{"id":133385,"date":"2017-03-28T00:54:07","date_gmt":"2017-03-28T03:54:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=133385"},"modified":"2017-03-28T08:00:13","modified_gmt":"2017-03-28T11:00:13","slug":"delatores-fazem-raio-x-das-propinas-pagas-pela-odebrecht","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/delatores-fazem-raio-x-das-propinas-pagas-pela-odebrecht\/","title":{"rendered":"Delatores fazem Raio-X das propinas pagas na Odebrecht"},"content":{"rendered":"<p><strong>Beatriz Bulla, Fabio Serapi\u00e3o, F\u00e1bio Fabrini e Rafael Moraes Moura<\/strong><\/p>\n<p>Depoimentos de delatores da Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na a\u00e7\u00e3o que investiga poss\u00edvel abuso de poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer de 2014 revelaram detalhes do funcionamento do &#8220;departamento de propinas&#8221; da empreiteira.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel por movimentar US$ 3,3 bilh\u00f5es, o Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas era o centro nervoso de um esquema de pagamento de subornos no Brasil e em outros 13 pa\u00edses. A cifra foi exposta por Hilberto Mascarenhas, que chefiou a \u00e1rea de 2006 at\u00e9 o seu fechamento, ap\u00f3s a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>Nos depoimentos, os delatores indicam que pagamentos ilegais n\u00e3o foram inventados na gest\u00e3o de Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo, mas o nome e a estrutura\u00e7\u00e3o do setor, sim. De acordo com Mascarenhas, antes os pagamentos eram embrion\u00e1rios e menos seguros. &#8220;Eles usavam fax! Meu Deus do c\u00e9u! Cuspir papel \u00e9 suic\u00eddio!&#8221;, disse o delator ao TSE.<\/p>\n<p>Os repasses ilegais estavam vinculados a uma &#8220;agenda ampla&#8221; da Odebrecht, que envolvia interesses no governo relacionados a etanol, tributa\u00e7\u00e3o e obras, como a constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura para a Copa do Mundo e a Olimp\u00edada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de propina e de caixa 2 para campanhas eleitorais, o setor bancava, de forma extraoficial, o resgate de executivos em caso de sequestro, em pa\u00edses como Iraque e Col\u00f4mbia, pagamentos a mil\u00edcias e b\u00f4nus a executivos da empreiteira.<\/p>\n<p>O caixa 2 que abastecia a \u00e1rea era gerado por obras da empresa no exterior &#8211; segundo Mascarenhas, 99,9% do dinheiro vinha assim &#8220;\u2018Ah, vamos fazer uma obra em tal lugar\u2019. Tinha um excedente (nesse tipo de obra). O excedente era usado para abastecer a nossa \u00e1rea&#8221;, relatou Fernando Migliaccio, subordinado a Mascarenhas na \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; O setor recebia uma programa\u00e7\u00e3o semanal dos pagamentos a serem ser feitos, j\u00e1 vinculados a codinomes dados por executivos do alto escal\u00e3o a autoridades ou pol\u00edticos. A hierarquia r\u00edgida, caracter\u00edstica da empresa, servia para compartimentar as informa\u00e7\u00f5es e evitar que funcion\u00e1rios da \u00e1rea decifrassem os apelidos.<\/p>\n<p>&#8220;Chegou aqui autorizado, paga, certo? (&#8230;) Nosso papel era de pagar. Para quem e por que n\u00e3o era da nossa al\u00e7ada&#8221;, disse Mascarenhas ao TSE. As determina\u00e7\u00f5es de pagamento eram lan\u00e7adas sempre na sexta-feira e, na segunda-feira subsequente, a opera\u00e7\u00e3o era feita. Quem recebia a planilha era a secret\u00e1ria Maria L\u00facia Tavares, primeira delatora a falar sobre o setor.<\/p>\n<p><strong>Sistemas<\/strong> &#8211; Mesmo com acesso aos sistemas de inform\u00e1tica Drousys e MyWebDay, ela s\u00f3 sabia que &#8220;Feira&#8221; era M\u00f4nica Moura, mulher do marqueteiro Jo\u00e3o Santana, porque a empres\u00e1ria foi at\u00e9 o escrit\u00f3rio da empresa uma vez. Foi Santana quem levou a Pol\u00edcia Federal ao conhecimento da \u00e1rea de propina.<\/p>\n<p>O pedido para realizar o pagamento era encaminhado por executivos da Odebrecht, sempre com autoriza\u00e7\u00e3o de Marcelo Odebrecht ou de l\u00edderes empresariais (presidentes das empresas do grupo). Os l\u00edderes que autorizavam o pagamento tinham o valor &#8220;debitado&#8221; da sua \u00e1rea &#8211; ou seja, o que era pago pelo departamento da propina por autoriza\u00e7\u00e3o do executivo era abatido do lucro da \u00e1rea e interferia no b\u00f4nus que a empresa pagava a ele.<\/p>\n<p>Para tentar maquiar o elevado fluxo de valores, os executivos do setor ficaram s\u00f3cios de um banco em Ant\u00edgua, para\u00edso fiscal do Caribe, e se valiam de transa\u00e7\u00f5es por v\u00e1rias camadas de offshore<\/p>\n<p><strong>Limite<\/strong> &#8211; O repasse ao destinat\u00e1rio da propina era a etapa final cumprida pelo setor. O dinheiro abastecia contas de operadores financeiros dispon\u00edveis para efetuar pagamentos em esp\u00e9cie em qualquer lugar no Pa\u00eds, at\u00e9 em cabar\u00e9s, at\u00e9 o limite di\u00e1rio de R$ 500 mil por codinome.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas vezes eu brigava, porque tinha solicita\u00e7\u00f5es para pra\u00e7as que \u00e9 imposs\u00edvel conseguir, e voc\u00ea ficar transitando com reais por esse pa\u00eds \u00e9 loucura, voc\u00ea vai ser pego&#8221;, disse Mascarenhas.<\/p>\n<p>Outro funcion\u00e1rio do setor, Fernando Migliaccio, preso na Su\u00ed\u00e7a em 2015, afirmou no TSE ter como recorde a movimenta\u00e7\u00e3o de R$ 35 milh\u00f5es, a v\u00e1rios destinat\u00e1rios, em um s\u00f3 dia. No exterior, os repasses eram feitos em contas banc\u00e1rias &#8211; normalmente de offshores. Fora do Pa\u00eds, s\u00f3 n\u00e3o eram feitos pagamentos nos Estados Unidos, considerado &#8220;complicad\u00edssimo&#8221; por causa da fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beatriz Bulla, Fabio Serapi\u00e3o, F\u00e1bio Fabrini e Rafael Moraes Moura Depoimentos de delatores da Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na a\u00e7\u00e3o que investiga poss\u00edvel abuso de poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer de 2014 revelaram detalhes do funcionamento do &#8220;departamento de propinas&#8221; da empreiteira. 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