{"id":137227,"date":"2017-05-04T08:39:31","date_gmt":"2017-05-04T11:39:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=137227"},"modified":"2017-05-04T08:44:55","modified_gmt":"2017-05-04T11:44:55","slug":"samba-que-noel-convidou-fica-em-15-mil-exemplares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/samba-que-noel-convidou-fica-em-15-mil-exemplares\/","title":{"rendered":"Samba que Noel convidou fica s\u00f3 em 15 mil exemplares"},"content":{"rendered":"<p><strong>Amilton Pinheiro<\/strong><\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o considerada como a biografia definitiva de Noel Rosa, lan\u00e7ada em 1990, pela editora UnB, e escrita por Jo\u00e3o M\u00e1ximo e Carlos Didier, n\u00e3o ganhar\u00e1 mais uma reedi\u00e7\u00e3o no ano em que s\u00e3o lembradas as oito d\u00e9cadas sem o compositor (ele faria 80 anos nesta quinta, 4). \u00c9 o que afirma um dos seus autores: &#8220;A confian\u00e7a acabou. As pessoas v\u00e3o ter que se contentar com os 15 mil exemplares que sa\u00edram pela editora, que ali\u00e1s s\u00e3o suficientes para a demanda de um Pa\u00eds em que a elite l\u00ea muito pouco, melhor dizendo, n\u00e3o l\u00ea quase nada&#8221;, diz categoricamente Carlos Didier, por telefone.<\/p>\n<p>&#8220;Foram oito anos pesquisando, desde que eu e Didier decidimos trabalhar juntos, depois de sermos apresentados por S\u00e9rgio Cabral, o pai, no final de 1980. Quando terminamos o texto, fomos atr\u00e1s de uma editora, mas nenhuma se interessou. J\u00e1 est\u00e1vamos quase desistindo quando, num evento em Bras\u00edlia, que particip\u00e1vamos, alguns professores da UnB nos procuraram no final interessados nos relatos que fizemos sobre Noel Rosa, sua m\u00fasica e seu tempo&#8221;, conta Jo\u00e3o M\u00e1ximo.<\/p>\n<p>Depois da publica\u00e7\u00e3o, dos elogios da imprensa e da cr\u00edtica, a editora n\u00e3o pagou os direitos autorais dos autores, que tiveram de entrar na Justi\u00e7a para receber o que lhes deviam. Acabaram sendo pagos com o restante do estoque de livros que ainda existia. Ap\u00f3s um tempo, os herdeiros de Noel Rosa, que n\u00e3o teve filhos, entraram na Justi\u00e7a alegando que o livro trazia inverdades sobre a fam\u00edlia de Noel. &#8220;Foram tr\u00eas processos e, em todos, ganhamos a causa&#8221;, conta M\u00e1ximo.<\/p>\n<p>No meio tempo, os autores come\u00e7aram a se estranhar por causa dos coment\u00e1rios que passaram a ser reproduzidos pela imprensa e pelos amigos. Segundo Jo\u00e3o M\u00e1ximo, a maioria das refer\u00eancias da autoria do livro reca\u00eda sobre ele, que at\u00e9 ficava chateado com o ocorrido.<\/p>\n<p>&#8220;Eu cheguei a falar com as pessoas que conhecia para que deixassem de atribuir o livro s\u00f3 a mim, que citassem tamb\u00e9m o Didier, mas n\u00e3o tinha jeito. Numa ocasi\u00e3o, reclamei com Ruy Castro para que falasse tamb\u00e9m que o livro era de Didier&#8221;, conta M\u00e1ximo, que entendia que a origem de tudo era o fato de ele ser 20 anos mais velho que seu parceiro, de ser um jornalista reconhecido e de estar mais estabelecido no meio (Didier era m\u00fasico na \u00e9poca e tinha um grupo que se especializou nas m\u00fasicas de Noel Rosa).<\/p>\n<p>No in\u00edcio, relata Didier, alguns amigos chegavam para ele dizendo que tomasse cuidado com Jo\u00e3o, mas ele achava que aquilo era exagero das pessoas. &#8220;At\u00e9 um dia em que tive a comprova\u00e7\u00e3o de que quem espalhava os boatos sobre quem era o autor de fato do livro era o pr\u00f3prio Jo\u00e3o, principal interessado para que essa hist\u00f3ria espalhasse&#8221;, explica Didier.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, Didier passou a evitar falar com Jo\u00e3o M\u00e1ximo, mandou uma carta para ele dizendo que cada um seguisse seu caminho. M\u00e1ximo estranhou e escreveu outra carta pedindo mais explica\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o teve retorno. O tempo passou e o livro saiu de cat\u00e1logo e virou rel\u00edquia nos sebos, que chega a cobrar at\u00e9 mil reais por um exemplar.<\/p>\n<p>Os autores nunca mais se falaram at\u00e9 que, em 2012, Maria Am\u00e9lia de Mello, que na \u00e9poca era editora da Jos\u00e9 Olympio (hoje trabalha na Aut\u00eantica), amiga de ambos, conseguiu reuni-los numa livraria em Botafogo, no Rio de Janeiro, porque estava interessada na reedi\u00e7\u00e3o do livro. Os autores foram l\u00e1 e, segundo Didier e Am\u00e9lia, no final da reuni\u00e3o, houve um acordo verbal para que a biografia de Noel fosse editada l\u00e1. &#8220;M\u00e1ximo concordou, e fui atr\u00e1s de um patrocinador em S\u00e3o Paulo. Quando consegui, voltei para o Rio, mas Jo\u00e3o nem quis me ouvir, tinha fechado com a Companhia das Letras\u2019, diz Maria Am\u00e9lia.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o de Jo\u00e3o M\u00e1ximo \u00e9 outra. &#8220;Eu escutei tudo, e ficou acordado que Am\u00e9lia mandaria uma proposta formal, j\u00e1 que havia uma proposta da editora Companhia das Letras, que estava querendo reeditar o livro. Mas ela nunca me enviou nada de proposta, como iria fechar um acordo sem algo de concreto?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>Entre as vers\u00f5es que cada um conta, de concreto, resta essa nota dissonante de um samba que Noel n\u00e3o comp\u00f4s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amilton Pinheiro A publica\u00e7\u00e3o considerada como a biografia definitiva de Noel Rosa, lan\u00e7ada em 1990, pela editora UnB, e escrita por Jo\u00e3o M\u00e1ximo e Carlos Didier, n\u00e3o ganhar\u00e1 mais uma reedi\u00e7\u00e3o no ano em que s\u00e3o lembradas as oito d\u00e9cadas sem o compositor (ele faria 80 anos nesta quinta, 4). \u00c9 o que afirma um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":137229,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-137227","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137227"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137227\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":137232,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137227\/revisions\/137232"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/137229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}