{"id":132618,"date":"2017-03-21T07:57:00","date_gmt":"2017-03-21T10:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=132618"},"modified":"2017-03-21T07:57:50","modified_gmt":"2017-03-21T10:57:50","slug":"trabalhos-de-ludolf-podem-ser-vistos-ate-28-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/trabalhos-de-ludolf-podem-ser-vistos-ate-28-de-abril\/","title":{"rendered":"Trabalhos de Ludolf podem ser vistos em SP at\u00e9 28 de abril"},"content":{"rendered":"<p><strong>Antonio Gon\u00e7alves Filho<\/strong><\/p>\n<p>Um dos pioneiros da abstra\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica no Brasil, integrante do hist\u00f3rico Grupo Frente nos anos 1950, o alagoano Rubem Ludolf (1932-2010) teve sua obra destacada entre os artistas concretos por cr\u00edticos como M\u00e1rio Pedrosa (1900-1981), que sublinhou a &#8220;delicadeza tonal&#8221; do pintor e sua intelig\u00eancia visual, respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de tramas que, superpostas, formavam um terceiro plano. \u00c9 esse expoente do movimento concreto que a Galeria Berenice Arvani homenageia nesta ter\u00e7a-feira, 21, com a abertura da exposi\u00e7\u00e3o Rubem Ludolf e o Plano da Cor.<\/p>\n<p>A mostra, com curadoria do cr\u00edtico Celso Fioravante, re\u00fane obras tanto abstratas como figurativas, pinturas do come\u00e7o de carreira em que Rubem Ludolf retrata naturezas-mortas e paisagens dos morros cariocas &#8211; ele se fixou no Rio e come\u00e7ou a ter aulas com Ivan Serpa em 1955. Esses primeiros trabalhos j\u00e1 revelam a voca\u00e7\u00e3o colorista de Ludolf, mas s\u00e3o as grandes pinturas dos \u00faltimos anos que dominam essa pequena e reveladora mostra do pintor.<\/p>\n<p>No primeiro caso est\u00e3o as estruturas seriadas da d\u00e9cada de 1950 (retomadas tr\u00eas anos antes da morte do pintor) em que os efeitos \u00f3ticos (ele se deixou impressionar pela op art) sinalizam a mudan\u00e7a de rota de Ludolf. Na d\u00e9cada seguinte (1960), ele passou a se interessar mais por tramas de cor do que pela estrutura constru\u00edda pela linha &#8211; ou seja, pelo rigor concretista. A despeito dessa escolha pela liberdade crom\u00e1tica, ele conservou sua liga\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica quando optou pela pintura (ele trabalhou por 46 anos para o antigo DNER, hoje Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes).<\/p>\n<p>Ludolf se uniu ao primeiro conjunto de artistas concretos, o Grupo Frente, marco hist\u00f3rico do construtivismo brasileiro, na segunda exposi\u00e7\u00e3o, em 1955, montada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM\/RJ). Sobre os artistas participantes da mostra (Ludolf, H\u00e9lio Oiticica, Franz Weissmann, entre outros), M\u00e1rio Pedrosa observou que eles n\u00e3o formavam uma &#8220;panelinha&#8221; ou uma &#8220;academia&#8221; onde se ensinavam regras para a arte abstrata. A liberdade de cria\u00e7\u00e3o, segundo o cr\u00edtico, era a meta desses artistas.<\/p>\n<p>Embora criadores libert\u00e1rios como Oiticica tenham posteriormente se alinhado ao grupo dos neoconcretos, Ludolf preferiu seguir sua solit\u00e1ria trajet\u00f3ria, ainda que mais pr\u00f3ximo dos ideais dos concretos paulistas, entre 1956 e 1957. Algumas telas suas desse per\u00edodo, que lidam com vibra\u00e7\u00f5es crom\u00e1ticas muito pr\u00f3ximas dos pintores de S\u00e3o Paulo (Luiz Sacilotto, em particular), provam que n\u00e3o havia, evidentemente, tantas diferen\u00e7as assim entre os n\u00facleos concretistas carioca e paulista.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o do Grupo Frente, Ludolf ficou no &#8220;limbo&#8221; do concretismo. N\u00e3o era um neoconcreto oficialmente (ele n\u00e3o assinou o manifesto de 1959) nem um concreto do grupo Ruptura. No entanto, numa entrevista ao curador Celso Fioravante publicada no cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o, o pintor reconhece que era &#8220;mais pr\u00f3ximo do concretismo&#8221;.<\/p>\n<p>Em seu meio s\u00e9culo de carreira, ele pensou em parar de pintar algumas vezes. Passou nove anos sem expor, entre 1989 e 1998, quando fez uma individual na galeria Paulo Klabin e ocupou uma sala no Pa\u00e7o Imperial. Foi justamente por essa \u00e9poca que os colecionadores estrangeiros (como o norte-americano Gilbert Silverman) come\u00e7aram a se interessar por sua obra, presente em importantes cole\u00e7\u00f5es brasileiras (Gilberto Chateaubriand) e museus (MAM do Rio e S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>Ludolf participou de v\u00e1rias bienais de S\u00e3o Paulo (a primeira vez na terceira edi\u00e7\u00e3o, em 1955), sendo premiado em 1967. Morreu em julho de 2010, em consequ\u00eancia de um aneurisma, um m\u00eas depois da abertura de sua exposi\u00e7\u00e3o na Galeria Raquel Arnaud, na qual esteve presente.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\nGaleria Berenice Arvani. R. Oscar Freire, 540, tel. 3088-2843.<br \/>\n2\u00aa a 6\u00aa, 10h\/19h. Abertura hoje, (21), 17h\/21h. Entrada gratuita<br \/>\nAt\u00e9 28\/4.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Gon\u00e7alves Filho Um dos pioneiros da abstra\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica no Brasil, integrante do hist\u00f3rico Grupo Frente nos anos 1950, o alagoano Rubem Ludolf (1932-2010) teve sua obra destacada entre os artistas concretos por cr\u00edticos como M\u00e1rio Pedrosa (1900-1981), que sublinhou a &#8220;delicadeza tonal&#8221; do pintor e sua intelig\u00eancia visual, respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de tramas que, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":132619,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-132618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132618"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132618\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":132621,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132618\/revisions\/132621"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}