{"id":135305,"date":"2017-04-17T04:23:13","date_gmt":"2017-04-17T07:23:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=135305"},"modified":"2017-04-17T04:23:13","modified_gmt":"2017-04-17T07:23:13","slug":"clandestina-sai-lugar-comum-para-mostrar-o-melofobo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/clandestina-sai-lugar-comum-para-mostrar-o-melofobo\/","title":{"rendered":"Clandestina sai do lugar comum para mostrar O Mel\u00f3fobo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo\u00e3o Marcos Coelho<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 j\u00e1 alguns bons anos, instrumentistas em geral dedicados \u00e0s m\u00fasicas n\u00e3o comerciais &#8211; ditas de inven\u00e7\u00e3o na justa e feliz express\u00e3o de Augusto de Campos &#8211; aprenderam que se vive de apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo. Qualquer forma de grava\u00e7\u00e3o &#8211; CD, MP3, v\u00eddeo &#8211; deve antes de tudo estar gratuitamente acess\u00edvel. O neg\u00f3cio \u00e9 ser ouvido.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica alcan\u00e7a agora o reino editorial. A declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios estampada na p\u00e1gina de abertura do portal da Editora Clandestina \u00e9 clara: &#8220;Editora de filosofia sem fins lucrativos com o prop\u00f3sito de facilitar a divulga\u00e7\u00e3o de obras filos\u00f3ficas e liter\u00e1rias em formato digital&#8221;. Sem alarde, foi formada por um grupo de professores do Departamento de Filosofia da USP. J\u00e1 tem sete t\u00edtulos em pdf gratuitos em seu portal.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 obras que merecem ser lidas pelo p\u00fablico em geral&#8221;, diz \u00e0 reportagem o professor M\u00e1rcio Suzuki, um dos editores da Clandestina, &#8220;e tamb\u00e9m por um p\u00fablico, inclusive dentro das universidades, que n\u00e3o poderia comprar um livro. Estamos pensando em imprimir uma pequena tiragem para os que quiserem ter o livro f\u00edsico&#8221;.<\/p>\n<p>O mote \u00e9 publicar textos que n\u00e3o interessariam a editoras &#8220;normais&#8221;, mas constituem &#8220;iscas&#8221; saborosas que levam o leitor a querer saber mais sobre determinada obra, assunto ou autor. \u00c9 o caso do livro que me levou a &#8220;descobrir&#8221; a Clandestina: &#8220;O Mel\u00f3fobo&#8221;. Lindo t\u00edtulo para um conto maravilhoso de Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann (1776-1822). Polivalente, pintou, escreveu contos fant\u00e1sticos, comp\u00f4s. A cr\u00edtica o considera compositor med\u00edocre, mas sensacional escritor, inspirador de compositores, como Schumann e Offenbach, entre outros.<\/p>\n<p>Mel\u00f3fobo quer dizer algu\u00e9m que odeia m\u00fasica. O conto j\u00e1 foi traduzido tamb\u00e9m como &#8220;O Inimigo da M\u00fasica&#8221;. Ironia pura. O menino, na verdade, \u00e9 o \u00fanico a sentir e compreender a m\u00fasica de modo verdadeiro. Num concerto, ele descreve: &#8220;J\u00e1 a primeira sinfonia desperta em mim tamanho tumulto, que fico morto para todo o resto. N\u00e3o s\u00f3 isso, muitas vezes j\u00e1 a primeira frase me excita tanto, me abala t\u00e3o violentamente, que desejo fugir dali a fim de poder contemplar mais nitidamente todos aqueles fen\u00f4menos estranhos que me tomam de assalto, a fim de poder entrar na maravilhosa dan\u00e7a, onde, no meio deles, sou igual a eles. Para mim \u00e9 como se a m\u00fasica ouvida fosse eu mesmo&#8221;.<\/p>\n<p>Em apenas 80 p\u00e1ginas, o livro abre um mundo novo ao leitor. Na sequ\u00eancia, l\u00ea-se a primeira grande cr\u00edtica &#8211; sim, ele foi cr\u00edtico musical tamb\u00e9m &#8211; da Quinta Sinfonia de Beethoven, que estabelece o primado da autonomia da m\u00fasica instrumental e o status do compositor como prot\u00f3tipo rom\u00e2ntico, conceitos esmiu\u00e7ados no excelente artigo de M\u00e1rcio Suzuki sobre a import\u00e2ncia da m\u00fasica em Hoffmann. Imediatamente depois dessa deliciosa leitura, \u00e9 natural o impulso de sair \u00e0 cata dos outros contos fant\u00e1sticos de Hoffmann, das obras musicais que sua literatura provocou durante o s\u00e9culo 19 e at\u00e9 de suas composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 o exemplo perfeito dos prop\u00f3sitos da Clandestina, como atesta Suzuki: &#8220;A ideia central \u00e9 publicar textos que fazem um pequeno recorte sugestivo num tema ou quest\u00e3o, e que por isso mesmo n\u00e3o seriam aceitos pelas editoras porque n\u00e3o seriam uma obra integral e nem talvez compusessem um &#8216;volume&#8217; com o n\u00famero x de p\u00e1ginas, esgotando um assunto, etc. Tamb\u00e9m estamos fugindo das &#8216;introdu\u00e7\u00f5es a&#8230;&#8217;. Herdamos um pouco, numa \u00e9poca mais dif\u00edcil, o esp\u00edrito da Biblioteca P\u00f3len, criada por Rubens Rodrigues Torres Filho na Editora Iluminuras&#8221;.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 bom visitar periodicamente o site da editora. Entre os pr\u00f3ximos lan\u00e7amentos, fique de olho em &#8220;Como Orientar-se no Pensamento&#8221;, sele\u00e7\u00e3o de textos de Leibniz, Buffon Euler e Kant sobre como a orienta\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o \u00e9 o paradigma da orienta\u00e7\u00e3o no mundo das ideias; e &#8220;Os Paradoxos do Comediante&#8221;, sele\u00e7\u00e3o de textos de Riccoboni, Diderot e Kant sobre a arte do ator. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p><strong>O MEL\u00d3FOBO<\/strong><br \/>\nAutor: Ernst T. A. Hoffmann<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: M\u00e1rcio Suzuki e M\u00e1rio Videira<br \/>\nEditora: Clandestina (79 p\u00e1gs.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Marcos Coelho H\u00e1 j\u00e1 alguns bons anos, instrumentistas em geral dedicados \u00e0s m\u00fasicas n\u00e3o comerciais &#8211; ditas de inven\u00e7\u00e3o na justa e feliz express\u00e3o de Augusto de Campos &#8211; aprenderam que se vive de apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo. Qualquer forma de grava\u00e7\u00e3o &#8211; CD, MP3, v\u00eddeo &#8211; deve antes de tudo estar gratuitamente acess\u00edvel. 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