{"id":129307,"date":"2017-02-19T09:06:03","date_gmt":"2017-02-19T12:06:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=129307"},"modified":"2017-02-19T09:06:03","modified_gmt":"2017-02-19T12:06:03","slug":"com-travessia-de-volta-ao-palco-cacando-si-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/com-travessia-de-volta-ao-palco-cacando-si-mesmo\/","title":{"rendered":"Com Travessia de volta ao palco, ca\u00e7ando a si mesmo"},"content":{"rendered":"<div id=\"Corpo\">\n<h6 class=\"Assina\"><strong>Renato Vieira<\/strong><\/h6>\n<h6 class=\"Assina\">Milton Nascimento deixou o viol\u00e3o de lado por uns tempos. Na manh\u00e3 de sexta-feira passada, 10, pegou o instrumento e cantou Ca\u00e7ador de Mim, momento registrado em v\u00eddeo e postado em suas redes sociais. A m\u00fasica de Luiz Carlos S\u00e1 e S\u00e9rgio Magr\u00e3o, que ele tomou para si em antol\u00f3gica grava\u00e7\u00e3o no \u00e1lbum hom\u00f4nimo de 1981, ilustra bem a vitalidade do compositor a caminho de seu anivers\u00e1rio de 75 anos, em outubro.<\/h6>\n<h6 class=\"Assina\">Um m\u00eas especial, que tamb\u00e9m marca os 50 anos de lan\u00e7amento de Travessia, no Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o. &#8220;Agora, sinto que estou me ca\u00e7ando de novo. Daqui da varanda de casa, tenho o prazer de ver bem de perto as montanhas, as nuvens e as \u00e1rvores. Estou muito feliz de estar de volta&#8221;, diz Milton nesta entrevista exclusiva.<\/p>\n<p>Carioca criado em Tr\u00eas Pontas, no sul de Minas, Milton \u00e9 a principal refer\u00eancia musical do Estado. Ele deixou o Rio de Janeiro, onde morava desde os anos 1980, h\u00e1 nove meses, quando se mudou para Juiz de Fora. Augusto Kesrouani, seu filho adotivo e respons\u00e1vel por sua carreira, estuda na cidade. Desde fevereiro de 2016, o compositor est\u00e1 distante dos palcos. Ao retomar o contato com suas ra\u00edzes, decidiu voltar para a estrada com o show Semente da Terra. A primeira apresenta\u00e7\u00e3o ocorre no Pal\u00e1cio das Artes, em Belo Horizonte, no dia 25 de mar\u00e7o. Os ingressos j\u00e1 est\u00e3o \u00e0 venda.<\/p>\n<p>O repert\u00f3rio foi montado por Danilo Nuha, seu assessor de imprensa, que escolheu cl\u00e1ssicos do compositor com conota\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais. A quest\u00e3o ind\u00edgena, racismo, trabalho, e mobiliza\u00e7\u00e3o social d\u00e3o a t\u00f4nica das can\u00e7\u00f5es. O nome do espet\u00e1culo, que deve passar por S\u00e3o Paulo no in\u00edcio do segundo semestre, \u00e9 o mesmo que Milton recebeu de lideran\u00e7as espirituais da tribo guarani-caiov\u00e1 depois de uma apresenta\u00e7\u00e3o em Campo Grande. Sua rela\u00e7\u00e3o com os \u00edndios \u00e9 antiga e gerou at\u00e9 um disco, Txai (1990), com o objetivo de apoiar a Alian\u00e7a dos Povos da Floresta.<\/p>\n<p>Para Milton, Semente da Terra \u00e9 um show em que ele se coloca diante das injusti\u00e7as e das turbul\u00eancias contempor\u00e2neas. &#8220;O mundo todo t\u00e1 danado. Esse show tem muito a ver com o que a gente sempre pensou e continua pensando da vida. \u00c9 pol\u00edtico, mas n\u00e3o \u00e9 panflet\u00e1rio. Acho que o ser humano foi feito pra ser feliz, viver e criar, o que est\u00e1 ficando dif\u00edcil para todo mundo&#8221;. Ele diz que uma das raz\u00f5es que o levou a sair do Rio \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel da cidade. &#8220;O Rio \u00e9 uma cidade linda, que eu adoro, e estou muito triste com o que acontece l\u00e1. Eu j\u00e1 n\u00e3o conseguia me sentir \u00e0 vontade e n\u00e3o sa\u00eda de casa&#8221;.<\/p>\n<p>A estrada tamb\u00e9m cansou Milton, que teve de adiar e cancelar apresenta\u00e7\u00f5es por motivos de sa\u00fade entre 2014 e 2015. Em Juiz de Fora, ele leva uma rotina tranquila e saud\u00e1vel. Faz exerc\u00edcios, v\u00ea novelas e recebe amigos e admiradores como a cantora Gal Costa e o ator Alexandre Nero. Revigorado, quis se reencontrar com o p\u00fablico.