{"id":131551,"date":"2017-03-11T09:41:58","date_gmt":"2017-03-11T12:41:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=131551"},"modified":"2017-03-11T11:14:41","modified_gmt":"2017-03-11T14:14:41","slug":"macumba-vira-crime-e-stj-condena-curandeira-6-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/macumba-vira-crime-e-stj-condena-curandeira-6-anos\/","title":{"rendered":"Macumba vira crime e STJ condena curandeira a 6 anos"},"content":{"rendered":"<p><strong>J\u00falia Affonso e Fernanda Yoneya<\/strong><\/p>\n<p>Em decis\u00e3o un\u00e2nime, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) considerou que a amea\u00e7a de uso de &#8220;for\u00e7as espirituais&#8221; para constranger algu\u00e9m a entregar dinheiro configura crime de extors\u00e3o &#8211; ainda que n\u00e3o tenha havido viol\u00eancia f\u00edsica ou outro tipo de amea\u00e7a. O caso aconteceu em S\u00e3o Paulo. Segundo o processo, a v\u00edtima contratou os servi\u00e7os da acusada para realizar &#8220;trabalhos espirituais de cura&#8221;.<\/p>\n<p>A r\u00e9 teria induzido a v\u00edtima a erro e, por meio desses atos de curandeirismo, obtido vantagens financeiras de mais de R$ 15 mil. Tempos depois, quando a v\u00edtima passou a se recusar a dar mais dinheiro, a mulher a amea\u00e7ou. Segundo a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico, a acusada pediu R$ 32 mil para desfazer &#8220;alguma coisa enterrada no cemit\u00e9rio&#8221; contra seus filhos. A r\u00e9 foi condenada a 6 anos e 24 dias de reclus\u00e3o, em regime semiaberto.<\/p>\n<p>No STJ, a defesa pediu sua absolvi\u00e7\u00e3o ou a desclassifica\u00e7\u00e3o das condutas para o crime de curandeirismo, ou ainda a redu\u00e7\u00e3o da pena e a mudan\u00e7a do regime prisional. Segundo a defesa, n\u00e3o houve nenhum tipo de grave amea\u00e7a ou uso de viol\u00eancia que pudesse caracterizar o crime de extors\u00e3o. Tudo n\u00e3o teria passado de &#8220;algo fantasioso, sem implicar mal grave apto a intimidar o homem m\u00e9dio&#8221;.<\/p>\n<p>Para o ministro Rogerio Schietti, relator da a\u00e7\u00e3o, os fatos narrados s\u00e3o suficientes para configurar crime de extors\u00e3o, previsto no artigo 158 do C\u00f3digo Penal. &#8220;A amea\u00e7a de mal espiritual, em raz\u00e3o da garantia de liberdade religiosa, n\u00e3o pode ser considerada inid\u00f4nea ou inacredit\u00e1vel&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Para a v\u00edtima e boa parte do povo brasileiro, existe a cren\u00e7a na exist\u00eancia de for\u00e7as sobrenaturais, manifestada em doutrinas e rituais pr\u00f3prios, n\u00e3o havendo falar que s\u00e3o fantasiosas e nenhuma for\u00e7a possuem para constranger o homem m\u00e9dio&#8221;, escreveu Schietti.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desclassifica\u00e7\u00e3o das condutas para curandeirismo, previsto no artigo 284 do C\u00f3digo Penal, o ministro destacou o entendimento do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo de que a inten\u00e7\u00e3o da r\u00e9 era, na verdade, enganar a v\u00edtima e n\u00e3o cur\u00e1-la de doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O STJ negou a revis\u00e3o da pena da curandeira e determinou, ainda, sua execu\u00e7\u00e3o imediata. Para Schietti, o tribunal paulista acertou ao considerar, no c\u00e1lculo da pena, a fragilidade da v\u00edtima e os preju\u00edzos psicol\u00f3gicos causados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00falia Affonso e Fernanda Yoneya Em decis\u00e3o un\u00e2nime, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) considerou que a amea\u00e7a de uso de &#8220;for\u00e7as espirituais&#8221; para constranger algu\u00e9m a entregar dinheiro configura crime de extors\u00e3o &#8211; ainda que n\u00e3o tenha havido viol\u00eancia f\u00edsica ou outro tipo de amea\u00e7a. O caso aconteceu em S\u00e3o Paulo. 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