{"id":138149,"date":"2017-05-12T07:33:55","date_gmt":"2017-05-12T10:33:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=138149"},"modified":"2017-05-12T08:15:40","modified_gmt":"2017-05-12T11:15:40","slug":"ilustre-cidadao-mesmo-sem-oscar-e-um-filme-ser-visto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ilustre-cidadao-mesmo-sem-oscar-e-um-filme-ser-visto\/","title":{"rendered":"Ilustre Cidad\u00e3o, mesmo sem Oscar, \u00e9 um filme a ser visto"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz Carlos Merten<\/strong><\/p>\n<p>Em outubro passado, quando Gast\u00f3n Duprat veio mostrar seu filme no encerramento do Festival do Rio, O Ilustre Cidad\u00e3o j\u00e1 estava aureolado pelo pr\u00eamio de melhor ator &#8211; a Ta\u00e7a Volpi &#8211; que Oscar Martinez recebeu no Festival de Veneza. Depois vieram o Goya, a acolhida de p\u00fablico e cr\u00edtica na Argentina &#8211; foi a maior bilheteria do ano no pa\u00eds -, a indica\u00e7\u00e3o para levar adiante a candidatura no Oscar, mas o filme n\u00e3o levou. Mesmo assim, \u00e9 um belo \u00eaxito, e um belo filme.<\/p>\n<p>Muitos espectadores, principalmente a classe m\u00e9dia urbana, lamenta que o cinema brasileiro n\u00e3o se assemelhe mais ao argentino. Desde o Cinema Novo, nos anos 1960, cada cinematografia seguiu sua rota. Est\u00e9tica da fome, viol\u00eancia no Brasil. Na Argentina, hist\u00f3rias de fam\u00edlia, pequenos dramas humanos, o horror da ditadura.<\/p>\n<p>Os filmes brasileiros talvez ousem mais &#8211; ousam. Os argentinos parecem mais bem feitos, bem contados, interpretados. O Cidad\u00e3o Ilustre \u00e9 sobre esse escritor argentino, vencedor do Nobel, que volta para casa, na prov\u00edncia, para reencontrar o passado. Sua literatura alimenta-se de suas experi\u00eancias e ele, de certa forma, faz nos livros o que n\u00e3o deixa de ser uma caricatura da humanidade, concentrada, ou expressa, na popula\u00e7\u00e3o de Salas, o &#8216;pueblo&#8217;, o que produz ressentimentos.<\/p>\n<p>No Rio, o codiretor Duprat &#8211; parceiro de Mariano Cohn -, admitiu que O Cidad\u00e3o Ilustre j\u00e1 nasceu com o objetivo de colocar o &#8216;kirchnerismo&#8217; no espelho. &#8220;Nunca, antes, nos atrevemos a colocar esse per\u00edodo de forma cr\u00edtica, na espelho. O cinema argentino falou muito sobre a ditadura, mas \u00e9 importante mudar o foco e abordar essas coisas pequenas que n\u00e3o questionamos muito. A cultura, a viol\u00eancia, o peronismo. No fundo, \u00e9 sobre isso que trata O Cidad\u00e3o Ilustre.&#8221;<\/p>\n<p>Numa breve entrevista \u00e0 reportagem, Duprat disse &#8211; &#8220;N\u00e3o somos estreantes e quem conhece nosso trabalho (NR &#8211; De filmes como O Artista e O Homem ao Lado), sabe que nunca foi nosso ideal entregar os filmes prontos para o p\u00fablico. Sabe? Aquela coisa c\u00f4moda, a hist\u00f3ria com come\u00e7o, meio e conclus\u00e3o? \u00c9 muito mais interessante e desafiador criar com o p\u00fablico, levar o espectador a participar de uma maneira mais ativa.&#8221; Na trama, Daniel Mantovani recebeu, de cara, o Nobel de Literatura. Ele vive exilado na Espanha (Barcelona), mas recebe o convite para voltar a Salas, no interior da Argentina, onde nasceu, para receber uma homenagem. Surpreendentemente, at\u00e9 para ele, aceita. &#8220;O filme n\u00e3o \u00e9 somente sobre nossa mesquinharia. N\u00f3s (argentinos), tamb\u00e9m podemos ser generosos, apaixonados. Era importante que o filme n\u00e3o fizesse um s\u00f3 recorte.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 o terceiro longa dos diretores e, como os anteriores, foi subsidiado. &#8220;O problema n\u00e3o \u00e9 receber dinheiro para filmar. Em nossos pa\u00edses, a atividade cinematogr\u00e1fica n\u00e3o \u00e9 autossustent\u00e1vel. O problema seria se adequar \u00e0s regras, fazendo filmes para o mercado. Mas o artista tem de permanecer inc\u00f4modo. \u00c9 sua fun\u00e7\u00e3o social.&#8221;<\/p>\n<p>Em janeiro, coincid\u00eancia ou n\u00e3o, o rep\u00f3rter esteve na Argentina e assistiu, na televis\u00e3o a uma entrevista de Duprat e Cohn. Comentavam algo que, desde o primeiro momento, parecia evidente. O Cidad\u00e3o Ilustre \u00e9 o tipo de filme que parece que comporta uma vers\u00e3o em l\u00edngua inglesa. Essa hist\u00f3ria de um escritor &#8216;nobelizado&#8217; possui, certamente, resson\u00e2ncias universais. E j\u00e1 existe o precedente de O Segredo de Seus Olhos, o thriller vencedor do Oscar de Juan Jos\u00e9 Campanella, com o grande Ricardo Dar\u00edn, que virou draminha (um tanto an\u00f3dino) com Julia Roberts, Olhos da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Os diretores n\u00e3o negaram o interesse de produtores internacionais. &#8220;Se algum dia o filme em l\u00edngua inglesa for realizado, gostar\u00edamos muito que o ator fosse Gary Oldman ou Jeremy Irons. E n\u00e3o que n\u00e3o tenhamos ficado satisfeitos com Oscar (Martinez). Ele superou nossa expectativa. Todo o nosso elenco \u00e9 muito bom, Oscar foi maravilhoso, mas Jeremy ou Gary trariam uma contribui\u00e7\u00e3o importante para o papel.&#8221;<\/p>\n<p>A Argentina teve um grande escritor cosmopolita &#8211; Jorge Lu\u00eds Borges &#8211; que n\u00e3o logrou, como gostaria, o Nobel. Um provinciano, mesmo universal, como Mantovani, chega l\u00e1 na fic\u00e7\u00e3o. Ironia&#8230;? &#8220;Si usted quiere&#8230;&#8221;, Se voc\u00ea quiser. E como veio a inspira\u00e7\u00e3o para Salas? &#8220;N\u00e3o quer\u00edamos um lugar concreto real. Somamos caracter\u00edsticas de v\u00e1rias loca\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Foi a melhor maneira de retratar o todo sem pesar a m\u00e3o com nenhuma parte, apenas.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Carlos Merten Em outubro passado, quando Gast\u00f3n Duprat veio mostrar seu filme no encerramento do Festival do Rio, O Ilustre Cidad\u00e3o j\u00e1 estava aureolado pelo pr\u00eamio de melhor ator &#8211; a Ta\u00e7a Volpi &#8211; que Oscar Martinez recebeu no Festival de Veneza. 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