{"id":132199,"date":"2017-03-17T06:07:54","date_gmt":"2017-03-17T09:07:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=132199"},"modified":"2017-03-18T02:11:37","modified_gmt":"2017-03-18T05:11:37","slug":"empregos-voltam-aparecer-mas-salario-gordo-desaparece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/empregos-voltam-aparecer-mas-salario-gordo-desaparece\/","title":{"rendered":"Empregos voltam a aparecer, mas gordo sal\u00e1rio desaparece"},"content":{"rendered":"<p><strong>M\u00e1rcia De Chiara<\/strong><\/p>\n<p>Depois de tr\u00eas anos, a Bollhoff, multinacional alem\u00e3 fabricante de pe\u00e7as de fixa\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria automotiva e de m\u00e1quinas agr\u00edcolas, voltou a contratar. Desde o final de 2016 at\u00e9 agora, a companhia ampliou em 10% o quadro de funcion\u00e1rios, principalmente de n\u00edvel operacional, e planeja mais admiss\u00f5es at\u00e9 meados do ano. &#8220;Voltamos a contratar por causa do aquecimento da demanda&#8221;, diz o presidente, Fl\u00e1vio Silva. Ele explica que a procura das pe\u00e7as que produz cresceu 15% pelo setor agr\u00edcola e em torno de 30% pelo segmento automotivo destinado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas ele ressalta que h\u00e1 muita cautela na retomada das admiss\u00f5es. &#8220;H\u00e1 um questionamento muito grande sobre a real necessidade de se contratar&#8221;, diz o executivo. Para dar conta do aumento da demanda por seus produtos, a empresa investiu em m\u00e1quinas e decidiu ampliar o quadro de funcion\u00e1rios, apostando em profissionais muito jovens, estudantes, porque \u00e9 mais f\u00e1cil ajustar o sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>A &#8220;junioriza\u00e7\u00e3o&#8221; dos contratados, isto \u00e9, a admiss\u00e3o de profissionais mais jovens e menos experientes por um custo menor, \u00e9 uma alternativa para n\u00e3o sofrer tanto com as altera\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio da economia que possam ocorrer mais \u00e0 frente.<\/p>\n<p>O estudante do quarto ano de engenharia de produ\u00e7\u00e3o Marcelo Clemente Pereira, de 26 anos, por exemplo, come\u00e7ou como estagi\u00e1rio na \u00e1rea de manufatura da empresa no meio do ano passado e, em outubro, foi contratado para o departamento de compras. &#8220;Em quatro meses fui de estagi\u00e1rio a efetivo. N\u00e3o achei que seria t\u00e3o r\u00e1pido&#8221;, diz Pereira.<\/p>\n<p>Orgulhoso da nova fun\u00e7\u00e3o, ele explica que \u00e9 respons\u00e1vel pelas compras de ferramentas da empresa. &#8220;Estou basicamente no cora\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica. Se o meu trabalho n\u00e3o for bem feito, a gente n\u00e3o consegue produzir.&#8221; Pereira, que estudou um ano e meio na Austr\u00e1lia e vai concluir o curso de engenharia no fim de 2018, ocupa o cargo de analista industrial, mas, na pr\u00e1tica, est\u00e1 ligado diretamente \u00e0 engenharia da f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Como estagi\u00e1rio, ganhava entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, e agora recebe cerca de R$ 3 mil. Mas sonha melhorar o sal\u00e1rio quando concluir o curso. O piso de um engenheiro rec\u00e9m-formado, segundo ele, \u00e9 de R$ 4,5 mil.<\/p>\n<p>Ricardo Basaglia, diretor executivo da Michael Page, consultoria inglesa especializada em recrutamento de m\u00e9dia e alta ger\u00eancia, explica que, nas novas contrata\u00e7\u00f5es feitas nos \u00faltimos meses, inicialmente, s\u00e3o oferecidos sal\u00e1rios entre 20% e 30% menores. &#8220;Mas depois as empresas conseguem efetivamente contratar com redu\u00e7\u00e3o de 15% nos sal\u00e1rios, em m\u00e9dia.