{"id":131147,"date":"2017-03-08T06:40:02","date_gmt":"2017-03-08T09:40:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=131147"},"modified":"2017-03-08T07:40:38","modified_gmt":"2017-03-08T10:40:38","slug":"protesto-condena-morte-de-uma-mulher-cada-37-horas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/protesto-condena-morte-de-uma-mulher-cada-37-horas\/","title":{"rendered":"Protesto condena morte de uma mulher a cada 37 horas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Monica Yanakiew<\/strong><\/p>\n<p>As argentinas prometem fazer barulho nesta quarta-feira (8), Dia Internacional da Mulher. Ao meio-dia, elas far\u00e3o uma pausa e sair\u00e3o \u00e0s ruas para apitar, bater palma e tocar tambor &#8211; ou qualquer coisa que contribua para o \u201cruidazo\u201d (ru\u00eddo enorme). No final da tarde, elas prometem marchar contra a viol\u00eancia machista que, na Argentina, mata uma mulher a cada 37 horas.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o foi convocada pelo movimento Ni Una Menos (Nem Uma a Menos), que nasceu na Argentina em 2015, depois de um assassinato que chocou o pa\u00eds. Chiara Paez, de 14 anos, foi morta a pauladas pelo namorado, de 16. O corpo da adolescente gr\u00e1vida foi encontrado na casa dos av\u00f3s do rapaz, levando a Justi\u00e7a a suspeitar de que ele teria cometido o crime com a ajuda dos parentes.<br \/>\nDois anos mais tarde, o movimento argentino cruzou fronteiras, inspirando outros na Am\u00e9rica Latina e na Espanha, e seu slogan foi incorporado \u00e0 fala de pol\u00edticos.<\/p>\n<p>No discurso de abertura das sess\u00f5es legislativas, na \u00faltima quarta-feira (1\u00ba), Macri prometeu combater a pobreza, a infla\u00e7\u00e3o, a corrup\u00e7\u00e3o, o narcotr\u00e1fico \u2013 e tamb\u00e9m o feminic\u00eddio. \u201cTodos nos unimos ao grito Ni Una Menos\u201d, disse.<\/p>\n<p>A jornalista e escritora Marta Dillon, uma das fundadoras do movimento, diz que a viol\u00eancia machista n\u00e3o se restringe ao feminic\u00eddio: abarca toda forma de viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, social e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Ela conta que participava de um grupo de intelectuais que se reunia para debater quest\u00f5es como o direito ao aborto. Mas sucessivos casos de mulheres assassinadas e encontradas em sacos de lixo fez com que decidissem sair \u00e0s ruas. A gota d\u2019\u00e1gua foi a morte de Chiara Paez que, em junho de 2015, mobilizou multid\u00f5es, aos gritos de \u201cNi Una Menos\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma causa que unifica. Muitos s\u00e3o contra o aborto, mas quem vai ser contra um movimento que defende a vida das mulheres?\u201d , pergunta Marta.<\/p>\n<p>Apesar do consenso \u2013 e de milhares terem voltado \u00e0s ruas em outubro passado, vestidas de luto \u2013, a viol\u00eancia de g\u00eanero persiste.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 algo que se pode mudar de um dia para o outro\u201d, diz Marta. \u201cQualquer mudan\u00e7a, que mexe nas estruturas, leva tempo e provoca rea\u00e7\u00f5es. Temos que continuar a luta\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras do Dia Internacional da Mulher, Marta Dillon conversou com a reportagem da Ag\u00eancia Brasil. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p>Que outras reivindica\u00e7\u00f5es far\u00e3o no Dia da Mulher?<\/p>\n<p>Marta Dillon: Somos contra um sistema patriarcal, que subjuga a mulher, n\u00e3o apenas com a viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m pagando menos pelo mesmo trabalho. As mulheres trabalham, em m\u00e9dia, tr\u00eas horas a mais que os homens, se contarmos o tempo que dedicam \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas e \u00e0 fam\u00edlia. E ganham 27% a menos. Ou seja, se fizermos os c\u00e1lculos e formos comparar, trabalhamos cinco horas por dia sem qualquer remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como ser\u00e1 a greve do dia 8?<\/p>\n<p>Marta: Aqui, na Argentina, ser\u00e1 uma greve simb\u00f3lica, porque entendemos que na atual conjuntura econ\u00f4mica, nem todo mundo pode parar. Mas pedimos que quem possa pare pelo menos uma hora, s\u00f3 para chamar a aten\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o da mulher. N\u00e3o queremos flores. Queremos respeito no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, apesar da divulga\u00e7\u00e3o de uma grava\u00e7\u00e3o com coment\u00e1rios ofensivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres. Na Argentina, a viol\u00eancia de g\u00eanero continua sendo not\u00edcia, apesar de o pa\u00eds ter uma vice-presidente mulher e at\u00e9 uma lei proibindo cantadas ofensivas. Voc\u00ea acha que, na pr\u00e1tica, houve alguma mudan\u00e7a?<\/p>\n<p>Marta: Nos Estados Unidos, Trump foi eleito presidente, mas no dia seguinte houve uma enorme manifesta\u00e7\u00e3o, convocada pelas mulheres. E [o protesto] n\u00e3o foi apenas contra seu discurso mis\u00f3gino, mas tamb\u00e9m contra todo tipo de discrimina\u00e7\u00e3o. E tanto a grava\u00e7\u00e3o, como as cr\u00edticas aos coment\u00e1rios de Trump, foram not\u00edcia no mundo. N\u00e3o passaram desapercebidas, como algo comum ou natural.<br \/>\nIsso \u00e9 sinal de que est\u00e1 havendo uma mexida nas bases da sociedade e isso incomoda muita gente. As pessoas t\u00eam medo do novo e o que estamos propondo \u00e9 uma mudan\u00e7a numa estrutura que sempre foi patriarcal. Na Argentina, chama a aten\u00e7\u00e3o a brutalidade de alguns desses crimes contra as mulheres. \u00c9 como se os homens sentissem a necessidade de usar mais viol\u00eancia para mostrar que ainda podem domesticar as mulheres. Mas nenhuma mudan\u00e7a cultural \u00e9 feita de um dia para outro.<\/p>\n<p>Quais os planos para conseguir o que querem?<\/p>\n<p>Marta: As M\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio marcharam 40 anos para conseguir colocar os repressores da ditadura (1976-1983), respons\u00e1veis pela morte de seus filhos, atr\u00e1s das grades. Espero n\u00e3o termos que marchar 40 anos para ver uma mudan\u00e7a (risos). Mas se for necess\u00e1rio, marcharemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monica Yanakiew As argentinas prometem fazer barulho nesta quarta-feira (8), Dia Internacional da Mulher. Ao meio-dia, elas far\u00e3o uma pausa e sair\u00e3o \u00e0s ruas para apitar, bater palma e tocar tambor &#8211; ou qualquer coisa que contribua para o \u201cruidazo\u201d (ru\u00eddo enorme). 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