{"id":130123,"date":"2017-02-25T22:27:04","date_gmt":"2017-02-26T01:27:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=130123"},"modified":"2017-02-26T09:53:49","modified_gmt":"2017-02-26T12:53:49","slug":"respeite-quem-pode-chegar-onde-gente-chegou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/respeite-quem-pode-chegar-onde-gente-chegou\/","title":{"rendered":"Respeite quem p\u00f4de chegar onde a gente chegou, viu?!"},"content":{"rendered":"<p><strong>Eduardo Monteiro<\/strong><\/p>\n<p>E chegou o carnaval! \u00c9, aquele mesmo carnaval que os historiadores at\u00e9 hoje divergem sobre suas origens. Teria nascido h\u00e1 mais de 10 mil anos antes de Cristo, tendo como ber\u00e7o os cultos agr\u00e1rios da antiguidade; seria de data mais recente, vindo ao mundo pelos bra\u00e7os de Is\u00eds e do boi \u00c1pis entre os eg\u00edpcios, nas alegres festas pag\u00e3s; ou ainda, estaria na conta dos hebreus, com suas bacanais, lupercais e saturnais da gloriosa Roma antiga?<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria nos envolve e nos fascina, ao mesmo tempo que se repete, com suas pr\u00f3prias leis c\u00edclicas, trazendo, por vezes, d\u00favidas sobre datas, personagens e epis\u00f3dios. Quem teria feito o qu\u00ea, quando, como e onde?<\/p>\n<p>Mas se h\u00e1 d\u00favidas e diverg\u00eancias quanto a mais prov\u00e1vel origem dos festejos carnavalescos e como eles foram se consolidando enquanto &#8220;eventos rituais&#8221;, seu &#8220;nascimento&#8221;, aqui no Brasil, parece mais ou menos pacificado e sua principal influencia, atribu\u00edda \u00e0 chegada da Miss\u00e3o Art\u00edstica Francesa em 1818, que teve em Debret, o seu principal &#8220;porta-voz&#8221;.<\/p>\n<p>O Entrudo era a denomina\u00e7\u00e3o dos festejos populares no Brasil, que nem de longe lembravam a sofistica\u00e7\u00e3o e o requinte dos festejos realizados no continente europeu, de onde vinham influ\u00eancias do colonizador. A partir de 22 de janeiro de 1840, com a realiza\u00e7\u00e3o no Hotel It\u00e1lia, no Largo do Rocio, teria lugar o primeiro baile do carnaval carioca, denominado &#8220;Baile de M\u00e1scaras&#8221;.<\/p>\n<p>A novidade prosperou. Vieram bailes cada vez mais suntuosos, grandes sociedades, clubes carnavalescos, corsos, ranchos, blocos, cord\u00f5es; era a &#8220;organiza\u00e7\u00e3o e compartimenta\u00e7\u00e3o&#8221; do carnaval se estabelecendo, a princ\u00edpio sem um r\u00edtimo musical pr\u00f3prio, se cantava, dan\u00e7ava ao som de v\u00e1rios ritmos musicais, com destaque para a Polca. Em 1846, surge uma sociedade chamada &#8220;Constante Polca&#8221;, que se encarrega dos bailes.<\/p>\n<p>A polca, que nos anos pr\u00f3ximos a 1917, l\u00e1 na Cidade Nova, em Casa de Tia Ciata, esteve tamb\u00e9m presente na mistura contida no bal\u00e3o de ensaio que mesclou maxixe, batuque africano, tango e outros ritmos, pelas m\u00e3os dos &#8220;alquimistas&#8221; Donga, Pixinguinha, Jo\u00e3o da Baiana, Heitor do Prazeres, Caninha, Mauro de Almeida e outros, que concluiram o formid\u00e1vel experimento conhecido como Samba.<\/p>\n<p>Esse tal de samba, ao lado das marchinhas, que tiveram como pioneira a famosa &#8220;\u00d3 Abre Alas&#8221;, de Chiquinha Gonzaga, composta em 1899 e tida como a primeira marchinha carnavalesca, seguiu abrindo seus pr\u00f3prios caminhos, at\u00e9 o ano de 1929, quando se realiza na casa de Z\u00e9 Espinguela,consagrado pai de santo e jornalista, no bairro de Engenho de Dentro, o primeiro concurso-n\u00e3o desfile- de escolas de samba, vencido pela Portela. Em 1932 o jornal do Sports organiza o desfile. E a partir de 1935, o prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, oficializa o que viria a ser chamado de o &#8220;Maior Espet\u00e1culo da Terra&#8221;.