{"id":129378,"date":"2017-02-20T07:23:07","date_gmt":"2017-02-20T10:23:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=129378"},"modified":"2017-02-20T07:23:07","modified_gmt":"2017-02-20T10:23:07","slug":"deixe-que-as-criancas-aprendam-seguir-seus-passos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/deixe-que-as-criancas-aprendam-seguir-seus-passos\/","title":{"rendered":"Deixe que as crian\u00e7as aprendam a seguir seus passos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Hellen Reis Mour\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o e Maria \u00e9 um conto de fadas que foi coletado da tradi\u00e7\u00e3o oral e transcrito pelos irm\u00e3os Grimm. E \u00e9 um conto bastante popular, principalmente entre as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s carregamos uma imagem interna do que \u00e9 a m\u00e3e, e n\u00f3s nos confrontamos com essa imagem a todo o momento em nossas vidas. E essa imagem carrega em si o lado bom, protetor, afetuoso, que nos enche de carinho e prazer e o outro lado sombrio que \u00e9 o da fome, do sofrimento e at\u00e9 da morte.<\/p>\n<p>E esse lado sombrio \u00e9 retratado nos contos de fadas, como uma madrasta, uma bruxa, uma feiticeira. Mas a verdade \u00e9 que podemos encontrar os dois lados juntos em uma mesma pessoa. E o conto Jo\u00e3o e Maria trata do processo de encarar o lado terr\u00edvel da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Enquanto beb\u00eas, nossas m\u00e3es nos alimenta e nos carrega no colo, mas quando crescemos deixamos de ser ninados e temos que passar a ser independentes. E isso traz uma sensa\u00e7\u00e3o de abandono, que faz com que olhemos para nossas m\u00e3es como bruxas.<\/p>\n<p>Infelizmente aquela m\u00e3e protetora, que coloca no colo deve desaparecer para que a crian\u00e7a encontre seu pr\u00f3prio valor e se desenvolva como personalidade pr\u00f3pria no mundo, sen\u00e3o ela ser\u00e1 um brinquedinho e uma extens\u00e3o da m\u00e3e.<\/p>\n<p>O fato da fam\u00edlia no conto passar fome significa que a m\u00e3e n\u00e3o pode mais dar o alimento, que \u00e9 o colinho. A comida \u00e9 apenas um s\u00edmbolo de que o individuo sente fome de novas viv\u00eancias. Jo\u00e3o e Maria est\u00e3o crescendo e precisam ter novas experi\u00eancias e contato com o mundo. Isso pode ocorrer com a ida \u00e0 escola, onde a crian\u00e7a pode se sentir abandonada pela m\u00e3e e a v\u00ea-la como fria e cruel.<br \/>\nQuando a ingenuidade e o lado infantil v\u00e3o embora, para que o lado adulto, e astuto, tome conta<br \/>\nOutro ponto importante a ser analisado \u00e9 o fato de termos um casal de crian\u00e7as como protagonista. Maria \u00e9 a t\u00edpica menininha que chora e Jo\u00e3o \u00e9 aquele que tenta resolver os problemas. Na verdade, sem entrar no m\u00e9rito da quest\u00e3o dos g\u00eaneros, esses dois lados est\u00e3o presentes em n\u00f3s. Independente do nosso sexo, por vezes, em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, podemos sentir vontade de chorar, mas ao mesmo tempo podemos sentir algo pulsando em n\u00f3s querendo resolver a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A floresta, em geral, \u00e9 um s\u00edmbolo do inconsciente, aqui no conto podemos afirmar que quando a crian\u00e7a vai para o mundo, automaticamente ela passa a separar o que \u00e9 mundo interno e externo. A consci\u00eancia separa os opostos, antes ela vivia em um estado de plenitude, mas agora enfrenta as demandas do mundo externo e do seu mundo interno inconsciente.<\/p>\n<p>Nesse instante, eles encontram a casa de doces e a bruxa. A bruxa se mostra bondosa e generosa, mas sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 devorar as crian\u00e7as. Agora que a crian\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 mais sob os bra\u00e7os da m\u00e3e, ela ter\u00e1 de lidar com a figura interna da m\u00e3e terr\u00edvel, uma figura arquet\u00edpica presente no inconsciente coletivo. Ela \u00e9 cega, portanto ela n\u00e3o quer ver que as crian\u00e7as est\u00e3o crescendo, ela quer \u201ccom\u00ea-los\u201d, devor\u00e1-los simbolicamente, para que voltem ao seu ventre e n\u00e3o cres\u00e7am. \u00c9 um aspecto regressivo nosso que anseia voltar para a barriga da mam\u00e3e.<\/p>\n<p>Mas observem que ela quer comer o menino e a menina lhe serve como escrava. Ou seja, seu animus deve continuar fraco e infantil, entretanto ao passo que ela deseja destru\u00ed-lo ela acaba fortalecendo mais seu lado masculino. Ao lhe dar mais comida, ele adquire mais for\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 a menina que engana a bruxa e a faz cair dentro do forno. Ou seja, a menina que vivia chorando agora adquiriu objetividade e ast\u00facia. A ingenuidade foi embora, o lado infantil que se apavora agora confia em seus instintos (isso fica claro quando Maria adquire uma sensatez em rela\u00e7\u00e3o ao cisne, seu lado animal, fazendo com que ele leve um de cada vez ao outro lado da margem do lago).<\/p>\n<p>As crian\u00e7as finalmente voltam para casa, agora trazendo as riquezas encontradas em seu inconsciente e compreendendo que foi necess\u00e1rio cortar o cord\u00e3o umbilical para que pudessem amadurecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hellen Reis Mour\u00e3o Jo\u00e3o e Maria \u00e9 um conto de fadas que foi coletado da tradi\u00e7\u00e3o oral e transcrito pelos irm\u00e3os Grimm. E \u00e9 um conto bastante popular, principalmente entre as crian\u00e7as. 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