{"id":133295,"date":"2017-03-27T08:12:24","date_gmt":"2017-03-27T11:12:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=133295"},"modified":"2017-03-27T08:17:52","modified_gmt":"2017-03-27T11:17:52","slug":"plantas-da-amazonia-sao-desvendadas-por-botanicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/plantas-da-amazonia-sao-desvendadas-por-botanicos\/","title":{"rendered":"Grupo de bot\u00e2nicos desvenda mais 600 plantas da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Clarissa Thom\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Nem tudo s\u00e3o florestas e \u00e1rvores gigantes, quando se fala na vegeta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica. Na Serra de Caraj\u00e1s, no sudeste do Par\u00e1, no topo de morros de 800 metros de altitude, se espalha uma vegeta\u00e7\u00e3o rasteira que recobre os campos ferruginosos, tamb\u00e9m conhecidos como cangas. Uma pesquisa que re\u00fane 74 bot\u00e2nicos de 22 institui\u00e7\u00f5es do Pa\u00eds e do exterior prop\u00f5e revelar parte dessas esp\u00e9cies, algumas em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O grupo descreveu 600 esp\u00e9cies, entre samambaias, musgos, flores O estudo, parceria do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi e do Instituto Tecnol\u00f3gico Vale (ITV), ser\u00e1 publicado em tr\u00eas volumes da Rodrigu\u00e9sia, prestigiada publica\u00e7\u00e3o do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro. O primeiro, lan\u00e7ado neste m\u00eas, descreve 235 esp\u00e9cies<\/p>\n<p>&#8220;O bioma da floresta amaz\u00f4nica \u00e9 o mais desconhecido do Pa\u00eds. S\u00e3o 11 mil esp\u00e9cies descritas. A Mata Atl\u00e2ntica, uma tripa na parte leste do Pa\u00eds, tem 15 mil esp\u00e9cies conhecidas, mais do que na floresta amaz\u00f4nica. S\u00f3 tenho uma conclus\u00e3o: falta conhecimento da flora amaz\u00f4nica&#8221;, afirma a bot\u00e2nica Ana Maria Giuliette, uma das coordenadoras do projeto, ao lado do bot\u00e2nico Pedro Viana.<\/p>\n<p>A dificuldade de acesso e o escasso financiamento para esse tipo de pesquisa est\u00e3o entre as causas para o pouco conhecimento da regi\u00e3o. Para alcan\u00e7ar as \u00e1reas de cangas, muitas vezes s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel chegar de helic\u00f3ptero. &#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil subir no ponto mais alto. Estradas s\u00e3o p\u00e9ssimas e h\u00e1 muitas \u00e1rvores ca\u00eddas. E \u00e9 quando floresce que mais chove, o que dificulta ainda mais o trajeto&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>A Floresta Nacional de Caraj\u00e1s tem 400 mil hectares. Entre 2% e 3% da regi\u00e3o \u00e9 de cangas. O Museu Goeldi fez as primeiras pesquisas sobre as plantas locais nos anos de 1970, no in\u00edcio da minera\u00e7\u00e3o em Caraj\u00e1s. Nos afloramentos de min\u00e9rio de ferro, onde n\u00e3o crescem \u00e1rvores, pesquisadores iniciaram a coleta de pequenas plantas que recobriam a regi\u00e3o. Em 2015, bot\u00e2nicos voltaram \u00e0s \u00e1reas de canga para nova coleta sistem\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso ter ideia de como s\u00e3o as plantas hoje na natureza. Quando florescem? Quando produzem frutos? Tudo isso \u00e9 importante quando a gente pensa em recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. A legisla\u00e7\u00e3o diz que temos de usar sementes da mesma \u00e1rea para recuperar um trecho de mata. Qual \u00e9 a \u00e9poca certa de coletar semente? S\u00f3 saberemos fazendo esse acompanhamento&#8221;, afirma Ana Maria. &#8220;A Uni\u00e3o Internacional para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza recomenda que esse monitoramento dure 10 anos. Estamos s\u00f3 come\u00e7ando&#8221;.<\/p>\n<p><b>Cat\u00e1logo &#8211;\u00a0<\/b>Entre as esp\u00e9cies estudadas est\u00e1 a flor de Caraj\u00e1s, esp\u00e9cie em perigo de extin\u00e7\u00e3o. A planta, uma trepadeira, pode atingir tr\u00eas metros. Os pesquisadores viajaram por dez dias na \u00e1rea da Serra Norte da Floresta Nacional de Caraj\u00e1s, \u00fanico local em que a planta foi achada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a coleta, exames de DNA revelam quais plantas s\u00e3o filogeneticamente pr\u00f3ximas, ou &#8220;aparentadas&#8221;. A partir da\u00ed s\u00e3o identificadas fam\u00edlia, g\u00eanero e esp\u00e9cie. Cada uma ganha ilustra\u00e7\u00e3o a bico de pena e algumas t\u00eam fotografias de campo. Todas s\u00e3o georreferenciadas para permitir que pesquisadores as encontrem na natureza, no caso de nova coleta. E a flora \u00e9 armazenada no Museu Goeldi.<\/p>\n<p>&#8220;Com esse contingente de pesquisadores foi poss\u00edvel fazer a flora correta, autenticada, em pouco tempo como fizemos. Em nenhum lugar se produz flora em dois anos, como estamos fazendo com Caraj\u00e1s, com 600 esp\u00e9cies. S\u00f3 pudemos fazer isso porque tivemos essa base coletada anteriormente pelo Museu Goeldi e porque contamos com todos os especialistas. Esse estudo permite que sejam recuperadas \u00e1reas afetadas pela minera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Ana Maria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clarissa Thom\u00e9 Nem tudo s\u00e3o florestas e \u00e1rvores gigantes, quando se fala na vegeta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica. Na Serra de Caraj\u00e1s, no sudeste do Par\u00e1, no topo de morros de 800 metros de altitude, se espalha uma vegeta\u00e7\u00e3o rasteira que recobre os campos ferruginosos, tamb\u00e9m conhecidos como cangas. 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