{"id":131726,"date":"2017-03-13T10:02:16","date_gmt":"2017-03-13T13:02:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=131726"},"modified":"2017-03-13T10:13:06","modified_gmt":"2017-03-13T13:13:06","slug":"negro-mostra-cara-e-ganha-mais-espaco-no-audiovisual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/negro-mostra-cara-e-ganha-mais-espaco-no-audiovisual\/","title":{"rendered":"Negro mostra a cara e ganha espa\u00e7o na \u00e1rea do audiovisual"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fernando Scheller<\/strong><\/p>\n<p>O mais recente vencedor do Oscar de melhor filme \u2013 <i>Moonlight: Sob a Luz do Luar<\/i>, cujo personagem principal \u00e9 negro e homossexual \u2013 mostrou que, nos Estados Unidos, houve avan\u00e7os no que se refere ao protagonismo afro-americano em filmes e s\u00e9ries. No entanto, cerca de 80% das s\u00e9ries e filmes da TV no pa\u00eds ainda n\u00e3o t\u00eam sequer um personagem negro com falas. No Brasil, onde n\u00e3o h\u00e1 pesquisas estruturadas sobre o assunto, h\u00e1 evid\u00eancias de que a representatividade do negro seja ainda menor \u2013 estaria pr\u00f3xima de 8% nos principais conte\u00fados audiovisuais.<\/p>\n<p>O Rio Content Market, evento que reuniu mais de mil produtores de conte\u00fado, emissoras de TV e anunciantes na semana passada, no Rio de Janeiro, adotou a representatividade dos negros brasileiros como um de seus temas. A abertura do evento celebrou pioneiros da presen\u00e7a negra nas telas de televis\u00e3o e do cinema \u2013 com homenagens a artistas importantes como Ruth de Souza e Antonio Pitanga. Os mestres de cerim\u00f4nia da noite foram Camila Pitanga (filha de Antonio) e L\u00e1zaro Ramos.<\/p>\n<p>Para tentar jogar luz sobre o assunto no Brasil, o Rio Content Market trouxe um expoente do cinema negro dos Estados Unidos: John Singleton, que at\u00e9 hoje \u00e9 o cineasta mais jovem a ser indicado ao Oscar de melhor dire\u00e7\u00e3o, por Os Donos da Rua, de 1991. Al\u00e9m disso, a executiva Zola Mashariki, diretora de conte\u00fado original da BET (Black Entertainment Television), voltada especificamente ao p\u00fablico negro norte-americano, defendeu o esp\u00edrito de &#8220;irmandade&#8221; para garantir uma distribui\u00e7\u00e3o racial mais justa no que se assiste na televis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Irmandade&#8217;<\/strong> &#8211; Foi justamente esse esp\u00edrito de irmandade que al\u00e7ou Zola \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de alta executiva da BET. Advogada formada em Harvard, ela resolveu cursar a escola de cinema em S\u00e3o Francisco, na Calif\u00f3rnia, gra\u00e7as ao incentivo de uma amiga. Tratava-se de ningu\u00e9m menos que Shonda Rhimes, uma mulher negra que hoje \u00e9 a provavelmente o maior nome das s\u00e9ries de TV nos Estados Unidos. Ela \u00e9 produtora executiva e criadora de s\u00e9ries como <i>Grey\u2019s Anatomy <\/i>(que j\u00e1 est\u00e1 na d\u00e9cima terceira temporada), <i>Scandal<\/i> e <i>How to Get Away with Murder<\/i><\/p>\n<p>Na opini\u00e3o da executiva, a representatividade na tela est\u00e1 ligada aos profissionais que aprovam os conte\u00fados que v\u00e3o ao ar. Por isso, ela \u00e9 defensora da ideia de que pessoas j\u00e1 estabelecidas no mercado ajudem outros negros a prosperar, contratando-os como assistentes ou estagi\u00e1rios. &#8220;Essa \u00e9 uma tend\u00eancia muito clara nos Estados Unidos, e algo que poderia ser facilmente aplicado no Brasil&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo Zola, esse \u00e9 um trabalho de longo prazo. O movimento da cultura negra nos Estados Unidos come\u00e7ou ainda nos anos 1960, ganhando for\u00e7a na d\u00e9cada de 70 \u2013 com os filmes do movimento &#8220;blaxploitation&#8221; \u2013 e finalmente, a partir de 1986, com as produ\u00e7\u00f5es engajadas de Spike Lee. &#8220;A verdade \u00e9 que n\u00f3s precisamos produzir com as ferramentas que temos, e n\u00e3o apenas esperar que os grandes est\u00fadios e emissoras nos descubram&#8221;, diz Zola. &#8220;\u00c9 um fato conhecido que o primeiro longa de Spike Lee, <i>She\u2019s Gotta Have It<\/i>, foi financiando com cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Ent\u00e3o, o que eu tenho a dizer \u00e9: n\u00e3o reclamem, simplesmente produzam.&#8221;<\/p>\n<p><b>Segmenta\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>Al\u00e9m de participar de debates sobre a cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fados para o p\u00fablico negro, a executiva tamb\u00e9m apresentou no Rio Content Market a s\u00e9rie <i>Rebel<\/i>, cujo piloto foi dirigido por Singleton. Segundo ela, nos Estados Unidos, o material dirigido \u00e0 comunidade afro-americana j\u00e1 come\u00e7a a ser segmentado, \u00e0 medida que o mercado dedicado ao p\u00fablico n\u00e3o branco nos EUA se expande e busca abordagens mais espec\u00edficas.<\/p>\n<p>&#8220;Uma s\u00e9rie como <i>Scandal<\/i>, por exemplo, se dirige ao p\u00fablico de classe mais alta <i>(o seriado da produtora ShondaLand, de Shonda Rhimes, \u00e9 exibido por um canal aberto americano, a ABC, e passa por aqui no Sony Entertainment Television, na TV por assinatura)<\/i>. J\u00e1 <i>Rebel<\/i> teve sess\u00f5es de teste melhores com a classe m\u00e9dia e tamb\u00e9m mais jovem&#8221;, explica a executiva. Segundo ela, a experi\u00eancia americana pode ajudar o conte\u00fado negro feito no Brasil: &#8220;Estamos longe do ideal nos Estados Unidos, mas acredito que j\u00e1 avan\u00e7amos e temos resultados para mostrar.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Scheller O mais recente vencedor do Oscar de melhor filme \u2013 Moonlight: Sob a Luz do Luar, cujo personagem principal \u00e9 negro e homossexual \u2013 mostrou que, nos Estados Unidos, houve avan\u00e7os no que se refere ao protagonismo afro-americano em filmes e s\u00e9ries. 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