{"id":134403,"date":"2017-04-06T08:51:48","date_gmt":"2017-04-06T11:51:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=134403"},"modified":"2017-04-06T09:49:52","modified_gmt":"2017-04-06T12:49:52","slug":"velhice-leva-homem-dormir-menos-e-ter-noites-confusas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/velhice-leva-homem-dormir-menos-e-ter-noites-confusas\/","title":{"rendered":"Velhice leva homem a dormir menos e a ter noites confusas"},"content":{"rendered":"<p><strong>F\u00e1bio de Castro<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil observar que as pessoas, \u00e0 medida que se tornam mais velhas, dormem menos e acordam cada vez mais durante a noite. Para entender as causas desse fen\u00f4meno, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos analisou uma s\u00e9rie de estudos cient\u00edficos e concluiu que, ao envelhecer, se perde gradualmente a capacidade de ter um sono profundo e restaurador &#8211; o que provoca consequ\u00eancias f\u00edsicas e mentais negativas, acelerando o pr\u00f3prio envelhecimento.<\/p>\n<p>Ter dificuldade para pegar no sono e acordar diversas vezes \u00e0 noite fazem parte da rotina da aposentada Edith Avellar, de 82 anos. &#8220;J\u00e1 vou dormir tarde, mas, mesmo assim, fico virando na cama e demoro para dormir. Quando durmo, o sono acaba ficando picado. Qualquer barulho j\u00e1 me acorda. Quando era mais jovem, parece que era mais f\u00e1cil ter um sono mais profundo&#8221;, comenta ela.<\/p>\n<p>A idosa diz que, com a m\u00e1 qualidade do sono, acaba ficando indisposta no dia seguinte. &#8220;N\u00e3o consigo fazer o servi\u00e7o de casa, fico sonolenta, cansada, \u00e0s vezes durmo no sof\u00e1 \u00e0 tarde. E isso acaba desregulando ainda mais os hor\u00e1rios porque, se eu durmo \u00e0 tarde, a\u00ed \u00e9 que n\u00e3o tenho mesmo sono \u00e0 noite&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O sono muda com o envelhecimento, mas o que os cientistas descobriram \u00e9 que essas mudan\u00e7as podem tamb\u00e9m ser ponto de partida para explicar o pr\u00f3prio envelhecimento, segundo Matthew Walker, um dos autores do estudo, publicado ontem na revista cient\u00edfica Neuron.<\/p>\n<p>Diretor do Laborat\u00f3rio de Sono e Neuroimagem da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, nos Estados Unidos, Walker afirma que um dos principais problemas ligados ao envelhecimento e agravados pela perda do sono \u00e9 a dem\u00eancia. &#8220;Cada uma das principais doen\u00e7as que est\u00e3o nos matando nos pa\u00edses desenvolvidos &#8211; como diabete, obesidade, Alzheimer e c\u00e2ncer -, tem uma forte rela\u00e7\u00e3o causal com a falta de sono. \u00c0 medida que ficamos mais velhos, a probabilidade de todas essas doen\u00e7as aumentam consideravelmente, especialmente a dem\u00eancia&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo Walker, a perda do sono entre as pessoas mais velhas n\u00e3o \u00e9 causada por uma agenda cheia nem por necessidade menor de sono O que ocorre \u00e9 que, conforme o c\u00e9rebro envelhece, os neur\u00f4nios e os circuitos nas \u00e1reas que regulam o sono se degradam lentamente, resultando em um tempo cada vez menor nos est\u00e1gios do chamado sono n\u00e3o-REM.<\/p>\n<p>Segundo os cientistas, o sono REM (movimento ocular r\u00e1pido, na sigla em ingl\u00eas), que ocorre com mais frequ\u00eancia na segunda metade da noite de sono, \u00e9 caracterizado por uma atividade cerebral r\u00e1pida &#8211; quando ocorrem os sonhos &#8211; e um relaxamento total do corpo. Enquanto isso, os est\u00e1gios de sono n\u00e3o-REM s\u00e3o caracterizados por uma atividade cerebral lenta, que garantem um sono restaurador. Com menos horas nesses est\u00e1gios de sono profundo, os idosos sofrem sequelas.<\/p>\n<p>Segundo outro dos autores, Bryce Mander, tamb\u00e9m da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, o envelhecimento leva a um decl\u00ednio de quase todas as medidas usadas para avaliar o sono. &#8220;Quanto mais se envelhece, a dura\u00e7\u00e3o do seu sono \u00e9 reduzida, fica mais fragmentado e o tempo gasto em cada um dos est\u00e1gios \u00e9 reduzido. O principal \u00e9 que o tempo gasto nos est\u00e1gios mais profundos &#8211; em especial no sono profundo n\u00e3o-REM &#8211; \u00e9 reduzido dramaticamente. Mesmo a passagem de um est\u00e1gio a outro se torna menos previs\u00edvel e mais desorganizada&#8221;, explica.<\/p>\n<p><b>Estudos no Brasil &#8211;\u00a0<\/b>Estudo de cientistas do Instituto do Sono, ligado \u00e0 Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), publicado em 2014 na revista Sleep Medicine, chegou a conclus\u00f5es semelhantes. Um dos autores, o geriatra Ronaldo Piovezan, professor de Biologia e Medicina do Sono na Unifesp, a pesquisa foi feita com mais de mil pessoas na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>De acordo com Piovezan, o est\u00e1gio mais profundo do sono n\u00e3o-REM \u00e9 fundamental para a recupera\u00e7\u00e3o corporal. &#8220;Nessa fase do sono h\u00e1 libera\u00e7\u00e3o de alguns horm\u00f4nios, como o do crescimento &#8211; que acreditamos ser muito importante para a regula\u00e7\u00e3o do funcionamento muscular. A perda do sono pode ent\u00e3o estar ligada \u00e0 perda de massa muscular na velhice, o que pode levar \u00e0 dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o e aumentar o risco de quedas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o, com o idoso acordando muito mais durante a noite, reduz a qualidade do sono. &#8220;Isso diminui a concentra\u00e7\u00e3o e a aten\u00e7\u00e3o, prejudica a mem\u00f3ria e aumenta o risco de dem\u00eancia&#8221;, afirma o pesquisador da Unifesp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1bio de Castro N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil observar que as pessoas, \u00e0 medida que se tornam mais velhas, dormem menos e acordam cada vez mais durante a noite. Para entender as causas desse fen\u00f4meno, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos analisou uma s\u00e9rie de estudos cient\u00edficos e concluiu que, ao envelhecer, se perde gradualmente a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134404,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[68],"tags":[],"class_list":["post-134403","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134403"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":134417,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134403\/revisions\/134417"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134404"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}