{"id":131315,"date":"2017-03-09T00:39:00","date_gmt":"2017-03-09T03:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=131315"},"modified":"2017-03-09T07:41:43","modified_gmt":"2017-03-09T10:41:43","slug":"em-115-anos-apenas-13-mulheres-receberem-o-nobel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/em-115-anos-apenas-13-mulheres-receberem-o-nobel\/","title":{"rendered":"Em 115 anos, apenas 13 mulheres receberem o Nobel"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ana Elisa Santana<\/strong><\/p>\n<p>O Dia Internacional da Mulher chama a aten\u00e7\u00e3o para as desigualdades de g\u00eanero, viol\u00eancia e conquista de direitos. Costuma-se apontar a falta de equidade em \u00e1reas como a ci\u00eancia ou em posi\u00e7\u00f5es de poder, mas na literatura h\u00e1 tamb\u00e9m um n\u00famero menor de mulheres que conseguem reconhecimento sobre suas obras.<\/p>\n<p>Em 115 anos, apenas 13 mulheres receberam o pr\u00eamio Nobel de Literatura. No Pr\u00eamio Cam\u00f5es, que \u00e9 concedido por Brasil e Portugal a escritores lus\u00f3fonos, apenas seis mulheres foram homenageadas em 28 anos. O Pr\u00eamio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira, foi dado a apenas 12 mulheres desde 1959, na categoria romance.<\/p>\n<p>Apesar do pouco reconhecimento, muitas autoras escrevem sobre feminismo: seja do ponto de vista pol\u00edtico, filos\u00f3fico ou social, seja por meio de poemas ou colocando mulheres como protagonistas em hist\u00f3rias que provocam reflex\u00e3o. Dessa forma, ajudam a compreender o movimento que defende a igualdade de direitos entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a 10 escritoras que, em suas obras, ajudam a compreender esse conceito:<\/p>\n<p><strong>Ana Cristina C\u00e9sar<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecida como Ana C, Ana Cristina C\u00e9sar foi uma poetisa brasileira que fez parte do movimento de Poesia Marginal e deixou uma obra em que retrata seu cotidiano e intimidade, por vezes criticando padr\u00f5es de comportamento impostos \u00e0 mulher. Em seus livros, em que a poesia se mistura com outros estilos, como a carta e o di\u00e1rio, ela fala abertamente sobre seu corpo e sua sexualidade.<\/p>\n<p><strong>Ana Maria Gon\u00e7alves<\/strong><\/p>\n<p>Antes publicit\u00e1ria, a mineira Ana Maria Gon\u00e7alves abandonou a profiss\u00e3o para se dedicar \u00e0 literatura e lan\u00e7ou, em 2006, o livro Um Defeito de Cor. Na obra, ela mostra a trajet\u00f3ria de uma menina negra capturada como escrava ainda na inf\u00e2ncia, e sua luta at\u00e9 se tornar uma mulher livre. Al\u00e9m de retratar, na obra, a for\u00e7a da mulher, ela faz um relato detalhado sobre a vida dos negros no Brasil Colonial.<\/p>\n<p><strong>Angela Davis<\/strong><\/p>\n<p>A fil\u00f3sofa e professora norte-americana Angela Davis d\u00e1 aulas no Departamento de Estudos Feministas na Universidade da Calif\u00f3rnia e \u00e9 ex-integrante do grupo Panteras Negras. Ativista pelos direitos da mulher e pela igualdade racial, Angela \u00e9 autora de diversos livros, e sua obra mais conhecida, Mulheres, Ra\u00e7a e Classe,de 1981, foi traduzida e lan\u00e7ada no Brasil apenas em 2016.<\/p>\n<p><strong>Carolina Maria de Jesus<\/strong><\/p>\n<p>A mineira Carolina de Jesus era catadora de recicl\u00e1veis e registrava seu cotidiano, na antiga favela do Canind\u00e9, na zona norte de S\u00e3o Paulo, em cadernos que encontrava pelo lixo. Seus escritos, datados de 1955 a 1960, se tornaram o livro Quarto de Despejo, que denuncia a mis\u00e9ria, a fome e a viol\u00eancia sofrida por ela e seus vizinhos. A autora \u00e9 considerada uma das primeiras escritoras negras do Brasil, e ainda hoje \u00e9 considerada refer\u00eancia para estudos sobre a sociedade brasileira.