{"id":129287,"date":"2017-02-19T07:50:57","date_gmt":"2017-02-19T10:50:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=129287"},"modified":"2017-02-19T07:52:17","modified_gmt":"2017-02-19T10:52:17","slug":"saem-as-olarias-da-papuda-e-entra-sao-sebastiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/saem-as-olarias-da-papuda-e-entra-sao-sebastiao\/","title":{"rendered":"Saem as olarias da Papuda para dar lugar a S. Sebasti\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Um dos pioneiros, Antonio Soares Ferreira, de 70 anos, veio de Patos de Minas com os pais para trabalhar nas olarias. O ritmo nas pipas \u2013 locais de socar o barro \u2013 e nos fornos era fren\u00e9tico. Sua m\u00e3e, Rita, n\u00e3o resistiu \u00e0 precariedade do lugar e voltou doente para Minas, onde logo morreu. Como a \u00e1rea era concess\u00e3o do governo a empres\u00e1rios para produzir tijolos, funcion\u00e1rios que moravam nas terras das olarias s\u00f3 podiam construir casas improvisadas de madeira e madeirite.<\/p>\n<p>Nas olarias, Antonio conheceu Leontina Caldeira, hoje com 62 anos, mineira de Una\u00ed, que trabalhava de dom\u00e9stica nas casas dos primeiros funcion\u00e1rios p\u00fablicos de Bras\u00edlia. Tiveram sete filhos. Foi uma \u00e9poca \u00e1spera. Tempos depois, o governo construiu na regi\u00e3o o Pres\u00eddio da Papuda. A \u00e1rea das olarias foi batizada de Agrovila S\u00e3o Sebasti\u00e3o. L\u00e1 viviam pouco mais de dez mil pessoas.<\/p>\n<p>Foi nos anos 1980, quando moradores de outras cidades montaram barracos ao redor das olarias, que Antonio realizou o sonho de abrir o pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Comprou um burro para amassar barro, construiu um forno e p\u00f4s os filhos para ajudar. A Olaria Veredas virou um lugar de resist\u00eancia num cen\u00e1rio de invas\u00f5es e destrui\u00e7\u00e3o de fontes de \u00e1guas e de parte do buritizal que deu nome ao pequeno empreendimento.<\/p>\n<p>Ele tinha medo de fazer uma casa de tijolo e o governo lhe tomar a olaria. H\u00e1 menos de dois anos, Antonio achou que era hora de fazer a constru\u00e7\u00e3o. \u201cCheguei rapaz, quando Bras\u00edlia estava em constru\u00e7\u00e3o. At\u00e9 hoje nunca deixou de crescer\u201d, observa. \u201cVai mudando muito. Onde h\u00e1 crescimento, h\u00e1 benef\u00edcio e malef\u00edcio. Para uma cidade em constru\u00e7\u00e3o, vem gente de todo jeito. N\u00e3o tem como separar o joio do trigo.\u201d<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, hoje com cem mil habitantes, veredas que haviam sobrevivido \u00e0 expans\u00e3o urbana acabaram invadidas. Numa delas surgiu a Vila Green. Fam\u00edlias sem renda vindas de v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds montaram barracos e casas de tijolo em aterros improvisados na \u00e1rea alagada. Buritis servem de apoio a caixas d\u2019\u00e1gua. O pedreiro paraense Ant\u00f4nio Souza, 50 anos, e a diarista e bab\u00e1 maranhense Raimunda Nonato de Castro Magalh\u00e3es, 46, moram com seis crian\u00e7as numa casa sem reboco ao lado da vereda. \u201cTem duas semanas que n\u00e3o aparece um bico\u201d, relata Ant\u00f4nio. \u201cA crise complicou.\u201d A fam\u00edlia sobrevive com uma bolsa paga pelo governo a um dos filhos, que sofre problema de sa\u00fade. O casal teme ficar sem teto, pois o governo do Distrito Federal tem demolido casas em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos pioneiros, Antonio Soares Ferreira, de 70 anos, veio de Patos de Minas com os pais para trabalhar nas olarias. 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