{"id":138524,"date":"2017-05-15T09:11:37","date_gmt":"2017-05-15T12:11:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=138524"},"modified":"2017-05-15T19:37:18","modified_gmt":"2017-05-15T22:37:18","slug":"cintia-mae-aguerrida-recupera-filho-sequestrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cintia-mae-aguerrida-recupera-filho-sequestrado\/","title":{"rendered":"Cintia Pereira, m\u00e3e aguerrida, recupera filho sequestrado"},"content":{"rendered":"<p><strong>Felipe Resk<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio do m\u00eas, a nutricionista Cintia Pereira, de 36 anos, entrou apreensiva no carro que a levaria de Utah at\u00e9 Los Angeles, no Estado da Calif\u00f3rnia, em uma viagem de 14 horas ao extremo da costa oeste dos Estados Unidos. De l\u00e1, embarcaria para S\u00e3o Paulo com o filho Joseph Lorenzo Heaton, de 6 anos, ap\u00f3s a Justi\u00e7a americana devolver a ela a guarda do garoto, no fim de abril.<\/p>\n<p>No ano passado, os dois passaram o Dia das M\u00e3es trancados em um quarto de hotel. &#8220;Tinha medo, n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m&#8221;, diz. Neste ano, a programa\u00e7\u00e3o foi diferente. Foram at\u00e9 a casa do primeiro marido dela, que cuidou do filho mais velho no per\u00edodo em que esteve nos EUA. &#8220;Eu queria agradecer \u00e0 mulher dele. Ela foi uma m\u00e3ezona para o meu filho.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano, Cintia havia largado o trabalho e a casa onde morava no Brasil para travar uma disputa judicial contra o ex-marido, acusado do sequestro internacional da crian\u00e7a. Sem amigos nos Estados Unidos e com pouco dom\u00ednio do idioma, ela precisou construir uma &#8220;rede de solidariedade&#8221; para sobreviver. Morou de favor na casa de desconhecidos. Tamb\u00e9m comprou alimentos e pagou por advogados com doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Inicialmente, JJ, como o garoto gosta de ser chamado, n\u00e3o via com bons olhos a ideia de voltar a morar no Pa\u00eds &#8211; estava habituado aos Estados Unidos, onde acabou de entrar em f\u00e9rias escolares. Na viagem a Los Angeles, no entanto, Cintia percebeu que a oposi\u00e7\u00e3o do menino foi sendo aos poucos substitu\u00edda por ansiedade. &#8220;Mam\u00e3e, aqui j\u00e1 \u00e9 o Brasil?&#8221;, repetia a crian\u00e7a toda vez que cruzava a fronteira de uma cidade americana.<\/p>\n<p>O motivo da apreens\u00e3o de Cintia era que, apesar da decis\u00e3o a seu favor, o ex-marido resolveu apelar e a audi\u00eancia do recurso ainda n\u00e3o havia sido realizada. Com o passaporte retido por autoridades americanas, ela e JJ dispunham apenas de uma autoriza\u00e7\u00e3o para retornar ao Pa\u00eds, concedida pelo governo brasileiro. Os advogados a orientaram a deixar os Estados Unidos imediatamente, mas estaria cometendo uma ilegalidade? Poderia tamb\u00e9m ser acusada de raptar o filho?<\/p>\n<p>O al\u00edvio veio uma semana depois, quando Cintia j\u00e1 estava no Brasil. Por unanimidade, tr\u00eas ju\u00edzes da Corte decidiram que a situa\u00e7\u00e3o dela e de JJ era legal. &#8220;Esse momento foi especial.&#8221;<\/p>\n<p><b>Hist\u00f3rico &#8211;\u00a0<\/b>JJ \u00e9 fruto da uni\u00e3o entre a nutricionista e um americano, em um casamento que havia sido celebrado em Salt Lake, Utah, e durou de 2009 a 2011. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o, o ex-marido havia voltado a morar nos EUA, sem ter mais contato com a crian\u00e7a, mas retornou ao Brasil em 2013, com pedido de div\u00f3rcio e da guarda do menino<\/p>\n<p>O americano conseguiu a guarda tempor\u00e1ria do garoto ao alegar \u00e0 Justi\u00e7a brasileira que Joseph era v\u00edtima de agress\u00e3o da m\u00e3e e abuso sexual do irm\u00e3o mais velho, hoje com 14 anos, fruto do primeiro casamento de Cintia. Como as acusa\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram comprovadas, a Justi\u00e7a devolveu a guarda \u00e0 m\u00e3e. Cintia, no entanto, n\u00e3o chegou a recuperar o filho.