00eds Roberto Barroso.<\/p>\n<p>Mas a principal quest\u00e3o \u00e9 saber se pode, o Supremo, mudar a interpreta\u00e7\u00e3o sobre a Constitui\u00e7\u00e3o ou se uma altera\u00e7\u00e3o teria de ser feita pelo Poder Legislativo. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal, no artigo 102, al\u00ednea B, diz que compete ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar, nas infra\u00e7\u00f5es penais comuns, o presidente da Rep\u00fablica, o vice-presidente, os membros do Congresso Nacional, o procurador-geral da Rep\u00fablica e os pr\u00f3prios ministros do STF.<\/p>\n<p>Barroso defendeu que o STF limite o foro privilegiado a casos relacionados a acusa\u00e7\u00f5es por crimes cometidos durante e em raz\u00e3o do exerc\u00edcio do cargo. Afirmando que &#8220;o sistema \u00e9 feito para n\u00e3o funcionar&#8221; e que o foro por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o &#8220;se tornou uma pervers\u00e3o da Justi\u00e7a&#8221;, ele decidiu levar a discuss\u00e3o para o plen\u00e1rio a fim de que seja fixado um entendimento.<\/p>\n<p>Fachin comentou que o Supremo vai discutir a quest\u00e3o. &#8220;Eu, j\u00e1 de h\u00e1 muito tempo, tenho subscrito uma vis\u00e3o cr\u00edtica do chamado foro privilegiado, por entend\u00ea-lo incompat\u00edvel com o princ\u00edpio republicano, que \u00e9 o programa normativo que est\u00e1 na base da Constitui\u00e7\u00e3o brasileira&#8221;, disse \u00e0 imprensa, ap\u00f3s mediar uma palestra do ministro da Corte Suprema de Justi\u00e7a da Argentina, Ricardo Lorenzetti, no STF.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o, todavia, que se coloca \u00e9 saber se essa altera\u00e7\u00e3o pode ser feita por uma mudan\u00e7a de interpreta\u00e7\u00e3o constitucional ou se ela demanda uma altera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do Poder Legislativo&#8221;, disse Fachin. &#8220;Esse \u00e9 o debate que o Supremo vai enfrentar para saber se h\u00e1 espa\u00e7o para interpreta\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, na proposta feita no sentido de que o foro compreenderia apenas os eventuais il\u00edcitos praticados no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o e n\u00e3o abrangeria os il\u00edcitos praticados anteriormente&#8221;, disse Fachin, citando uma tese que \u00e9 defendida pelo ministro Barroso e j\u00e1 foi pregada pelo ministro Celso de Mello no passado.<\/p>\n<p>Sobre a posi\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 dentro desse debate espec\u00edfico, Edson Fachin despistou. &#8220;Na Corte, de um modo geral, tenho me inclinado por uma posi\u00e7\u00e3o de maior conten\u00e7\u00e3o do tribunal&#8221;, disse Fachin &#8211; a conten\u00e7\u00e3o, neste caso, seria deixar que o Congresso fizesse altera\u00e7\u00f5es na lei, e n\u00e3o o Supremo. &#8220;Mas n\u00f3s vamos examinar a proposta e, no momento certo, vamos debater&#8221;, disse.<\/p>\n<p><b>Atua\u00e7\u00e3o do juiz &#8211;\u00a0<\/b>Um dos temas abordados na palestra de Ricardo Lorenzetti &#8211; que abordou um conjunto de casos apreciados pela Suprema Corte da Argentina &#8211; foi a discuss\u00e3o sobre o ativismo judicial. Ap\u00f3s o evento, comentando o assunto, Fachin disse que tanto na Argentina como no Brasil &#8220;as pessoas individual ou coletivamente t\u00eam procurado o Poder Judici\u00e1rio buscando a concretiza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que n\u00e3o s\u00e3o realizadas por defici\u00eancia ou in\u00e9rcia do gestor p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n<p>O ministro do STF defendeu que, de maneira geral, o Judici\u00e1rio pode sancionar, aplicar san\u00e7\u00f5es, ou mesmo fazer recomenda\u00e7\u00f5es. &#8220;A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 saber se o Poder Judici\u00e1rio pode, ao lado de sancionar essa aus\u00eancia de pol\u00edtica p\u00fablica, ele mesmo converter-se ainda que de uma maneira at\u00edpica em um gestor p\u00fablico. Eu tenho entendido de maneira geral que o Judici\u00e1rio pode sancionar, aplicar san\u00e7\u00f5es, ou mesmo fazer recomenda\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Fachin.<\/p>\n<p>&#8220;O Supremo est\u00e1 debatendo, por exemplo, este tema na quest\u00e3o das drogas. Em meu voto, cheguei a propor um observat\u00f3rio para acompanhar nos pr\u00f3ximos 5 anos as consequ\u00eancias da decis\u00e3o que viermos a tomar, seja ela qual for. Portanto, entendo que o Poder Judici\u00e1rio pode efetivamente sancionar, indicar, exortar ao legislador, mas tamb\u00e9m tenho entendido que, em defer\u00eancia ao legislador, n\u00e3o deve o juiz converter-se em um gestor p\u00fablico. Esse \u00e9 um limite entre constitucionaliza\u00e7\u00e3o de direitos e ativismo. O juiz hoje \u00e9 um juiz constitucional, mas deve ter como limite a defer\u00eancia ao Legislativo e ao Executivo&#8221;, disse Fachin.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Breno Pires e Rafael Moraes Moura O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira, 17, ter uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre o foro privilegiado e disse que a Corte deve debater o alcance da prerrogativa, conforme proposto pelo ministro Lu\u00eds Roberto Barroso. 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