{"id":141047,"date":"2017-06-05T06:37:42","date_gmt":"2017-06-05T09:37:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=141047"},"modified":"2017-06-05T06:38:38","modified_gmt":"2017-06-05T09:38:38","slug":"aumento-do-nivel-do-mar-vira-uma-ameaca-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/aumento-do-nivel-do-mar-vira-uma-ameaca-real\/","title":{"rendered":"Aumento do n\u00edvel do mar vira amea\u00e7a real a curto prazo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alana Gandra<\/strong><\/p>\n<p>As cidades brasileiras situadas em zonas costeiras s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, em especial ao aumento do n\u00edvel do mar, mas tamb\u00e9m a eventos como fortes chuvas, tempestades, inunda\u00e7\u00f5es e eros\u00e3o costeira, que causa destrui\u00e7\u00e3o e impactos \u00e0 infraestrutura desses munic\u00edpios.<\/p>\n<p>O dado consta do relat\u00f3rio especial Impacto, vulnerabilidade e adapta\u00e7\u00e3o das cidades costeiras brasileiras \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que o Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (PBMC) divulga nesta segunda (5) no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o segundo documento sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e cidades elaborado pelo organismo cient\u00edfico criado em 2009 pelos minist\u00e9rios da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o e Meio Ambiente. O primeiro foi divulgado durante a Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o do Clima (COP 21), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), no Marrocos, em 2016.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio especial, foram avaliados os cen\u00e1rios de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para o Brasil e como essas cidades poder\u00e3o ser impactadas pelo aquecimento global. De acordo com o estudo, 18 das 42 regi\u00f5es metropolitanas brasileiras se encontram na zona costeira ou sofrem influ\u00eancia dela. O documento abordou munic\u00edpios costeiros das regi\u00f5es Nordeste, Sudeste e Sul.<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel do mar<\/strong> &#8211; Os cen\u00e1rios mais pessimistas citados no relat\u00f3rio apontam que o n\u00edvel do mar pode chegar a subir 40 cent\u00edmetros at\u00e9 2050, provocando perdas econ\u00f4micas de at\u00e9 US$ 1,2 bilh\u00e3o para as 22 maiores cidades costeiras latino-americanas. N\u00e3o h\u00e1 ainda, entretanto, mensura\u00e7\u00e3o no Brasil dos custos econ\u00f4micos provocados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>De acordo com a presidente do comit\u00ea cient\u00edfico do PBMC, Suzana Kahn, professora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe\/UFRJ), a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e das temperaturas t\u00eam impacto muito maior no Brasil, porque grande parte das regi\u00f5es est\u00e1 localizada nas \u00e1reas litor\u00e2neas. \u201cN\u00e3o h\u00e1 como evitar os danos, mas sim implantar solu\u00e7\u00f5es, no sentido de que possamos nos adaptar a uma nova realidade\u201d, externou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do n\u00edvel do mar, os eventos extremos de chuvas tamb\u00e9m s\u00e3o citados como causas dos problemas ambientais nas regi\u00f5es costeiras, acarretando riscos de deslizamento de terras, enxurradas e enchentes. Tamb\u00e9m foi constatada nas cidades litor\u00e2neas a forte emiss\u00e3o de gases poluentes. De acordo com o relat\u00f3rio do PBMC, o Rio de Janeiro se destaca com a maior emiss\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2) por habitante, da ordem de 3,47 toneladas.