<\/p>\n<p>Ao perceber que o ex-marido n\u00e3o devolveria o menino, ela foi at\u00e9 o apartamento onde ele ficava no Brasil. &#8220;Ele saiu faz duas semanas&#8221;, informou o porteiro. O pai fugiu para o Paraguai. Era dezembro de 2015.<\/p>\n<p>Por cinco meses, Cintia n\u00e3o teve not\u00edcia do filho e acionou a pol\u00edcia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o Itamaraty. Tamb\u00e9m criou uma p\u00e1gina no Facebook para divulgar imagens da crian\u00e7a e informa\u00e7\u00f5es sobre o desaparecimento. Em abril do ano passado, foi convocada para uma audi\u00eancia nos EUA. Foi quando descobriu o paradeiro do garoto.<\/p>\n<p>Com visto de turista, a m\u00e3e preparou uma mala pequena e reservou hotel por uma semana &#8211; n\u00e3o esperava passar tanto tempo nos EUA. Foi sozinha, deixando o filho mais velho aqui. &#8220;Quando a gente se encontrou foi incr\u00edvel, ele pulou no meu colo, n\u00e3o queria largar&#8221;, diz. &#8220;Como voc\u00ea viveu?&#8221;, indagou a crian\u00e7a. O pai dele havia dito que Cintia tinha morrido.<\/p>\n<p>A uni\u00e3o durou apenas um m\u00eas. O ex-marido conseguiu a guarda provis\u00f3ria ap\u00f3s repetir as acusa\u00e7\u00f5es de agress\u00e3o e abuso sexual \u00e0 Justi\u00e7a americana. At\u00e9 a advogada a aconselhou a retornar para o Brasil. &#8220;Fiquei completamente perdida. Chorava todos os dias, sem nenhum dos meus filhos.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas come\u00e7aram a ouvir minha hist\u00f3ria e a me ajudar. De repente, a maioria das pessoas de Utah estava apoiando minha causa&#8221;, conta Cintia, que diz ter acabado com todas as economias, cerca de U$ 15 mil (R$ 46,8 mil) para ficar nos EUA. Diversos eventos foram organizados e conseguiram arrecadar U$ 36 mil (R$ 112,4 mil), mas n\u00e3o quitaram todas as d\u00edvidas. Hoje, calcula que \u00e9 preciso pagar o mesmo valor para saldar o d\u00e9bito. Ap\u00f3s perder a guarda da crian\u00e7a, s\u00f3 recebeu autoriza\u00e7\u00e3o para visit\u00e1-lo em um cl\u00ednica, sob observa\u00e7\u00e3o. Eram proibidos de conversar em portugu\u00eas e de falar sobre a vida de JJ. S\u00f3 podiam ficar sentados e brincar.<\/p>\n<p><b>Fim &#8211;\u00a0<\/b>Uma reviravolta aconteceu ap\u00f3s seus advogados entrarem com recurso, alegando que a compet\u00eancia para julgar a a\u00e7\u00e3o era da Justi\u00e7a brasileira. Como condi\u00e7\u00e3o, a Justi\u00e7a dos EUA determinou que Cintia deveria passar por mais de 30 sess\u00f5es de classes de div\u00f3rcio e de viol\u00eancia dom\u00e9stica, cada uma a custo de cerca de R$ 420, al\u00e9m de teste de consumo de droga.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o queria fazer, mas n\u00e3o tinha outro jeito. Para mim, era como se eu assinasse que tinha feito tudo isso&#8221;, diz ela. Na sexta-feira desta semana, recebeu um e-mail, informando que o ex-marido havia desistido do processo nos EUA. No Brasil, no entanto, ainda cabe recurso.<\/p>\n<p>De volta ao Pa\u00eds h\u00e1 poucos dias, Cintia prioriza regularizar a documenta\u00e7\u00e3o dela e do filho. &#8220;De f\u00e9rias&#8221;, JJ n\u00e3o quer saber de escola por enquanto. &#8220;Eu gosto de assistir desenho e de brincar&#8221;, disse o menino na sexta, sem desgrudar o olho da TV, que exibia a anima\u00e7\u00e3o da Disney Frozen, em portugu\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felipe Resk No in\u00edcio do m\u00eas, a nutricionista Cintia Pereira, de 36 anos, entrou apreensiva no carro que a levaria de Utah at\u00e9 Los Angeles, no Estado da Calif\u00f3rnia, em uma viagem de 14 horas ao extremo da costa oeste dos Estados Unidos. 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