{"id":140933,"date":"2017-06-04T00:02:20","date_gmt":"2017-06-04T03:02:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=140933"},"modified":"2017-06-05T08:50:09","modified_gmt":"2017-06-05T11:50:09","slug":"hora-da-tropa-promover-um-velho-um-acerto-de-contas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/hora-da-tropa-promover-um-velho-um-acerto-de-contas\/","title":{"rendered":"A hora d&#8217;A Tropa promover um velho um acerto de contas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ubiratan Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Doente, um ex-militar recebe os quatro filhos no hospital. Autorit\u00e1rio, ele se descobre incapaz de controlar a situa\u00e7\u00e3o: as rela\u00e7\u00f5es veladas na fam\u00edlia s\u00e3o descortinadas e cicatrizes s\u00e3o expostas. &#8220;\u00c9 o microcosmo da realidade brasileira, entre 1964 e os dias atuais&#8221;, avalia o ator Otavio Augusto, que vive o homem debilitado em A Tropa, pe\u00e7a que estreia neste s\u00e1bado, 3, na Sala Paschoal Carlos Magno do Teatro S\u00e9rgio Cardoso. Um momento marcante, pois Augusto, um dos principais atores brasileiros, comemora 50 anos de carreira.<\/p>\n<p>&#8220;Eu buscava um texto estimulante, quando Gustavo Pinheiro me ofereceu esse. Eu n\u00e3o pisava no palco de um teatro desde 2009, quando encenei Rock\u2019n Roll, de Tom Stoppard, uma inteligente cr\u00edtica contra o comunismo&#8221;, relembra ele, que viveu ali um professor essencialmente marxista da Universidade de Cambridge &#8211; homem arrogante, que parece ser o \u00fanico personagem imune ao poder transformador da arte, da can\u00e7\u00e3o em especial. Embora n\u00e3o seja um musical, o espet\u00e1culo valeu-se do rock\u2019n\u2019roll como ferramenta para mostrar a desestrutura\u00e7\u00e3o do comunismo no leste europeu.<\/p>\n<p>Foi o mesmo entusiasmo que tomou conta do autor ao receber a pe\u00e7a de Pinheiro. &#8220;A Tropa me incentivou a retornar \u00e0 cena gra\u00e7as a uma sens\u00edvel discuss\u00e3o sobre culpa, que atinge essa fam\u00edlia formada por um pai r\u00edgido e filhos ressentidos.&#8221;<\/p>\n<p>Escrito em 2015, o texto foi premiado pelo CCBB na 7.\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Sele\u00e7\u00e3o Brasil em Cena e tem como pano de fundo os \u00faltimos 50 anos de Hist\u00f3ria brasileira, dos pesados tempos da ditadura militar \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. &#8220;E, como os acontecimentos continuam fervilhando, acrescentamos alguns detalhes que deixam a pe\u00e7a ainda mais atual&#8221;, completa o ator.<\/p>\n<p>A falta de um ponto final \u00e9 tamb\u00e9m festejada pelo autor. &#8220;\u00c9 curioso como a pe\u00e7a se torna cada vez mais atual. A cada novo lance na pol\u00edtica brasileira &#8211; e foram muitos nos \u00faltimos meses! -, o texto fica ainda mais renovado no palco&#8221;, comenta Gustavo Pinheiro, cujo ponto de partida foram as rachaduras provocadas nos relacionamentos pelos embates pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&#8220;Fiquei impressionado com a capacidade do debate pol\u00edtico, nas redes sociais ou fora delas, de abalar amizades. Qual o lugar da toler\u00e2ncia na nossa sociedade, hoje? E como exercitar a toler\u00e2ncia e a diferen\u00e7a em fam\u00edlia, o n\u00facleo mais estreito de conv\u00edvio, regido pelo afeto? Esse foi o ponto de largada para A Tropa&#8221;, explica.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos filhos permite tra\u00e7ar um perfil da sociedade &#8211; Humberto (Alexandre Menezes) \u00e9 um dentista militar aposentado que mora com o pai; Jo\u00e3o Batista (Daniel Marano) \u00e9 o ca\u00e7ula, usu\u00e1rio de drogas com passagens por cl\u00ednicas de reabilita\u00e7\u00e3o; Artur (Eduardo Fernandes) \u00e9 um empres\u00e1rio casado, pai de duas filhas e que trabalha em uma empreiteira investigada por suspeita de corrup\u00e7\u00e3o; e Ernesto (Rafael Morpanini) \u00e9 um jornalista que acaba de pedir demiss\u00e3o e est\u00e1 em crise com a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o v\u00e1rios tipos de problemas que envolvem as fam\u00edlias e que afetam o p\u00fablico&#8221;, comenta Otavio Augusto. &#8220;Nas sess\u00f5es que apresentamos, especialmente no Rio, notei um interesse muito grande, principalmente dos espectadores mais velhos, que vivenciaram muitos dos conflitos tratados na pe\u00e7a.&#8221; O ator lembra que Gustavo Pinheiro iniciou a escrita do texto em 2014, motivado pelos acontecimentos pol\u00edticos que rodearam a elei\u00e7\u00e3o presidencial.<\/p>\n<p>Ator com longa carreira na televis\u00e3o e no cinema, Otavio Augusto se define como um artista essencialmente de teatro. &#8220;\u00c9 no palco que consigo realizar minha motiva\u00e7\u00e3o social ou pol\u00edtica&#8221;, conta ele, que iniciou sua trajet\u00f3ria em S\u00e3o Paulo, na d\u00e9cada de 1960, em um grande centro difusor de cultura: o Teatro Oficina. L\u00e1, participou de Os Inimigos, de M\u00e1ximo Gorki, dirigido em 1966 por Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa; no ano seguinte, viveu Perdigoto na c\u00e9lebre montagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade.<\/p>\n<p>Em 1968, n\u00e3o s\u00f3 atuou como tamb\u00e9m codirigiu Poder Negro, de LeRoi Jones, e ainda participou de outra cl\u00e1ssica encena\u00e7\u00e3o: a de Galileu Galilei, de Bertolt Brecht. E, do mesmo autor alem\u00e3o, Otavio Augusto encenou Na Selva das Cidades, em 1969. &#8220;Eram anos de grande ebuli\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que refletia na \u00e1rea cultural&#8221;, relembra ainda.<\/p>\n<p>Atualmente, somente tal motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 que o convence a voltar ao palco. &#8220;Em A Tropa, fico entusiasmado por dividir a cena com atores jovens &#8211; eles ajudam a me reciclar sempre.&#8221; Com dire\u00e7\u00e3o de Cesar Augusto, a montagem tem um cen\u00e1rio austero, criado por Bia Junqueira: um quarto de hospital com alguns poucos objetos que foram levados pelos filhos &#8211; de pertences do pai a presentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ubiratan Brasil Doente, um ex-militar recebe os quatro filhos no hospital. 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