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 um tempo atr\u00e1s, eu estava meio sem querer mexer com essas coisas, mas agora estou querendo. Eu e meu filho come\u00e7amos a tocar umas m\u00fasicas aqui em casa e isso d\u00e1 uma saudade enorme do povo&#8221;, conta ele. Os coment\u00e1rios com pedidos de shows s\u00e3o frequentes em suas redes sociais, incentivo extra para a montagem de Semente da Terra.<\/p>\n<p>Admirador de vozes femininas, Milton convidou a cantora mineira B\u00e1rbara Barcellos, que prepara seu primeiro \u00e1lbum, para participar do show. Ela foi apresentada ao compositor pelos irm\u00e3os Wilson, diretor musical de Semente da Terra, e Beto Lopes, que o acompanham h\u00e1 anos. &#8220;Recebi um disco em que ela cantava m\u00fasicas minhas e achei lindo demais. Quando fomos chamar o pessoal pra fazer parte desse show, a gente quis que ela estivesse conosco.&#8221;<\/p>\n<p>Como disse Fernando Brant em uma c\u00e9lebre m\u00fasica com Milton, a vida \u00e9 feita de encontros, mas tamb\u00e9m de despedidas. Falar das recentes mortes de um de seus principais letristas e do percussionista Nan\u00e1 Vasconcelos o emociona. Milton conta que Brant, seis meses antes de morrer, foi visit\u00e1-lo com Ronaldo Bastos, outro parceiro constante.<\/p>\n<p>Naquele dia, Brant iria contar que tinha um tumor no f\u00edgado. N\u00e3o teve coragem. &#8220;Saber disso foi um baque. Eu e ele pens\u00e1vamos juntos, foi uma pessoa maravilhosa que passou pela minha vida. Quando o conheci, ele n\u00e3o fazia letra. A primeira da vida dele foi Travessia, que ele s\u00f3 fez porque eu insisti&#8221;.<\/p>\n<p>Com Nan\u00e1, que participou de discos hist\u00f3ricos como Milton (1970) e Milagre dos Peixes (1973), Milton tentou estabelecer contato por telefone durante uma interna\u00e7\u00e3o do percussionista, que dava gargalhadas do outro lado da linha. &#8220;Nem deu para conversarmos direito. Ele era uma loucura, tudo de bom que uma pessoa pode ser. Al\u00e9m de ser um dos maiores percussionistas que eu j\u00e1 vi na vida, conhecia tudo da m\u00fasica do mundo inteiro&#8221;, afirma Milton.<\/p>\n<p>Reconhecido como um compositor de linguagem universal, Milton \u00e9 reverenciado no exterior desde o lan\u00e7amento do disco Courage (1969), produzido por Creed Taylor, com arranjos de Eumir Deodato. Em maio do ano passado, ele foi a Boston receber o t\u00edtulo de Doutor Honoris Causa na Berklee College of Music, &#8220;em reconhecimento \u00e0s suas muitas realiza\u00e7\u00f5es e conquistas na carreira. Sua m\u00fasica tem influenciado gera\u00e7\u00f5es de m\u00fasicos e enriquecer\u00e1, para sempre, a m\u00fasica popular&#8221;, afirma a carta enviada a ele pela institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele diz que aceitou o convite mineiramente desconfiado. &#8220;Uma vez, dois caras de l\u00e1 vieram tocar comigo. A\u00ed comecei a pensar que o pessoal de l\u00e1 era muito cheio de pompa, nem gostava que falassem pra mim da escola. Chegando l\u00e1, vi que n\u00e3o era nada do que eu estava pensando. A escola n\u00e3o tem nada a ver com as pessoas, a pessoa \u00e9 a pessoa&#8221;. Na Berklee, Milton recebeu um diploma e viu uma apresenta\u00e7\u00e3o dos formandos tocando suas composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois de reouvir suas grava\u00e7\u00f5es antigas e voltar a tocar viol\u00e3o e piano, Milton j\u00e1 pensa em compor. Diz que as ideias j\u00e1 est\u00e3o na cabe\u00e7a e as melodias saem naturalmente. &#8220;Acho que agora j\u00e1 d\u00e1 para come\u00e7ar de novo, sabe? Est\u00e1 do jeito que eu gosto e isso d\u00e1 uma inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo. \u00c9 um barato&#8221;. Milton j\u00e1 n\u00e3o quer parar.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renato Vieira Milton Nascimento deixou o viol\u00e3o de lado por uns tempos. 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