<\/p>\n<p><strong>Mapeamento<\/strong> &#8211; Entre as cidades mais vulner\u00e1veis est\u00e3o o Rio de Janeiro, Santos, Fortaleza, Recife, Salvador e, no Sul do Brasil, o Vale do Itaja\u00ed. A costa de Santa Catarina, apresenta risco n\u00e3o s\u00f3 o aumento do n\u00edvel do mar, mas tamb\u00e9m a possibilidade de se tornar rota de furac\u00f5es. As fortes tempestades na regi\u00e3o, com ventos superiores a 80 quil\u00f4metros por hora, j\u00e1 s\u00e3o indicativo da tend\u00eancia, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil a secret\u00e1ria executiva do comit\u00ea cient\u00edfico do Painel, Andrea Santos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio recomenda que sejam realizadas novas avalia\u00e7\u00f5es de risco de desastres associados, de aumento na frequ\u00eancia de extremos de clima e aumento do n\u00edvel do mar nas cidades costeiras, sobretudo no Norte e Nordeste do pa\u00eds. Segundo o comit\u00ea cient\u00edfico do Painel, esses estudos podem permitir a reavalia\u00e7\u00e3o dos riscos para os quais munic\u00edpios e popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o preparados.<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro e Santos s\u00e3o os \u00fanicos munic\u00edpios que j\u00e1 est\u00e3o investindo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as do clima, aponta o estudo. \u201cS\u00e3o duas cidades que est\u00e3o atuando em pol\u00edtica p\u00fablica no sentido de promover a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o\u201d, disse Andrea.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio atesta que a maioria das cidades que fizeram pol\u00edticas de clima n\u00e3o consequem monitorar as metas anunciadas. \u201cA gente n\u00e3o tem visto o acompanhamento dessas pol\u00edticas, tanto de mitiga\u00e7\u00e3o, para redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, tanto das pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es integradas no \u00e2mbito de medidas de adapta\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou a secret\u00e1ria-executiva do comit\u00ea.<\/p>\n<p><strong>Medidas<\/strong> &#8211; A secret\u00e1ria executiva do comit\u00ea indicou que a infraestrutura de todas essas cidades costeiras est\u00e1 suscet\u00edvel a impactos f\u00edsicos, em raz\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seus efeitos. O documento faz recomenda\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas p\u00fablicas que sejam constru\u00eddas pela Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios para atenuar esses impactos. Ela citou como exemplos novamente o Rio de Janeiro e Santos, que \u201cest\u00e3o pensando no planejamento de m\u00e9dio e longo prazo, mas tamb\u00e9m t\u00eam a\u00e7\u00f5es que podem ser feitas no curto prazo\u201d.<\/p>\n<p>Entre elas, destacou a constru\u00e7\u00e3o de um piscin\u00e3o na Pra\u00e7a da Bandeira, centro do Rio de Janeiro, que durante anos passou por inunda\u00e7\u00f5es e alagamentos. Andrea Santos considerou que reservat\u00f3rio subterr\u00e2neo constru\u00eddo naquela \u00e1rea pode ser considerado uma medida de adapta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que, na pr\u00e1tica, evitou novas enchentes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de barreiras de prote\u00e7\u00e3o contra a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, a secret\u00e1ria do comit\u00ea cient\u00edfico do PBMC recomendou que as cidades costeiras preservem seus ecossistemas. O mangue tem um papel fundamental ao conter o avan\u00e7o da \u00e1gua salina.<\/p>\n<p>Medidas de curto prazo como a integra\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico tamb\u00e9m s\u00e3o recomendadas. O transporte rodovi\u00e1rio \u00e9 o mais afetado em inunda\u00e7\u00f5es e sistemas integrados podem diminuir o impacto das chuvas no dia a dia de usu\u00e1rios. Outra medida simples, em que a popula\u00e7\u00e3o tem um papel a cumprir, diz respeito \u00e0 destina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos. \u201cSe a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o joga lixo na rua, isso facilita\u201d, observou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alana Gandra As cidades brasileiras situadas em zonas costeiras s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, em especial ao aumento do n\u00edvel do mar, mas tamb\u00e9m a eventos como fortes chuvas, tempestades, inunda\u00e7\u00f5es e eros\u00e3o costeira, que causa destrui\u00e7\u00e3o e impactos \u00e0 infraestrutura desses munic\u00edpios. 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