&#8221; No entanto, nas contas de Silva, da Bollhoff, essa economia pode chegar a 30%.<\/p>\n<p><b>Nariz &#8211;\u00a0<\/b>Antes mesmo de os n\u00fameros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro, divulgados nesta quinta-feira, 16, Basaglia, da Michael Page, havia detectado alguma rea\u00e7\u00e3o nas contrata\u00e7\u00f5es. &#8220;No primeiro trimestre, a demanda por contrata\u00e7\u00e3o colocou o nariz para fora d\u2019\u00e1gua&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Nas suas contas, a procura por profissionais aumentou 20% neste in\u00edcio de ano em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2016, e as contrata\u00e7\u00f5es efetivadas cresceram 7% na mesma base de compara\u00e7\u00e3o A rea\u00e7\u00e3o aconteceu ap\u00f3s 18 meses seguidos de queda nas admiss\u00f5es na compara\u00e7\u00e3o anual.<\/p>\n<p>Basaglia explica que 90% das contrata\u00e7\u00f5es s\u00e3o voltadas \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios e apenas 10% \u00e0 abertura de novos postos de trabalho. &#8220;As novas contrata\u00e7\u00f5es s\u00e3o de profissionais mais qualificados para buscar melhores resultados. \u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o natural do mercado.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe), Eduardo Zylberstajn, os primeiros sinais de retomada do emprego com carteira assinada apareceram j\u00e1 em janeiro. &#8220;Foi o primeiro m\u00eas, depois de exatos dois anos, que o n\u00famero de admiss\u00f5es registradas no Caged aumentou em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano anterior&#8221;, diz o economista.<\/p>\n<p><b>&#8216;Efeito alento&#8217; &#8211;\u00a0<\/b>Apesar da melhora gradual, com o saldo positivo na gera\u00e7\u00e3o de empregos em fevereiro pelo Caged, o economista da LCA Consultores, F\u00e1bio Rom\u00e3o, disse, em entrevista, que a taxa de desemprego deve continuar crescendo.<\/p>\n<p>&#8220;O que importa para a redu\u00e7\u00e3o do desemprego \u00e9 ter um saldo l\u00edquido positivo nas contrata\u00e7\u00f5es e suficiente para absorver o crescimento da for\u00e7a de trabalho&#8221;.<\/p>\n<p><b>Por que o sr. diz que a taxa de desemprego deve continuar subindo?<\/b><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que teremos um crescimento da renda e uma recupera\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o, o desemprego vai continuar aumentando porque a for\u00e7a de trabalho vai crescer com mais intensidade. As pessoas v\u00e3o perceber que a empregabilidade melhorou e, principalmente, a renda. Com isso, mais gente sair\u00e1 \u00e0 procura de trabalho. O desemprego vai continuar subindo por causa do &#8220;efeito alento&#8221;.<\/p>\n<p><b>H\u00e1 sinais de &#8220;brotos verdes&#8221; no mercado de trabalho?<\/b><\/p>\n<p>Parece que sim. Demoraram a aparecer, mas ainda s\u00e3o brotinhos. \u00c9 um sinal de que est\u00e1 come\u00e7ando a mudar o quadro do mercado de trabalho. Claro que h\u00e1 a ressalva da taxa de desemprego. Se o farol for s\u00f3 esse, vamos ficar em depress\u00e3o. Temos de olhar para o emprego e para a renda. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <b>O Estado de S. Paulo.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rcia De Chiara Depois de tr\u00eas anos, a Bollhoff, multinacional alem\u00e3 fabricante de pe\u00e7as de fixa\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria automotiva e de m\u00e1quinas agr\u00edcolas, voltou a contratar. 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