{"id":138097,"date":"2017-05-11T09:23:35","date_gmt":"2017-05-11T12:23:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=138097"},"modified":"2017-05-11T09:44:16","modified_gmt":"2017-05-11T12:44:16","slug":"clarice-lispector-quem-diria-parou-na-secao-de-autoajuda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/clarice-lispector-quem-diria-parou-na-secao-de-autoajuda\/","title":{"rendered":"Clarice Lispector, quem diria, parou na se\u00e7\u00e3o de autoajuda"},"content":{"rendered":"<p><strong>Maria Fernanda Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Como muitos outros brasileiros, a editora Simone Paulino conheceu a obra de Clarice Lispector na escola, num momento em que o mais ambicioso sonho para ela, menina pobre da periferia, \u00f3rf\u00e3 desde os cinco quando seu pai foi brutalmente assassinado na volta do trabalho, era ser professora de portugu\u00eas. Leu A Hora da Estrela, mas n\u00e3o foi amor \u00e0 primeira vista.<\/p>\n<p>Deixou a ideia da sala de aula de lado, esqueceu aquela leitura e se tornou jornalista. Adulta, voltou \u00e0 obra de Clarice com dedica\u00e7\u00e3o e empenho. Queria entender aqueles livros, o universo criado pela autora. Pensou em estud\u00e1-la no mestrado, mas um amigo a desencorajou dizendo que Clarice era muito dif\u00edcil. Desistiu de ler sua obra racionalmente, mas voltou v\u00e1rias vezes aos romances e contos pelo puro prazer da leitura e pelo efeito que aquela obra tinha em sua vida.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, quando leu Como Proust Pode Mudar a Sua Vida, de Alain de Botton, pensou logo em Clarice como o nome para estar numa vers\u00e3o brasileira do livro. Como Clarice Pode Mudar a Sua Vida acaba de chegar \u00e0s livrarias brasileiras contradizendo a autora em sua \u00faltima entrevista, \u00e0 TV Cultura, em fevereiro de 1977: &#8220;Escrevo sem esperan\u00e7a de que o que escrevo altere alguma coisa. N\u00e3o altera nada&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Altera, sim. Salva, sim. Mudou a minha vida&#8221;, comenta Simone. &#8220;Vivemos num mundo t\u00e3o brutal e ela, ao mesmo tempo que mostra essa brutalidade, mostra uma delicadeza &#8211; o delicado essencial de que falava e que virou quase um lema de vida para mim&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Simone dividiu seu livro em 13 cap\u00edtulos, numa refer\u00eancia aos 13 t\u00edtulos de A Hora da Estrela. A partir de sua experi\u00eancia de leitura, ela vai justificando o t\u00edtulo de sua obra ao responder como: deixar a vida ser o que ela \u00e9, ser feliz, estar no mundo, ter compaix\u00e3o, seguir a si mesmo, aproveitar o instante, transcender a realidade, cultivar o delicado essencial, aprender a amar, superar o medo, chegar a Deus, aceitar a morte e matar baratas.<\/p>\n<p>O livro foi parar na se\u00e7\u00e3o de autoajuda das livrarias. &#8220;Mas todo livro \u00e9 de autoajuda&#8221;, defende a autora que escolheu Clarice como o recorte, mas garante que a obra \u00e9, antes de tudo, um elogio e um agradecimento \u00e0 literatura. &#8220;Ao longo dos anos, a literatura me permitiu reinventar minha hist\u00f3ria, apaziguar minha terr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de abandono e criar um novo jeito de existir&#8221;, escreve na introdu\u00e7\u00e3o. E, nesse sentido, Clarice tamb\u00e9m est\u00e1 a\u00ed para ajudar.<\/p>\n<p>&#8220;Quando temos contato com uma autora que fala de coisas profundamente enraizadas em n\u00f3s, que muitas vezes n\u00e3o sabemos nem nomear, e quando ela nomeia aquilo, ela nos ajuda a viver, compreender e existir dentro daquilo. A literatura \u00e9 um conforto e a Clarice sempre me confortou&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Rodrigues Como muitos outros brasileiros, a editora Simone Paulino conheceu a obra de Clarice Lispector na escola, num momento em que o mais ambicioso sonho para ela, menina pobre da periferia, \u00f3rf\u00e3 desde os cinco quando seu pai foi brutalmente assassinado na volta do trabalho, era ser professora de portugu\u00eas. 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