{"id":140926,"date":"2017-06-04T00:04:01","date_gmt":"2017-06-04T03:04:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=140926"},"modified":"2017-06-05T08:49:55","modified_gmt":"2017-06-05T11:49:55","slug":"mauricio-pai-da-monica-conta-sua-historia-em-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mauricio-pai-da-monica-conta-sua-historia-em-livro\/","title":{"rendered":"Maur\u00edcio, pai da M\u00f4nica, conta a sua hist\u00f3ria em livro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Eliana Silva de Souza<\/strong><\/p>\n<p>De garoto arteiro do interior de S\u00e3o Paulo a um dos maiores nomes nacionais da arte de fazer quadrinhos, Mauricio de Sousa decidiu contar ele pr\u00f3prio a sua hist\u00f3ria. Aos 81 anos, o pai da Turma da M\u00f4nica atendeu a pedidos e lan\u00e7a agora sua biografia Mauricio &#8211; A Hist\u00f3ria Que N\u00e3o Est\u00e1 no Gibi (Editora Sextante) que, segundo ele, deve ter outros volumes.<\/p>\n<p>&#8220;O artista nunca acha que est\u00e1 bom o suficiente, creio que est\u00e3o faltando mais dois livros (risos), o ideal seria fazer uma trilogia&#8221;, afirma o quadrinista que declara estar arquitetando uma segunda obra. &#8220;Estou querendo centrar mais na inf\u00e2ncia, muita coisa que eu fiz quando crian\u00e7a, n\u00e3o o que aconteceu, mas o que fiz, tem coisa que vale a pena falar mais.&#8221;<\/p>\n<p>De leitura leve e simples, o lan\u00e7amento traz o depoimento de Mauricio ao jornalista Lu\u00eds Colombini, a quem relata diversas passagens de sua vida, come\u00e7ando pela inf\u00e2ncia, na cidade de Santa Isabel, em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 o momento atual. Do come\u00e7o ao fim, muita hist\u00f3ria da vida do artista, como, quando ainda pequeno, aproveitava o que tinha na pequena cidade.<\/p>\n<p>&#8220;De arteiro fui para artista. Logicamente, crian\u00e7a que faz arte faz escondido, longe dos pais, av\u00f3s, tios, e tem artes que mereciam ser contadas para as pessoas saberem como \u00e9 que era a coisa naquele tempo, a liberdade que a gente tinha, com matagais, montanha, lugar para a gente brincar, o Rio Tiet\u00ea era limpo, eu nadava nele, pescava&#8221;, conta com saudade Mauricio, que relata ainda algumas de suas fa\u00e7anhas, como a de ca\u00e7ar r\u00e3 e saber preparar essa iguaria.<\/p>\n<p>&#8220;Meu pessoal n\u00e3o permitia que colocasse sapo na panela, para eles r\u00e3 era sapo, eu podia ca\u00e7ar \u00e0 vontade, mas n\u00e3o era para levar para casa e preparar como eu queria, ent\u00e3o, esperava todo mundo sair e a\u00ed preparava tudo escondido&#8221;, se diverte o cartunista. &#8220;Acho que tive uma inf\u00e2ncia privilegiada, com uma fam\u00edlia legalzinha que tolerava minhas molecagens. Nasci em uma fam\u00edlia que gostava de livros, de artistas, de manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, que me incentivou muito&#8221;, conta ele ao lembrar que sua m\u00e3e queria que ele fosse cantor de r\u00e1dio, e quase conseguiu. &#8220;Se eu quiser, ainda canto&#8221;, afirma declarando que tamb\u00e9m sabia tocar, de ouvido, qualquer instrumento, menos violino, mas s\u00f3 n\u00e3o conseguiu isso at\u00e9 agora porque n\u00e3o parou para estudar.<\/p>\n<p>Mauricio \u00e9 filho do barbeiro Antonio Mauricio de Souza e da poeta Petronilha Araujo de Souza. Do pai, homem de m\u00faltiplas qualidades &#8211; poeta, jornalista, compositor, cantor, m\u00fasico, desenhista, pintor e, mais adiante, tamb\u00e9m barbeiro -, teve essa viv\u00eancia do mundo real, da m\u00e3e &#8211; criada para ser dona de casa, que cozinhava e costurava bem, al\u00e9m de gostar de ler e fazer poesias &#8211; herdou essa veia l\u00fadica.<\/p>\n<p>E, nas voltas que a vida d\u00e1, Mauricio, que come\u00e7ou a mostrar a voca\u00e7\u00e3o pelo desenho logo cedo, n\u00e3o conseguiu terminar o ensino fundamental e foi para o mercado de trabalho tentar a sorte de v\u00e1rias maneiras. Antes de emplacar seus desenhos, ele foi trabalhar em um grande jornal como rep\u00f3rter policial. Depois de um tempo, foi fazer o que queria, desenhar e publicar suas tirinhas. &#8220;Quando consegui passar para o setor de quadrinhos, fiz as historinhas em cima do que tinha vivido na inf\u00e2ncia, na \u00e9poca estava com meus 17, 18 anos, e as lembran\u00e7as ainda eram bem vivas na mem\u00f3ria&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Mauricio avalia que dessa forma conseguiu capturar o leitor infantil. &#8220;Esse p\u00fablico cresceu me levando junto e foi passando de uma gera\u00e7\u00e3o para a outra. Tem gente de 60 anos que passa aqui e diz que aprendeu a ler comigo.&#8221;<\/p>\n<p>Reconhecido internacionalmente, Mauricio de Sousa viajou pelo mundo e fez amigos entre os nomes mais consagrados das HQs, que puderam trocar experi\u00eancias e influ\u00eancias. &#8220;Quem mais me inspirou em termos de narrativa foi Will Eisner, criador do personagem Spirit. L\u00e1 nos anos 1940, ainda jovem, eu pegava as historinhas dele, recortava, costurava e fazia meu pr\u00f3prio \u00e1lbum para estudar seu estilo&#8221;, conta. &#8220;Depois de um tempo, ficamos amigos e ele me falava: \u2018Mauricio, como voc\u00ea conseguiu tudo isso? e eu dizia, eu copiei voc\u00ea.&#8221; Outro nome de destaque \u00e9 o japon\u00eas Ozamu Tezuka. &#8220;Tamb\u00e9m conheci o Tezuka, que \u00e9 considerado o rei dos mang\u00e1s e at\u00e9 combinamos de fazer alguma coisa juntos no futuro, infelizmente ele morreu, mas o que combinamos estou fazendo agora. Neste ano, vou lan\u00e7ar a Turma da M\u00f4nica jovem no Jap\u00e3o junto com os personagens dele, fazendo crossover.&#8221;<\/p>\n<p>Tanto na vida profissional quanto pessoal, os n\u00fameros relacionados a Mauricio de Sousa s\u00e3o superlativos. S\u00e3o dez filhos, 11 netos e tr\u00eas bisnetos. Em 2016, Mauricio foi o segundo autor de maior vendagem no Brasil em livros, atingindo um milh\u00e3o e meio de obras comercializadas. Soma tamb\u00e9m cerca de 10 milh\u00f5es de leitores por m\u00eas somente na \u00e1rea de impressos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eliana Silva de Souza De garoto arteiro do interior de S\u00e3o Paulo a um dos maiores nomes nacionais da arte de fazer quadrinhos, Mauricio de Sousa decidiu contar ele pr\u00f3prio a sua hist\u00f3ria. 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