{"id":132298,"date":"2017-03-18T00:45:41","date_gmt":"2017-03-18T03:45:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=132298"},"modified":"2017-03-19T10:38:58","modified_gmt":"2017-03-19T13:38:58","slug":"desmatamento-cresce-em-ritmo-forte-na-regiao-amazonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/desmatamento-cresce-em-ritmo-forte-na-regiao-amazonica\/","title":{"rendered":"Desmatamento cresce acelerado na regi\u00e3o amaz\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Giovana Girardi<\/strong><\/p>\n<p>Levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon), revela que desde 2012 as taxas de desmatamento em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) v\u00eam aumentando, assim como a participa\u00e7\u00e3o no desmatamento total do bioma. Os valores referentes a 2015 j\u00e1 superaram os de 2008 &#8211; ano que marcou o in\u00edcio do decl\u00ednio da taxa total de desmatamento na Amaz\u00f4nia, que atingiu o seu menor valor em 2012. A participa\u00e7\u00e3o da perda da floresta dentro de UCs em rela\u00e7\u00e3o ao desmatamento total da Amaz\u00f4nia Legal dobrou no per\u00edodo, pulando de 6% em 2008 para 12% em 2015.<\/p>\n<p>Os pesquisadores listaram as 50 UCs mais desmatadas de 2012 a 2015. Juntas, elas perderam 229,9 mil hectares de floresta &#8211; 97% da \u00e1rea desmatada em todas as unidades de conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia no per\u00edodo, e as dez primeiras respondem por 79% do total. Essa concentra\u00e7\u00e3o, dizem, se d\u00e1 porque todas est\u00e3o em \u00e1rea de expans\u00e3o da fronteira agropecu\u00e1ria e sob influ\u00eancia de projetos de infraestrutura, como rodovias, hidrovias, portos e hidrel\u00e9tricas. Mas tamb\u00e9m porque tem ocorrido uma redu\u00e7\u00e3o de recursos e de pessoal de fiscaliza\u00e7\u00e3o principalmente por parte do governo federal, al\u00e9m de movimentos para reduzir o grau de prote\u00e7\u00e3o ou a \u00e1rea de unidades.<\/p>\n<p>Entre os locais mais sens\u00edveis est\u00e1 o entorno da BR-163 (Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m), que esteve em destaque nas \u00faltimas semanas com caminh\u00f5es de soja atolados nos trechos sem asfalto. Se, por um lado, o agroneg\u00f3cio se queixa da falta de asfalto, argumentando que o Pa\u00eds perde ao n\u00e3o conseguir transportar sua produ\u00e7\u00e3o, foi em parte por causa do asfaltamento que o desmate explodiu no entorno.<\/p>\n<p>\u00c9 ali, por exemplo, onde fica a Floresta Nacional de Jamanxim (PA), a UC federal mais desmatada na lista, atr\u00e1s somente de duas unidades estaduais, uma tamb\u00e9m no Par\u00e1 e outra em Rond\u00f4nia &#8211; os dois Estados l\u00edderes em desmatamento nas florestas protegidas, 49,8% e 38,9%, respectivamente, de acordo com o levantamento. O estudo usou dados do Prodes, o sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece a taxa oficial de desmatamento da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Jamanxim perdeu mais de 9,2 mil hectares de floresta em 2015, \u00e1rea 87% maior do que em 2014. Apesar de ser uma floresta nacional (flona) &#8211; categoria de unidade de conserva\u00e7\u00e3o que n\u00e3o permite ocupa\u00e7\u00e3o de povos n\u00e3o tradicionais -, Jamanxim sofre com ocupa\u00e7\u00f5es especulativas e alta concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Apesar de n\u00e3o haver terras registradas formalmente em cart\u00f3rio dentro da flona, a suspeita \u00e9 de que o desmate avance para descaracterizar a UC e assim tentar sua redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No fim de 2016, o governo Michel Temer publicou uma medida provis\u00f3ria que reduziu a flona em 57%. Parte dessa \u00e1rea perdida (41%) foi recategorizada como \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) Jamanxim, o tipo de unidade de conserva\u00e7\u00e3o menos restritivo que existe. &#8220;Os 305 mil hectares destinados \u00e0 APA permitem a exist\u00eancia de propriedades privadas e, portanto, a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e ambiental de quem agia na ilegalidade&#8221;, escrevem os pesquisadores no estudo Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o mais Desmatadas na Amaz\u00f4nia Legal (2012-2015).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 medida que o governo vai cedendo, quem est\u00e1 ocupando ilegalmente fica com mais coragem de ficar l\u00e1&#8221;, afirma o pesquisador Paulo Barreto.<\/p>\n<p><b>ICMBio<\/b>\u00a0 &#8211; Procurado pela reportagem, Paulo Carneiro, diretor de cria\u00e7\u00e3o e manejo de unidades de conserva\u00e7\u00e3o do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (ICMBio), \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente respons\u00e1vel pela gest\u00e3o de UCs, disse que a recategoriza\u00e7\u00e3o de parte de Jamanxim para APA foi uma tentativa do governo de conter a sangria.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca conseguimos colocar a perda da mata ou a grilagem em patamar aceit\u00e1vel. Pelo menos ao transformar em APA, isso nos permite fazer a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de quem j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 dentro e pode estancar o processo de desmatamento. \u00c9 uma mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia. L\u00f3gico que existe o risco de ter um pico de perda, mas ainda n\u00e3o estamos vendo isso&#8221;, disse Carneiro.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, um dos problemas da redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea das UCs ou de seu n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o \u00e9 o efeito cascata de &#8220;premiar&#8221; quem agiu ilegalmente. O estudo calcula que quem ocupou as UCs pode ter obtido uma renda bruta de R$ 300 milh\u00f5es com venda de madeira. E se apossou de um patrim\u00f4nio em terras no valor de R$ 344 milh\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giovana Girardi Levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon), revela que desde 2012 as taxas de desmatamento em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) v\u00eam aumentando, assim como a participa\u00e7\u00e3o no desmatamento total do bioma. 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