{"id":137642,"date":"2017-05-08T06:20:15","date_gmt":"2017-05-08T09:20:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=137642"},"modified":"2017-05-08T06:20:15","modified_gmt":"2017-05-08T09:20:15","slug":"rio-tem-trimestre-mais-violento-dos-ultimos-cinco-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rio-tem-trimestre-mais-violento-dos-ultimos-cinco-anos\/","title":{"rendered":"Rio tem trimestre mais violento dos \u00faltimos cinco anos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Roberta Pennafort e Clarissa Thom\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s 23 horas de 1\u00ba de maio, o motoboy Marcos Vin\u00edcius Gon\u00e7alves Monteiro, de 19 anos, sa\u00eda de uma feijoada na casa de amigos de inf\u00e2ncia, na favela Cidade de Deus, na zona oeste. Mais cedo, acompanhara a m\u00e3e \u00e0 igreja, transportara passageiros, passara em casa para dar um beijo na filha, de 3 anos.<\/p>\n<p>Ao deixar a festa, esbarrou em uma opera\u00e7\u00e3o policial. Acabou baleado na barriga, em situa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o esclarecida. Morreria no dia seguinte, no Hospital Municipal Louren\u00e7o Jorge, na Barra. Foi mais uma v\u00edtima da rotina violenta dos cariocas, que nos \u00faltimos meses piorou ainda mais. S\u00e3o assaltos, confrontos armados, balas perdidas, mortes.<\/p>\n<p>&#8220;A viol\u00eancia triplicou. Sempre teve, mas agora n\u00e3o tem mais limite. E quem est\u00e1 pagando s\u00e3o os moradores, s\u00e3o trabalhadores. Os tiroteios n\u00e3o t\u00eam hora, s\u00e3o no hor\u00e1rio de sa\u00edda da escola, quando o povo chega ou sai do trabalho&#8221;, diz X., de 31 anos, amiga de Marcos. &#8220;\u00c0s vezes, volto do trabalho e n\u00e3o tenho como entrar na comunidade. \u00c0s vezes, algu\u00e9m abriga a gente. Minha m\u00e3e j\u00e1 ficou \u00e0 noite em uma escola, esperando passar o tiroteio&#8221;, conta ela.<\/p>\n<p>O \u00faltimo boletim do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP), bra\u00e7o estat\u00edstico da Secretaria de Seguran\u00e7a, mostra que os n\u00fameros da criminalidade no primeiro trimestre de 2017 foram os piores dos \u00faltimos cinco anos. Os registros da letalidade violenta &#8211; homic\u00eddios dolosos, roubos seguidos de morte, les\u00f5es corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de a\u00e7\u00e3o policial &#8211; chegaram a 1.867 em janeiro, fevereiro e mar\u00e7o. Foi um aumento de 28,6% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 surpresa essa situa\u00e7\u00e3o que se seguiu \u00e0 morte das UPPs (Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora). Elas est\u00e3o na cova, s\u00f3 falta botar a p\u00e1 de cal. Foram importantes, mas n\u00e3o uma grande virada&#8221;, diz Daniel Cerqueira, economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), autor de estudos nesta \u00e1rea. &#8220;Agora temos uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica. Somos um barco \u00e0 deriva.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00edticas<\/strong> &#8211; Ap\u00f3s os ataques da semana passada &#8211; quando traficantes tentaram invadir a Cidade Alta, em Cordovil, e ordenaram que \u00f4nibus e caminh\u00f5es fossem incendiados -, o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, Roberto S\u00e1, criticou veladamente as UPPs. Ex-subsecret\u00e1rio de Jos\u00e9 Mariano Beltrame, idealizador do projeto, S\u00e1 admitiu que o programa, nascido para que a pol\u00edcia se aproximasse dos moradores das comunidades e retirasse de circula\u00e7\u00e3o o armamento pesado dos traficantes, foi &#8220;ousado demais&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo estudo liderado pela soci\u00f3loga Maria Isabel Couto, da Diretoria de An\u00e1lise de Pol\u00edticas P\u00fablicas (Dapp) da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), em dez anos a viol\u00eancia se espalhou pelo interior e se intensificou na Baixada Fluminense.<\/p>\n<p>&#8220;De 2006 a 2011, vimos a tend\u00eancia de diminui\u00e7\u00e3o dos indicadores de criminalidade em todo o Estado. A partir de 2011, os \u00edndices se acentuam na Baixada e no interior, o que \u00e9 um problema para a estrat\u00e9gia da seguran\u00e7a p\u00fablica&#8221;, avalia Maria Isabel. &#8220;No caso das UPPs, as mortes violentas baixaram muito no in\u00edcio, mas 2013 foi um ponto de inflex\u00e3o. A nossa hip\u00f3tese \u00e9 que houve um problema de gest\u00e3o. Elas cresceram demais, e abandonaram o projeto inicial, de mudan\u00e7a de cultura do enfrentamento. \u00c9 muito dif\u00edcil reverter o quadro de perda de credibilidade das UPPs.&#8221;<\/p>\n<p>Comandante da PM em 2014, o coronel da reserva Ibis Silva tamb\u00e9m aponta 2013 como marco negativo na hist\u00f3ria das UPPs. Foi naquele ano que PMs da UPP da Rocinha assassinaram o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, cujo corpo nunca foi achado. &#8220;A gente est\u00e1 vivenciando um colapso da pol\u00edtica p\u00fablica de seguran\u00e7a, sem que a secretaria consiga frear isso. O que est\u00e1 acontecendo tem rela\u00e7\u00e3o com a crise financeira e pol\u00edtica, mas as ra\u00edzes t\u00eam que ser buscadas em 2012.&#8221;<\/p>\n<p>Para entender a situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso olhar para a crise financeira e social pela qual o Estado e o Pa\u00eds passa, explica Cerqueira. Segundo um estudo de sua autoria, a rela\u00e7\u00e3o entre a taxa de desemprego e o aumento da viol\u00eancia \u00e9 direta, quando se fala de jovens, faixa et\u00e1ria em que mais se mata e mais se morre No grupo dos 18 aos 24 anos, um aumento de 1% no desemprego eleva em 2,1% a taxa de homic\u00eddios dessa popula\u00e7\u00e3o; entre 25 e 29 anos, aumenta em 3,8%. Nos \u00faltimos dois anos, foram perdidos 417 mil postos de trabalho com carteira assinada no Rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberta Pennafort e Clarissa Thom\u00e9 \u00c0s 23 horas de 1\u00ba de maio, o motoboy Marcos Vin\u00edcius Gon\u00e7alves Monteiro, de 19 anos, sa\u00eda de uma feijoada na casa de amigos de inf\u00e2ncia, na favela Cidade de Deus, na zona oeste. 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