{"id":133195,"date":"2017-03-26T23:34:49","date_gmt":"2017-03-27T02:34:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=133195"},"modified":"2017-03-26T12:36:38","modified_gmt":"2017-03-26T15:36:38","slug":"um-wersten-fascinante-toma-telas-dos-nossos-cinemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/um-wersten-fascinante-toma-telas-dos-nossos-cinemas\/","title":{"rendered":"Western fascinante toma as telas dos nossos cinemas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz Carlos Merten<\/strong><\/p>\n<p>Roteirista profissional, Thomas Bidegain escreveu quatro filmes para Jacques Audiard. &#8220;Adoro escrever para cinema. Isso me permitiu conhecer muita gente interessante. E dar vida aos personagens dos outros \u00e9 um exerc\u00edcio fascinante. Exige entrega, disciplina.&#8221;<\/p>\n<p>Estimulado por Audiard, Bidegain tornou-se diretor &#8211; de Os Cowboys, belo filme em cartaz em todo o Pa\u00eds. &#8220;Foi maluco. Escrevia O Ref\u00fagio para Jacques num turno, fosse manh\u00e3 ou tarde, e no outro escrevia o meu filme&#8221;, lembrou.<\/p>\n<p>Os Cowboys n\u00e3o tem esse t\u00edtulo por acaso. A bem da verdade, j\u00e1 houve outro Os Cowboys &#8211; de Mark Rydell, com John Wayne &#8211; em 1941.<\/p>\n<p>Bidegain usa o g\u00eanero para abordar quest\u00f5es contempor\u00e2neas &#8211; a for\u00e7a da cultura isl\u00e2mica na Fran\u00e7a. Nas tr\u00eas etapas &#8211; escritura, realiza\u00e7\u00e3o, lan\u00e7amento -, a feitura foi marcada por ataques do terror que sacudiram o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Estava apreensivo, mas o filme foi muito bem de p\u00fablico e cr\u00edtica.&#8221; O amigo Audiard gostou. &#8220;Jacques visitou o set, foi muito bacana comigo.&#8221; O rep\u00f3rter informa, na entrevista por telefone, que outro filme franc\u00eas sobre o tema &#8211; Fatima, de Philippe Faucon -, tamb\u00e9m est\u00e1 em cartaz no Brasil. &#8220;Gosto muito do filme, da atriz. E, embora diferentes, acho que s\u00e3o filmes complementares. Para entender um pouco o islamismo na Fran\u00e7a, sugiro que seus leitores vejam os dois.&#8221;<\/p>\n<p>Vem de longe o fasc\u00ednio de Bidegain pelo western. &#8220;Sou basco e, durante toda a minha inf\u00e2ncia, brincava de mocinho com meu irm\u00e3o Na nossa fantasia, os bascos eram os \u00edndios.&#8221; Agora, s\u00e3o os isl\u00e2micos. O filme narra a busca que pai e filho fazem da filha e irm\u00e3 que fugiu de casa para seguir o namorado isl\u00e2mico. Desaparecem no mundo. Come\u00e7a o \u00eaxodo. No meio do caminho&#8230; Olha o spoiler.<\/p>\n<p>O filme narra a jornada do garoto, que vira homem. Um tema cl\u00e1ssico do western. O final \u00e9 muito belo, muito maduro. De alguma forma evoca um dos maiores filmes de Hollywood no come\u00e7o dos anos 1960 &#8211; Clamor do Sexo, de Elia Kazan, com Warren Beatty e Natalie Wood. Mas a matriz de Bidegain \u00e9 outro filme, maior ainda, com Natalie &#8211; o m\u00edtico Rastros de \u00d3dio\/The Searchers, de John Ford, com John Wayne e Jeffrey Hunter.<\/p>\n<p>Tio e sobrinho procuram a garota sequestrada pelos \u00edndios e que, anos depois, se aculturou e virou mulher de um chefe. Ethan Edward\/Wayne virou um homem amargurado e sombrio. Ca\u00e7a Debbie para mat\u00e1-la. &#8220;Rastros de \u00d3dio foi meu modelo, mas n\u00e3o precisei rev\u00ea-lo enquanto escrevia. Tudo o que me interessava j\u00e1 fazia parte do meu imagin\u00e1rio. Depois, sim, mostrei o filme aos atores &#8221;<\/p>\n<p>S\u00f3 um par\u00eantese &#8211; o tempo todo Bidegain fala de La Prisionni\u00e8re du Desert\/A Prisioneira do Deserto, t\u00edtulo que Rastros de \u00d3dio recebeu na Fran\u00e7a. Os atores, Fran\u00e7ois Damiens, o pai, e Finnegan Oldfield, o filho. &#8220;Fran\u00e7ois \u00e9 um ator muito popular na Fran\u00e7a. O p\u00fablico o adora por suas com\u00e9dias. J\u00e1 havia trabalhado com ele, escrevendo A Fam\u00edlia B\u00e9lier.&#8221;<\/p>\n<p>Isso significa que Bidegain escreveu Os Cowboys para Damiens? &#8220;De maneira alguma. Nem para Jacques (Audiard) escrevo pensando nos atores. \u00c0s vezes, depois, adapto os di\u00e1logos \u00e0 embocadura de algum ator. Nesse caso, nem precisei fazer isso. A qu\u00edmica entre Fran\u00e7ois e Finnegan foi muito boa. E Fran\u00e7ois vestiu a camiseta do drama.&#8221; O problema do filme \u00e9 real. Muitas fam\u00edlias francesas est\u00e3o hoje \u2018bris\u00e9es\u2019 (partidas) porque filhos e filhas aderiram ao islamismo. &#8220;N\u00e3o fiz o filme para julgar, condenar. \u00c9 um fen\u00f4meno real. Mais importante \u00e9 compreender. J\u00e1 existe \u00f3dio demais na Fran\u00e7a para que ainda queira jogar gasolina na fogueira.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Carlos Merten Roteirista profissional, Thomas Bidegain escreveu quatro filmes para Jacques Audiard. &#8220;Adoro escrever para cinema. Isso me permitiu conhecer muita gente interessante. E dar vida aos personagens dos outros \u00e9 um exerc\u00edcio fascinante. 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