{"id":131150,"date":"2017-03-08T06:01:32","date_gmt":"2017-03-08T09:01:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=131150"},"modified":"2017-03-08T07:42:04","modified_gmt":"2017-03-08T10:42:04","slug":"se-o-trabalho-e-igual-elas-tambem-querem-salario-igual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/se-o-trabalho-e-igual-elas-tambem-querem-salario-igual\/","title":{"rendered":"Se o trabalho \u00e9 igual, elas tamb\u00e9m querem sal\u00e1rio igual"},"content":{"rendered":"<p><strong>Leandra Felipe<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s mais de um s\u00e9culo de luta por igualdade de condi\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres nos Estados Unidos, elas s\u00f3 dever\u00e3o ter sal\u00e1rios equiparados aos deles daqui a 135 anos, em 2152, segundo proje\u00e7\u00e3o divulgada na semana passada pela Associa\u00e7\u00e3o Americana de Mulheres Universit\u00e1rias (American Association of University Women \u2013 AAUW).<\/p>\n<p>O estudo Simple Truth about the Gender Pay GAP (A Simples Verdade Sobre a Desigualdade Salarial de G\u00eaneros, em tradu\u00e7\u00e3o livre) aponta que, em 2015, as trabalhadoras em tempo integral nos Estados Unidos ganhavam 80% menos que os homens.<\/p>\n<p>Apesar do valor menor, o sal\u00e1rio j\u00e1 era reflexo de melhorias constantes para as mulheres no per\u00edodo de 1960 at\u00e9 2000. Entretanto, desde 2001, observa-se maior lentid\u00e3o na tentativa de deixar os sal\u00e1rios menos desiguais \u2013 o que s\u00f3 permitiria que fossem igualados em 2152.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, a diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades registradas de 1960 em diante estava diretamente ligada ao aumento da escolaridade das mulheres.<\/p>\n<p>O estudo mostra que a brecha salarial, o chamado \u201cgap\u201d (em ingl\u00eas), tem efeitos negativos financeiros duradouros. Em 2015, 14% das mulheres norte-americanas entre 18 e 64 anos de idade, viviam abaixo da linha de mis\u00e9ria, enquanto esse percentual entre os homens \u00e9 de 11%.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as nas estruturas familiares tamb\u00e9m t\u00eam afetado a vida das mulheres. Em 2012, a propor\u00e7\u00e3o de mulheres chefes de fam\u00edlia atingiu o patamar de 40%. Por isso, diz o documento, os \u00edndices de pobreza aumentaram, porque cada vez mais mulheres passam a sustentar sozinhas a fam\u00edlia, sem uma melhoria salarial equiparada \u00e0 condi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Sem igualdade &#8211; Em outra estimativa baseada na participa\u00e7\u00e3o por g\u00eanero, o Centro de Pesquisa Pew Reseacher avalia que a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho deve atingir o percentual m\u00e1ximo em alguns anos, mas deve seguir uma tend\u00eancia de ser sempre minoria e nunca chegar aos 50% da for\u00e7a laboral norte-americana.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do Pew Reseacher baseou-se em n\u00fameros oficiais do Bureau of Labor Statistist. Na an\u00e1lise do centro de pesquisa, a participa\u00e7\u00e3o de mulheres no mercado vem crescendo e poder\u00e1 atingir o pico de 47,5% em 2025 e depois come\u00e7ar a diminuir.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra que o crescimento das mulheres como for\u00e7a de trabalho foi constante at\u00e9 o come\u00e7o dos anos 2000. Depois iniciou-se um per\u00edodo de estagna\u00e7\u00e3o e ligeira queda.<\/p>\n<p>Durante a d\u00e9cada de 1960, a for\u00e7a de trabalho das mulheres aumentou, em m\u00e9dia, tr\u00eas vezes mais r\u00e1pido que a masculina. Em 2000, 59,9% das mulheres estavam no mercado de trabalho, contra 37,7% em 1960.<\/p>\n<p>Mas ap\u00f3s os anos 2000 iniciou-se um decl\u00ednio. Para os pesquisadores, a principal raz\u00e3o \u00e9 a maternidade. M\u00e3es com filhos menores de 18 anos t\u00eam menos possibilidade de ter um trabalho em tempo integral.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a educa\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 universal e gratuita a partir dos 5 anos, na pr\u00e9-alfabetiza\u00e7\u00e3o. A m\u00e3e que trabalha fora e tem filhos pequenos precisa pagar por servi\u00e7os de creche ou bab\u00e1s que costumam ser caros no pa\u00eds.<\/p>\n<p>V\u00e1rias mulheres abandonam o trabalho nesta fase ou partem para fun\u00e7\u00f5es de meio-per\u00edodo, que dificilmente levam a promo\u00e7\u00f5es internas nas empresas.<\/p>\n<p>Jennifer Marilyson, de 34 anos, t\u00eam dois filhos: uma de 4 anos e outro de 1 ano e meio.<\/p>\n<p>Ela conta que deixou o cargo de gerente de banco quando engravidou da filha mais velha.<\/p>\n<p>\u201cNo come\u00e7o, eu pensei em ficar. Mas a licen\u00e7a maternidade era de 14 semanas e eu fiquei muito triste de ter de deixar minha filha.\u201d<\/p>\n<p>Ela disse que conversou com o marido e, depois de fazer v\u00e1rias contas, viu que seria mais caro pagar um servi\u00e7o para cuidar da filha pequena do que ficar em casa.<\/p>\n<p>Jennifer diz que n\u00e3o se arrependeu no come\u00e7o e que olhava para a filha pequena e sentia que havia feito a escolha certa. Mas depois, ao engravidar do segundo filho, ela viu mais distante o projeto de voltar a trabalhar.<\/p>\n<p>\u201cEu queria ter outro filho, mas se eu n\u00e3o conseguia pagar creche para um, imagine para dois\u201d, disse, sorrindo.<\/p>\n<p>Jennifer agora espera voltar a trabalhar quando seu filho mais novo completar 5 anos e meio, idade necess\u00e1ria para a entrada no \u201ckindergarden\u201d, jardim de inf\u00e2ncia das escolas p\u00fablicas norte-americanas.<\/p>\n<p>Ela diz que at\u00e9 l\u00e1 ter\u00e1 completado pelo menos nove anos fora do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes eu sinto falta de trabalhar. E penso que \u00e9 muito cruel. Como gerente, eu ganhava menos que outros gerentes homens e, agora, quando eu voltar a trabalhar, tenho que come\u00e7ar tudo de novo, provavelmente, ganhando menos de novo e eles v\u00e3o estar \u00e0 frente\u201d, comenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leandra Felipe Mesmo ap\u00f3s mais de um s\u00e9culo de luta por igualdade de condi\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres nos Estados Unidos, elas s\u00f3 dever\u00e3o ter sal\u00e1rios equiparados aos deles daqui a 135 anos, em 2152, segundo proje\u00e7\u00e3o divulgada na semana passada pela Associa\u00e7\u00e3o Americana de Mulheres Universit\u00e1rias (American Association of University Women \u2013 AAUW). 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