<\/p>\n<p><strong>Chimamanda Gnozi Adichie<\/strong><\/p>\n<p>A escritora nigeriana Chimamanda Gnozi Adichie, de 39 anos, desponta como um dos principais nomes femininos da literatura africana. Suas obras retratam o cotidiano de mulheres negras, abordando quest\u00f5es como o racismo e a viol\u00eancia contra a mulher. \u00c9 autora dos livros Sejamos Todos Feministas e Para Educar Crian\u00e7as Feministas \u2013 Um Manifesto, que s\u00e3o uma introdu\u00e7\u00e3o para quem busca compreender o assunto.<\/p>\n<p><strong>Clarice Lispector<\/strong><\/p>\n<p>Um dos maiores nomes da literatura brasileira, Clarice Lispector \u00e9 um dos exemplos em que o feminismo se mostra por meio de mulheres protagonistas. Nos romances escritos por ela, as personagens mergulham em reflex\u00f5es sobre a condi\u00e7\u00e3o humana, muitas vezes questionando o que elas s\u00e3o e o que a sociedade imp\u00f5e que elas sejam.<\/p>\n<p><strong>Concei\u00e7\u00e3o Evaristo<\/strong><\/p>\n<p>A mineira Concei\u00e7\u00e3o Evaristo \u00e9 doutora em literatura comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e se destaca por abordar, em suas obras, a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe, valorizando a reflex\u00e3o sobre os afrodescendentes, suas mem\u00f3rias e sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica para a cultura do Brasil. \u00c9 autora do romance Ponci\u00e1 Ven\u00e2ncio (2003) e dos livros de contos Hist\u00f3rias de Leves Enganos e Parecen\u00e7as (2016) e Olhos d&#8217;\u00c1gua (2014), este \u00faltimo vencedor do Pr\u00eamio Jabuti na categoria Contos.<\/p>\n<p><strong>Simone de Beauvoir<\/strong><\/p>\n<p>A fil\u00f3sofa e escritora francesa, integrante do movimento existencialista, \u00e9 refer\u00eancia em estudos sobre o feminismo, abordando, especialmente na obra O Segundo Sexo, a diferen\u00e7a entre a exist\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o social de g\u00eanero, bem como os fatores que levam \u00e0 opress\u00e3o das mulheres. Ao falar de comportamentos e de estere\u00f3tipos dos homens, ela critica o patriarcado e a resist\u00eancia dos homens \u00e0 compreens\u00e3o sobre as demandas feministas.<\/p>\n<p><strong>Svetlana Aleksi\u00e9vitch<\/strong><\/p>\n<p>A escritora ucraniana Svetlana Aleksi\u00e9vitch \u00e9 a mulher que mais recentemente recebeu o Pr\u00eamio Nobel de Literatura (2015). No livro A Guerra N\u00e3o Tem Rosto de Mulher, ela apresenta a hist\u00f3ria da 2\u00aa guerra mundial sob a perspectiva \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida \u2013 das soldadas sovi\u00e9ticas que estiveram no front de batalha atuando como franco-atiradoras, volunt\u00e1rias, pilotos de tanques ou enfermeiras. Com o livro, Svetlana mostra que os conflitos militares costumam ter narrativas apenas masculinas, muitas vezes ignorando o importante papel das mulheres em momentos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p><strong>Toni Morrison<\/strong><\/p>\n<p>Toni Morrison \u00e9 a \u00fanica negra que recebeu o Nobel de Literatura. A obra Amada, pela qual foi condecorada, conta a hist\u00f3ria de uma ex-escrava que foge com os filhos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura nos Estados Unidos. O livro \u00e9 o primeiro de uma trilogia, que inclui ainda Jazz (1992) e Para\u00edso (1997).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Elisa Santana O Dia Internacional da Mulher chama a aten\u00e7\u00e3o para as desigualdades de g\u00eanero, viol\u00eancia e conquista de direitos. Costuma-se apontar a falta de equidade em \u00e1reas como a ci\u00eancia ou em posi\u00e7\u00f5es de poder, mas na literatura h\u00e1 tamb\u00e9m um n\u00famero menor de mulheres que conseguem reconhecimento sobre suas obras. 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