<\/p>\n<p>Esse espet\u00e1culo contagiou o mundo, uniu fronteiras, aproximou e apoiou &#8220;parentes&#8221; pr\u00f3ximos como o frevo, a toada carnavalesca, o coco, o maracatu, o ax\u00e9 e tantos outros a romperem barreiras e tamb\u00e9m brilharem no exterior. Desde sempre, ningu\u00e9m resiste \u00e0 musicalidade brasileira.<\/p>\n<p>O carnaval tem resistido \u00e0s mais absurdas e inescrupulosas tentativas de &#8220;doutrina\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o&#8221;, quer seja pelos grandes conglomerados financeiros que s\u00f3 visam o lucro, e se licham para a integridade cultural; quer seja pelos grandes grupos de comunica\u00e7\u00e3o, que querem \u00e9 ter audi\u00eancia, pouco se importando com a qualidade de sua programa\u00e7\u00e3o. Que talvez possamos chamar de verdadeira &#8220;Lei do C\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Voltando no tempo at\u00e9 o final dos anos 1950 e in\u00edcio de 1960, encontramos um cen\u00e1rio onde o samba era o protagonista como elemento art\u00edstico e cultural brasileiro. A ponto de ser componente indispens\u00e1vel na bagagem dos pioneiros que chegaram para realizar o sonho de JK, vindo de todos os cantos: a Nova Capital.<\/p>\n<p>O samba floresceu na Nova Capital. O Salgueiro veio antes mesmo da inaugura\u00e7\u00e3o, para saldar os 57 anos de JK e Natal da Portela passou por aqui para aben\u00e7ar a ARUC. Os glamourosos desfiles de fantasias, tiveram no Teatro Nacional e Hotel Nacional a presen\u00e7a de refer\u00eancias nacionais como Cl\u00f3vis Bornay, Ilza Carla, Evandro de Castro Lima, Mauro Rosas e outros. Uma verdadeira legi\u00e3o de art\u00edstas de v\u00e1rios segmentos prestigiavam Bras\u00edlia: a Capital da Esperern\u00e7a.<\/p>\n<p>Os desfiles de escolas de samba cresciam e as agremia\u00e7\u00f5esse se fortaleciam, mesmo com a inconst\u00e2ncia do local de desfiles e a imprevisibilidade da subven\u00e7\u00e3o. Os desfiles das escolas de samba j\u00e1 foram realizados na Rodovi\u00e1ria, W3 Sul, Eixo Sul, Torre de TV, Aut\u00f3dromo, Taguatinga, Ceil\u00e2ndia, Estacionamento do Gin\u00e1sio Nilson Nelson&#8230;Viajante, mambembe, andarilho&#8230;<\/p>\n<p>O atual governo, no entanto, resolveu dificultar um pouco mais as coisas para as j\u00e1 combalidas escolas de samba do DF. Imp\u00f4s um in\u00e9dito jejum de 3 anos sem desfiles; criou mecanismos fiscais para apoiar apenas blocos de rua; desconsiderou estudiosos e pesquisadores do assunto em Bras\u00edlia; contratou como consultor um &#8220;aprediz de feiticeiro&#8221;, como se fosse o &#8220;M\u00e1gico de OZ&#8221;.<\/p>\n<p>A magia do carnaval que tanto encanta, alegra e produz desenvolvimento social, na capital do pa\u00eds \u00e9 apenas um punhado de areia a escorrer pelos dedos e m\u00e3os in\u00e1beis de presun\u00e7osos e incompetentes gestores da cultura. Estamos no meio do deserto. As escolas fazendo &#8220;ponta&#8221; nas apresenta\u00e7\u00f5es dos blocos. Os dirigentes, lenientes, infelizmente&#8230; Essa \u00e9 a pat\u00e9tica cena contempor\u00e2nea do carnaval de Bras\u00edlia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo Monteiro E chegou o carnaval! \u00c9, aquele mesmo carnaval que os historiadores at\u00e9 hoje divergem sobre suas origens. 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