{"id":130299,"date":"2017-02-27T12:09:31","date_gmt":"2017-02-27T15:09:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=130299"},"modified":"2017-02-27T12:42:45","modified_gmt":"2017-02-27T15:42:45","slug":"odebrecht-ameacada-de-perder-50-bi-em-contratos-la-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/odebrecht-ameacada-de-perder-50-bi-em-contratos-la-fora\/","title":{"rendered":"Odebrecht pode perder 50 bi em contratos l\u00e1 fora"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ren\u00e9e Pereira<\/strong><\/p>\n<p>A crescente onda de rejei\u00e7\u00e3o vivida pela Odebrecht no mercado internacional p\u00f5e em risco contratos de quase US$ 16 bilh\u00f5es (cerca de 50 bilh\u00f5es de reais) em projetos conquistados nos \u00faltimos anos. At\u00e9 setembro de 2016, dois ter\u00e7os da carteira de obras da empreiteira tinham origem l\u00e1 fora, em pa\u00edses como Venezuela, Angola e Panam\u00e1. Juntos, esses tr\u00eas pa\u00edses tinham mais obras contratadas com a empresa do que o Brasil<\/p>\n<p>Embora esteja presente no exterior desde a d\u00e9cada de 1970, a pol\u00edtica de expans\u00e3o da Odebrecht para al\u00e9m das fronteiras brasileiras ganhou for\u00e7a nos anos 2000, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) \u00e0 internacionaliza\u00e7\u00e3o das construtoras. Al\u00e9m disso, nessa \u00e9poca, a empresa j\u00e1 era reconhecida pelo alto poder financeiro e know-how &#8211; leia-se certifica\u00e7\u00f5es &#8211; para construir quase todo tipo de obra, o que colocava a brasileira um degrau acima dos demais concorrentes.<\/p>\n<p>Mas, com a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, os contratos no mercado externo come\u00e7am a se perder. Desde que o Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos (DoJ) divulgou os dados sobre pagamento de propina da Odebrecht em cada pa\u00eds, a participa\u00e7\u00e3o que antes era comemorada virou foco de turbul\u00eancia e preocupa\u00e7\u00e3o. Alguns pa\u00edses j\u00e1 amea\u00e7aram expulsar a empresa de seus territ\u00f3rios e cancelaram contratos bilion\u00e1rios, como foi o caso do Gasoduto Sul Peruano e a concess\u00e3o para construir 528 km de estrada na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>As decis\u00f5es t\u00eam efeito duplo para a empreiteira e para o grupo. Al\u00e9m de perder a concess\u00e3o, que representa um contrato de longo prazo para administrar um ativo, a empresa tamb\u00e9m perde a obra, que rende bilh\u00f5es de d\u00f3lares de receita para ela. No caso do gasoduto, no Peru, a constru\u00e7\u00e3o do projeto representava 10% da carteira de obras da empresa, afirma o analista da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Fitch Ratings, Alexandre Garcia. O mesmo deve ocorrer com a rodovia na Col\u00f4mbia, j\u00e1 que a concess\u00e3o garantia contrato de constru\u00e7\u00e3o de mais de 500 km de estrada.<\/p>\n<p>A revolta no exterior tem ocorrido simultaneamente \u00e0 tentativa de fechamento de acordos de leni\u00eancia da empresa com os minist\u00e9rios p\u00fablicos locais. A esperan\u00e7a \u00e9 que, com os acordos e a defini\u00e7\u00e3o das multas, a empresa mantenha outros contratos importantes. At\u00e9 agora, h\u00e1 pr\u00e9-contratos firmados com Panam\u00e1, Rep\u00fablica Dominicana, Peru e Col\u00f4mbia. Os demais pa\u00edses ainda est\u00e3o em fase preliminar e h\u00e1 aqueles que nem t\u00eam interesse de iniciar algum processo de dela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por ora, a empresa est\u00e1 proibida de participar de novas licita\u00e7\u00f5es em tr\u00eas pa\u00edses: Panam\u00e1, Peru e Equador. Nada garante, no entanto, que outras na\u00e7\u00f5es fa\u00e7am embargos semelhantes at\u00e9 que a poeira comece a baixar. Nos Estados Unidos, embora n\u00e3o haja den\u00fancia de pagamento de propina, a a\u00e7\u00e3o do DoJ exigiu um acordo e estabelecimento de multa. A empresa toca obras de moderniza\u00e7\u00e3o no Aeroporto Internacional de Miami, de uma rodovia no Texas e constru\u00e7\u00f5es na Louisiana.<\/p>\n<p><strong>Liquidez &#8211;<\/strong>\u00a0A situa\u00e7\u00e3o no exterior \u00e9 bastante desconfort\u00e1vel, uma vez que a construtora tem ajudado a bancar a liquidez do grupo. Segundo relat\u00f3rio da Fitch Ratings, entre setembro de 2015 e setembro de 2016, a empreiteira teve de fazer aporte de US$ 350 milh\u00f5es na controladora por causa das dificuldades para captar recursos no mercado.<\/p>\n<p>A empresa est\u00e1 queimando caixa e n\u00e3o tem conseguido repor o portf\u00f3lio. Outro fato preocupante \u00e9 que, al\u00e9m de perder contratos por causa do pagamento de propina, a qualidade da carteira tem se deteriorado. Os melhores projetos est\u00e3o sendo conclu\u00eddos e o que tem ficado no portf\u00f3lio est\u00e1 parado ou em ritmo muito lento.<\/p>\n<p>A Fitch Ratings estima que 42% da carteira da Odebrecht levaria, em m\u00e9dia, 19 anos para ser conclu\u00edda considerando o ritmo atual. H\u00e1 casos piores, no entanto. Na Venezuela, que det\u00e9m 24% da carteira da companhia, a empresa poderia levar de 15 a 50 anos para concluir as obras &#8211; em outras palavras, isso significa redu\u00e7\u00e3o de receita.<\/p>\n<p>Alexandre Garcia, da ag\u00eancia de rating, afirma que, al\u00e9m de todos os problemas por causa do esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o, a empresa tem enfrentado situa\u00e7\u00f5es adversas no exterior que t\u00eam interferido n as obras. Uma delas \u00e9 a queda no pre\u00e7o do petr\u00f3leo, que afeta clientes importantes. &#8220;Esse fator prejudica o fluxo de obras em andamento e de novos projetos, como na Venezuela&#8221;, diz o analista. Segundo ele, se o cen\u00e1rio n\u00e3o melhorar, a carteira de obras pode cair dos atuais US$ 21 bilh\u00f5es para algo em torno de US$ 9 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Retorno &#8211;<\/strong> Em nota, a empresa afirma acreditar que conseguir\u00e1 manter os contratos e estar livre para conquistar novos projetos, assim que consiga firmar acordos de leni\u00eancia nos pa\u00edses. &#8220;Os acordos tamb\u00e9m facilitar\u00e3o a obten\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos para execu\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ren\u00e9e Pereira A crescente onda de rejei\u00e7\u00e3o vivida pela Odebrecht no mercado internacional p\u00f5e em risco contratos de quase US$ 16 bilh\u00f5es (cerca de 50 bilh\u00f5es de reais) em projetos conquistados nos \u00faltimos anos. 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